Conselhos sobre problemas de relações

Conselhos sobre as relações conjugais ... Os filhos de relações incestuosas podem ter sérios problemas de identidade, adúlteros podem perder a estabilidade psíquica e etc. Não se tratam de dados matemáticos, pois as conseqüências podem mudar muito de um para outro, assim como se podem alterar as condições nas quais as ... Conheça mais sobre nosso consultor D.Guerino. D. Guerino é terapeuta holístico e atende de forma acolhedora os seus consulentes. Muito querido por quem o conhece, o consultor também ensina práticas como a meditação para melhorar a energia e fluxo de vida das pessoas que o procura. Quer receber os conselhos e previsões do D.Guerino? Conselhos sobre problemas :$ Ajudo-vos a resolver tudo :)) sábado, 24 de novembro de 2012 ... mas milhares de pessoas não a levam a sério e vivem relações absolutamente torturantes sem conseguir rompê-las. ... não é nem difícil, é aterrorizonte, pois, não esqueçamos, estamos falando de relações onde ainda existe amor.Nada disso é ... Os filhos de relações incestuosas podem ter sérios problemas de identidade, adúlteros podem perder a estabilidade psíquica e etc. Não se tratam de dados matemáticos, pois as conseqüências podem mudar muito de um para outro, assim como se podem alterar as condições nas quais as irregularidades ocorreram. O interesse pela temática dos Conselhos Escolares surge no ano de 1996, ... decidir sobre os problemas, necessidades e prioridades da escola. ... na escola: decisões vindas de cima para baixo, centralização de ações, dentre outros. A construção desse tipo de relações na escola demanda, além de tempo, a ... clube de cinema). Sempre que falamos sobre relações saudáveis, surge sempre uma pergunta difícil: “O que é, exatamente, uma relação saudável?” Todos temos ideias diferentes sobre este assunto e existem muito boas respostas. Para garantir que estamos todos em sintonia, vamos pensar, em voz alta, em As mães dizem de sua justiça sobre as relações amorosas. A amiga vem e acrescenta um ponto. E quando não são os familiares e amigos são as revistas, os estudos científicos, os ditados populares. Está a ver aqueles conselhos que todos (mas mesmo todos) têm sempre para nos dar com a melhor das intenções? Não acredite em tudo o que ouve. Os filhos de relações incestuosas podem ter sérios problemas de identidade, adúlteros podem perder a estabilidade psíquica e etc. Não se tratam de dados matemáticos, pois as conseqüências podem mudar muito de um para outro, assim como se podem alterar as condições nas quais as irregularidades ocorreram. Ainda bem que existem motivos maiores para você lutar pelo seu direito de estar em relações interculturais. Não se trata mais apenas de você e seu parceiro. É sobre todos. # 1 Compartilhar diferentes tipos de alimentos. Com uma nova cultura, vêm novas receitas e aventuras culinárias. O presente documento expõe uma reflexão analítica sobre a efetividade e funcionamento de conselhos gestores das unidades de conservação dos blocos Acre Purus e Juruena-Apui, apoiados pelo Programa Amazônia do WWF-Brasil, a fim de subsidiar outras iniciativas e

Sera que é real ?

2020.09.13 22:39 maisumge Sera que é real ?

Tenho 23 anos e um problema mental serio que sofri quando tinha 18 anos e é irreversível (me viro bem, trabalho, estudo saio e etc mas mudou muito a forma como vejo a vida e principalmente relações, sejam elas amorosas ou nao)
A umas duas semanas, voltei a falar com uma amiga minha que conheci a uns 10 anos atras na época de escola. A gente vem conversando muito nesses últimos dias (ela sempre teve uma quedinha por mim). E numa dessas conversas as coisas começaram a passar um pouco da amizade e se envolver um pouco a mais, pensando sobre relacionamento e talz.
O problema é que sempre sofri muito preconceito por esse problema que tive e durante muito tempo as únicas pessoas que tive que me davam essa atenção era minha família (e só alguns deles)
Outro problema é que tive um relacionamento antes que me traumatizou muito em que a menina que namorei me traiu muito e que me deixou muito inseguro em relação a literalmente qualquer coisa
Isso vem mexendo muito comigo esses últimos dias e sempre penso a mesma "sera que ela realmente gosta de mim ou sla só ta carente por causa da quarentena e quer alguem pra ficar ?". Por que eu realmente to querendo que de certo mas acho que ela nao vai aguentar por causa desse meu problema e etc
Enfim nao sei se fui suficientemente claro mas precisa muito por isso pra fora. Só falei sobre isso com uma pessoa e ela me deu um conselho que por mais que tenha sido sincero nao me ajudou muito
É minha primeira vez aqui então nao sei como vao ser a respostas de vcs. Podem fazer piada, zoar o que quiserem a única coisa que quero é uma opinião sincera por mais que me doa ouvir
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2020.09.05 11:57 Zaigard Sobre a solidão e "como conhecer novas pessoas"

Bom dia a todos,
Muitas vezes leio por aqui pessoas a sofrer de solidão e depressão e a pedir conselhos sobre como arranjar amigos. Se pesquisarmos pela internet fora, existem muitos conselhos e ideias de como conhecer pessoas.
Mas quando alguém jovem entre os 20 e 40 diz que quer conhecer pessoas, ela/a quer conhecer pessoas da sua idade e com interesses semelhantes.
Alguns dos conselhos mais comuns são:
Frequentar cafes e bares
Ir para o ginásio ou piscina
Participar em grupos de corrida ou caminhada
Frequentar aulas de luta, dança ou ioga
Participar num curso de línguas ou culinária
Participar em eventos, meetups ou encontros organizados
Clube de artes ou fotografia
Ir a festas ou festivais
Aparentemente todos estes conselhos são oportunidades garantidas de conhecer pessoas novas, mas a realidade demográfica portuguesa estraga a situação.
Sim se eu frequentar o cafe local, tiver aulas de dança três vezes por semana e for à piscina ao fim de semana, vou conhecer novas pessoas, mas vou conhecer por norma pessoas de 60+ anos. Sendo Portugal um país de idosos, tudo é dimensionado para idosos pois são eles a maioria a frequentar as situações e são eles quem mais tempo tem para participar.
Por exemplo, o clube de fotografia da minha terra é 100% reformados com mais de 65.
E vamos ser realistas, os ginásios e aulas de luta, línguas e afins não são os melhores sítios para fazer amigos, os jovens que as frequentam estão lá para fazer a sua rutina e seguir caminho, pois tem pressa devido ao emprego, amigos, filhos etc, só quem terá tempo para falar são reformados.
Resumidamente, este conselhos americanizados podem funcionar em sociedade mais jovens ou em grands cidades europeias, mas por aqui, vão depender muito mais da tua capacidade. Quem sempre teve facilidade em fazer amigos certamente vai arranjar maneira de conhecer novos sempre problemas, seguindo ou não estas ideias.
Estar a frequentar uma atividade, que nem nos interessa muito, pois o principal objetivo era conhecer malta da nossa idade, e acabar só conhecendo pessoas com quem pouco ou nada temos em pouco é bastante dececionante.
Quem sempre teve dificuldade fazer amizades está lixado e estes conselhos em pouco ou nada vão ajudar.
Sendo realistas, o primeiro passo para conhecer potenciais amigos, é já ter amigos. Quem por situações da vida se depara numa situação em que não tenha amigos vai passar um mau bocado e não há uma estratégia magica que o ajude, a sorte será o principal fator para escapar a tal situação.
Numa nota pessoal, nos últimos anos, tenho vivido sem um único amigo, mas com dezenas de "conhecidos próximos" mas com idades, interesses e vivencias, completamente diferentes da minha.
Uma ultima nota, arranjar amigos no local de trabalho, ou entre clientes, não só é difícil como é, por norma, uma péssima ideia misturar relações pessoais com profissionais.
Quais são as vossas opiniões? Acham que estou totalmente errado e tiveram experiencias totalmente diferentes? Estiveram numa situação de solidão e conseguiram resolver o problema seguindo estas ideias? Gostava de ler algumas opiniões e ideias diferentes.
Versão resumida: Existem muitos conselhos para conhecer pessoas, mas em Portugal, vais acabar por conhecer idosos e pessoas com quem não tens nada em comum, pelo que não há uma solução verdadeira para o problema da solidão.
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2020.09.04 20:07 alalaimsocool Não consigo mais trabalhar

Oi, pessoas! Ando numa situação bem complicada nos últimos meses e acho que essa semana é um bom momento para falar sobre por aqui.
Em resumo, é isso aí que tá no título: não consigo mais trabalhar. No início da quarentena, lá pra idos de março/abril, acabei me desentendendo com o pessoal da agência onde eu trabalhava pois estavam todos (sem exceção) querendo voltar a trabalhar presencialmente depois de só 15 dias de isolamento (sendo que né, é agência de marketing, ZERO necessidade de redatores e designers precisarem estar num escritório para cumprir as demandas). Pra ser bem específico, cheguei a ter uma crise de depressão que durou mais de uma semana por causa desse episódio e decidi por dropar esse trabalho, mesmo precisando muito (informação importante: tenho transtorno bipolar, fui diagnosticado só ano passado e ainda vivo algumas situações estressantes que dificultam muito a recuperação, como morar sozinho e ter problemas financeiros).
Só que isso foi em abril e estamos em setembro, e até agora eu não me sinto apto a voltar a atuar profissionalmente, independentemente da área. Tô bem cansado de comunicação e estava cogitando voltar a dar aulas de inglês (fiz isso por vários anos, até mudar de cidade com a pretensão de dar uma repaginada na vida), mas ando muito inseguro de mim para qualquer coisa. Isso não seria um problema se eu não fosse a única pessoa responsável pelo meu sustento, mas eu sou: tô sobrevivendo só por causa do tal auxílio do governo e graças à ajuda de um amigo, mas isso tá muito longe de ser uma situação aceitável.
Tenho passado as semanas tentando me manter ativo de alguma forma, seja compondo músicas ou fazendo lives na Twitch, mantendo relações saudáveis com amigos e tudo mais. Pensei que esse sentimento de inadequação seria transitório, mas a cada dia que passa ele me consome mais a ponto de eu sentir que não há mais nada que eu possa fazer para continuar vivo sem ser um parasita. Já fui uma pessoa bem diferente disso, já trabalhei sem parar por anos a fio, mas hoje em dia eu ando tão desgastado com tudo que já me aconteceu na vida que não consigo me ver continuando ela de forma saudável.
É provável que semana que vem eu retome a terapia (que tive que parar por motivos financeiros, mas minha amada vai fazer um esforço pra me ajudar), mas não creio que isso vá me ajudar o bastante - mesmo tomando os remédios diligentemente, como tomo. O buraco é mais embaixo, minha situação é muito vulnerável e eu agradeço todos os dias por ainda ter alguma condição de pagar por um teto que não seja em uma ocupação ou algo do tipo, mas eu sei que viver da forma que estou vivendo não é sustentável nem desejável.
Enfim, é só um desabafo, mesmo. Podem dar seus conselhos, fazer suas críticas, desejar boa sorte (agradeceria muito por esse último), enfim, o espaço tá aberto. Também agradeço pelo espaço, por poder falar essas coisas todas e tal. Abraço, gente 😊
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2020.08.27 16:02 Scabello More about Belarus color "revolution"

Text from a amazing marxist virtual magazine from Brazil.

https://revistaopera.com.b2020/08/26/belarus-nacionalismo-e-oposicao/

Belarus: nacionalismo e oposição


As manifestações em Belarus estão recebendo uma grande cobertura nos meios ocidentais, o que se reflete na imprensa brasileira, que se contenta em traduzir e repetir aquilo que é dito em grandes veículos europeus. A amplitude e até a paixão dessa cobertura gera, por efeito de contraste, uma sensação de falta de profundidade, já que em meio de tantas notícias, carecemos até mesmo de uma introdução sobre aspectos específicos do conflito e dos atores que participam dele. O que a cobertura nos oferece, no entanto, é uma narrativa sobre manifestantes lutando contra um ditador em nome da liberdade, discurso fortalecido por uma certa abundância de imagens. Na frente desta luta, a candidata derrotada – alegadamente vítima de fraude – Sviatlana Tsikhanouskaya, uma “mulher simples”, “apenas uma dona de casa”, o símbolo da mudança. Em alguns dos meios de esquerda e alternativos, este posicionamento da grande mídia já gera uma certa desconfiança. Imediatamente surgem perguntas sobre quem forma essa oposição e se podemos fazer comparações com a Ucrânia em 2014, onde uma “revolução democrática” foi acompanhada por grupos neofascistas, ultranacionalismo e chauvinismo anti-russo. Outros já se revoltam contra o reflexo condicionado e declaram que não podemos julgar os eventos de Belarus pela ótica dos eventos ucranianos, e que avaliações não deveriam ser feitas na função inversa da grande mídia. Me deparando com a diversidade de problemas que podem ser desenvolvidos a partir do problema de Belarus, decidi começar com um problema simples de imagem e simbologia, mas que nos traz muitas informações. As imagens que estampam os jornais são dominadas por duas cores: branco e vermelho.

Uma disputa pela história

Uma faixa branca em cima, uma faixa vermelha no meio e outra faixa branca embaixo – esta bandeira domina as manifestações oposicionistas em Belarus. Ela surgiu primeiro em 1919, em uma breve experiência política chamada de República Popular Bielorrussa, órgão liderado por nacionalistas mas criado pela ocupação alemã no contexto do pós-Primeira Guerra, Guerra Civil na Rússia e intervenção estrangeira que ocorreu naquele período. Uma bandeira diferente do símbolo oficial de Belarus: do lado esquerdo, uma faixa vertical reproduz um padrão tradicional bielorrusso, como na costura, em vermelho e branco, do lado duas faixas horizontais, vermelho sobre verde (somente um terço em verde). Bandeira muito similar à velha bandeira da República Socialista Soviética de Belarus, com a diferença que na antiga o padrão tradicional estava com as cores invertidas e na massa vermelha horizontal brilhava a foice-e-martelo amarela com uma estrela vermelha em cima. Os manifestantes também usam um brasão de armas histórico do Grão Ducado da Lituânia, a Pahonia, onde vemos um cavaleiro branco, brandindo sua espada e segurando um escudo adornado por uma cruz jaguelônica. O emblema oficial de Belarus, no entanto, é diferente, correspondendo à simbologia soviética, onde um sol que se levanta sobre o globo ilumina o mapa de Belarus, com bagos de trigo nos flancos e uma estrela vermelha coroando a imagem. Essa diferença entre símbolos do governo e da oposição não é só uma diferença política momentânea, mas remete a uma disputa pela identidade nacional de Belarus, a processos divergentes de formação de consciência nacional, conforme exemplificados por Grigory Ioffe. Quando Belarus se tornou independente da União Soviética nos anos 90, isto aconteceu apesar da vontade popular, sem movimentos separatistas como os que ocorreram vigorosamente nas repúblicas soviéticas bálticas, vizinhas de Belarus pelo norte, ou na parte ocidental da Ucrânia, país que faz fronteira com Belarus pelo sul. Pelo menos até pouco tempo atrás, a maioria dos cidadãos se identificava com a Rússia e concebia a história de Belarus no marco de uma história soviética. Para a maioria da população, o evento mais importante da história de Belarus foi a Grande Guerra Patriótica, isto é, a resistência contra os invasores nazistas, o movimento partisan como primeiro ato de vontade coletiva. É depois da guerra que os bielorrussos se tornam maioria nas cidades do país (antes de maioria judaica, polaca e russa), bem como dirigentes da república soviética – líderes partisans se tornaram líderes do partido. Esse discurso filo-soviético também é acompanhado pela ideia de proximidade com a cultura russa, inclusive a constatação de que é difícil fazer uma diferenciação nacional entre as duas culturas. Em termos de narrativa histórica, isso é acompanhado por afirmações como a de que a Rússia salvou o povo das “terras de Belarus” da opressão nacional e religiosa dos poloneses. Então, figuras históricas da Rússia são lembradas, como por exemplo o general Alexander Suvorov (1730 – 1800), que é celebrado como um herói da luta contra a invasão polonesa das “terras de Belarus” e da Rússia em geral. Essa ideia de união entre Rússia e Belarus é fundamental para o pan-eslavismo. A revolução em 1917 também é considerada um episódio nacional, o começo da criação nacional de Belarus dentro da União Soviética, com sua própria seção bolchevique e adesão dos camponeses à utopia comunista, mas nem isso e nem a história nacional russa superam a Segunda Guerra Mundial como fator de consciência nacional. Contra esta visão surgiu uma alternativa ocidentalizante, que propõe que Belarus é um país completamente diferente da Rússia, que foi dominado pela Rússia e que precisa romper com Moscou para ser um país europeu. Essa tendência tenta afirmar a existência de um componente bielorrusso específico na Comunidade Polaco-Lituana, identificando a elite pré-nacional com nobres locais. Atribuem a “falta de consciência nacional” no país à intrigas externas. Seus heróis de forma geral são heróis poloneses, e celebram quando os poloneses invadiram a Rússia. Se esforçam por fazer uma revisão histórica que justifique a existência de uma nacionalidade bielorrussa atacando a narrativa ligada à Segunda Guerra Mundial, renegando a luta dos partisans e enquadrando sua nação como uma “vítima do estalinismo”, que passa ser comparado com o nazismo como uma força externa. Suas preocupações centrais, além de tentar construir uma história de Belarus antes do século XX, está a preservação da língua bielorrussa em particular, com suas diferenças em relação ao russo. Nessa visão, as repressões do período Stálin deixam de ser uma realidade compartilhada com os russos e outras nacionalidades soviéticas, para ser entendida como uma repressão contra a nação de Belarus, exemplificada principalmente pela repressão de intelectuais nacionalistas. Na tentativa de desconstruir o “estalinismo” e os partisans, os nacionalistas defenderam a Rada Central de Belarus, um órgão colaboracionista criado pela ocupação alemã, que não pode ser chamado sequer de governo títere, mas que adotava a visão histórica dos nacionalistas e fez escolas de língua exclusivamente bielorrussa em Minsk. A Rada foi liderada por Radasłaŭ Astroŭski, que foi para o exílio norte-americano e dissolveu órgão depois da guerra para evitar responsabilização por crimes de guerra. A versão nacionalista não só defende a “posição complicada” dos colaboradores nos anos 40, como revisa positivamente o papel do oficial nazista Wilhelm Kobe, Comissário Geral para Belarus entre 1941 e 1943 (até ser assassinado pela partisan Yelena Mazanik). Argumenta-se que Kobe seria um homem interessado nas coisas bielorrussas e seu domínio permitiu o florescimento nacionalista. Do lado colaboracionista existiu uma Polícia Auxiliar e a Guarda Territorial Bielorrusa, as duas ligadas aos massacres nazistas e associadas a uma das unidades mais infames da SS, a 36ª Divisão de Granadeiros da SS “Dirlewanger”. Depois, foi formada por uma brigada bielorrussa na 30ª da SS. A colaboração usava as bandeiras vermelha e branca, com a Guarda Territorial usando braçadeiras nessa cor. Essas cores seriam retomadas na independência do país em 1991, mas foram muito atacadas por sua associação com a colaboração. Por isso ela foi rechaçada por uma maioria esmagadora em um referendo realizado em 1995, que definiu os símbolos nacionais de hoje e mudou o “Dia da Independência” para 3 de Julho, dia em que Minsk foi libertada das forças de ocupação nazista, em 1944. A visão nacionalista e ocidentalizante é minoritária, compartilhada por algo entre 8% e 10% da população; número que é consistente com o número de católicos do país – um pouco maior, na verdade, o que serve para contemplar uma minoria de jovens de Minsk, que proporcionalmente tendem a ser mais adeptos de uma visão distinta da história soviética. Em 1991, o nacionalismo se reuniu na Frente Popular Bielorrussa, em torno da figura do arqueólogo Zianon Pazniak, que representava uma militância radical, anti-russa, europeísta e guardiã dessa simbologia nacional. O movimento fracassou e parte disso provavelmente se deve à liderança de Pazniak, tido como intolerante. Havia também um movimento paramilitar chamado Legião Branca, que se confrontaria com Lukashenko no final dos anos 90. Estes seriam “os nazis bielorrussos dos anos 90”, pecha que é disputada por seus defensores, que os retratam até mesmo como democratas, mas que é justificada por seus detratores baseada em seu separatismo étnico e intolerância dirigida aos russos apesar de viverem no mesmo espaço e a maioria do seu próprio país falar a língua russa. Ainda assim, o alvo-rubro vem sendo reivindicado como um símbolo de liberdade, democracia e independência: seus defensores vêm tentando firmar a identidade dessa bandeira mais em 1991 do que em 1941. Para todos os efeitos, se tornou um símbolo de oposição Lukashenko, símbolo de “outra Belarus”, com boa parte dos jovens mantendo uma atitude receptiva em relação a ela – um símbolo carregado de controvérsia, mesmo assim. Essas divergências simbólicas escondem diferentes histórias e questões políticas radicais. Além disso, é possível constatar que Belarus tem dois componentes nacionais externos em sua formação: os poloneses e os russos. No plano religioso, o catolicismo associado com Polônia e a ortodoxia associada à Rússia (segundo dados de 2011, 7,1% da população católica, 48,3% ortodoxa e 41,1% diz não ter religião, 3,5% se identificam com outras). Na disputa histórica, existe uma narrativa filo-soviética e outra ocidentalizante. Nesta última década, o próprio governo Lukashenko presidiu sobre uma política de aproximação e conciliação dessas narrativas históricas sobre Belarus, tentando ocupar uma posição mais nacionalista, mesmo que mantendo o núcleo soviético como fundamental. Esta aproximação foi muito criticada por um núcleo duro de patriotas e irredentistas russos. Por outro lado, dentre os manifestantes não necessariamente há uma ruptura total com a narrativa histórica partisan e motivos antifascistas, pelo menos não se buscarmos casos individuais – nesse caso, o uso histórico da bandeira seria ignorado ou superado por outra proposta. Apesar de existir uma oposição que busca lavar a bandeira alvirrubra, é possível identificar nacionalistas radicais na oposição?

Belarus não é Ucrânia – mas pode ser ucranizada?

Pelo menos em meios ocidentais, se afirmou muito que “a crise de Belarus não é geopolítica”. Muitos textos publicados no Carnegie Moscow Center elaboraram em torno dessa afirmação. A declaração da Comissão Europeia afirmou isso. O professor e colunista Thimothy Garton Ash escreveu no The Guardian que sequer se pode esperar um regime democrático liberal depois da saída de Lukashenko, e relata contatos com bielorrussos que dão a impressão de um sentimento ao mesmo tempo oposicionista e pró-russo. Por esse argumento, Belarus é diferente da Ucrânia, as manifestações não têm relação com geopolítica, os bielorrussos até gostam da Rússia e a lógica extrapola ao ponto de dizer que, portanto, Putin tende a apoiá-las. Mais de um texto fala de como a identificação entre bielorrussos e russos, como povos irmãos ou até iguais, “anula” essas questões – isto é, estes textos têm como pressuposto uma solidariedade nacional, uma continuidade entre os dois povos, algo distinto do radicalismo nacionalista. Até parecem acreditar que isto tiraria de Putin o interesse de ajudar Lukashenko ou da Rússia enquadrar esses eventos na sua visão estratégica como algo equivalente ao problema ucraniano. De fato, Belarus não é a Ucrânia. A divisão sobre a identidade nacional não é tão polarizada em Belarus como é na Ucrânia. A divisão regional e linguística, bem como as diferentes orientações geopolíticas, não é tão radical. A marca da colaboração e suas consequências políticas não é tão forte em Belarus como é na Ucrânia – não acredito que o nacionalismo em Belarus está no mesmo patamar do ultranacionalismo ucraniano. No plano da operação política, a comparação com a Ucrânia é feita em função do Maidan de 2014, onde também existem diferenças. O Maidan teve a participação decisiva de partidos políticos consolidados e posicionados dentro do Parlamento, que no momento final tomaram o poder do presidente Yanukovich usando seu poder parlamentar. Partidos ligados a oligarcas multimilionários, com políticos que enriqueceram em negócios de gás, e nas ruas uma tropa de choque de manifestantes formada por nacionalistas bem organizados. Dito isso, devemos olhar para o posicionamento da oposição bielorrussa e não aceitar de forma acrítica as narrativas de que a manifestação não tem nada a ver com geopolítica e que não possuí liderança. Alegam que questões como adesão à OTAN e integração europeia não são primárias na política de Belarus – será mesmo? E essas questões nacionais, não têm relação alguma com as manifestações? Primeiro, um dos movimentos que protagoniza enfrentamentos de rua em Belarus desde outros anos (especialmente nos enfrentamentos de rua de 2010) e se destaca nos meios oposicionistas, inclusive com reconhecimento ocidental, é a Frente Jovem, que é um movimento nacional radical, acusado de filo-fascista e ligado aos neofascistas ucranianos. Este movimento também é ligado ao partido Democracia Cristã Bielorrusa (DCB), o qual ajudou a fundar. Ambos são contra o status oficial da língua russa e querem retirar o russo das escolas. Pavel Sevyarynets, um dos fundadores da Frente Jovem e liderança da DCB, é frequentemente referido como dissidente e “prisioneiro de consciência” foi organizador da campanha “Belarus à Europa”. Ele foi preso antes das eleições como um organizador de distúrbios. A Revista Opera teve acesso ao material de um jornalista internacional que entrevistou um professor de artes bielorrusso, autoproclamado anarquista e defensor das manifestações, que se referiu à prisão de Sevyarynets como um ato preventivo do governo e respondeu a uma pergunta sobre as reivindicações do movimento dizendo que as pessoas tem em sua maior parte bandeiras nacionalistas. Em segundo lugar, cabe ressaltar que um dos principais partidos de oposição e representante das declarações atuais é o Partido da Frente Popular Bielorussa (PFPB), descendente da Frente Popular dos anos 90, um partido de direita, adepto da interpretação nacionalista, hostil à Rússia e pró-europeu. O PFPB, a Democracia Cristã, a Frente Jovem e o partido “Pela Liberdade” são parte de um “Bloco pela Independência de Belarus”. Estes movimentos tiveram vários contatos com grupos neofascistas ucranianos, com a Frente Jovem em específico mantendo relações de longa data e tomando parte em marchas em homenagem a colaboradores como Stepan Bandera e Roman Shukeyvich (que na SS Natchigall foi um carrasco dos habitantes e partisans do sul de Belarus) – diga-se, entretanto, que não necessariamente funcionam da mesma forma que as organizações extremistas. Mesmo movimentos que se organizam como ONGs, com aparência de ativismo genérico e recebendo dinheiro de programas para promover a democracia a partir da Lituânia (que por sua vez direciona dinheiro do Departamento de Estado dos Estados Unidos), servem como organizações nacionalistas, como é o caso da ONG BNR100. Em terceiro lugar, podemos olhar para algumas lideranças de oposição presentes no Conselho de Coordenação formado para derrubar Lukashenko. Foi proclamado que o Conselho de Coordenação é composto por “pessoas destacadas, profissionais, verdadeiros bielorrussos”, por aqueles que “representam o povo bielorrusso da melhor maneira, que nestes dias estão escrevendo uma nova página da história bielorrussa”. Olga Kovalkova, peça importante da campanha de Sviatlana Tsikhanouskaya, que já havia listado pessoas do conselho antes dele ser anunciado oficialmente, em sua página do Facebook. Ela mesma é um dos membros. É graduada pela Transparency International School on Integrity e pela Eastern European School of Political Studies (registrada em Kiev, patrocinada pela USAID, National Endowment for Democracy, Open Society Foundation, Rockefeller Foundation, Ministério das Relações Exteriores da Polônia, União Europeia e estruturas da OTAN). Kovalkova é co-presidente da Democracia Cristã Bielorrussa; defende a saída de Belarus da Organização Tratado de Segurança Coletiva (OTSC; Tratado de Takshent), a separação do Estado da União com a Rússia e a retirada do russo da vida pública. O outro co-presidente da DCB, Vitaly Rymashevsky, também está no conselho. Ales Bialiatski, famoso como defensor dos direitos humanos e que foi preso sob acusação de enganar o fisco a respeito da extensão de sua fortuna, também fez parte do movimento nacionalista da Frente Popular de Belarus, do qual foi secretário entre 1996 e 1999 e vice-presidente entre 1999 e 2001. Também é fundador da organização Comunidade Católica Bielorrussa. É presidente do Viasna Human Rights Centre (financiado por Eurasia Foundation, USAID e OpenSociety) e recebeu o prêmio liberdade do Atlantic Council, além de prêmios e financiamentos na Polônia. Sua prisão em 2011 foi baseada em dados financeiros fornecidos por promotores poloneses e lituanos, enquadrado por um artigo de sonegação da lei bielorrussa.
Na hoste dos nacionalistas mais comprometidos representados no Comitê de Coordenação temos também Yuras Gubarevich, fundador do partido “Pela Liberdade”, antes um dos fundadores da “Frente Jovem” e foi durante anos liderança do Partido Popular; uma das grandes lideranças oposicionistas.
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Pavel Belaus é ligado à Frente Jovem, um dos líderes da ONG Hodna e dono da loja de símbolos nacionalistas Symbal. Ele também é ligado ao movimento neofascista ucraniano Pravy Sektor e esteve envolvido na rede de voluntários bielorrussos para a Ucrânia. Andriy Stryzhak, do BNR100, ligado ao Partido da Frente Popular, coordenador da iniciativa BYCOVID19. Participou do Euromaidan, de campanhas de solidariedade com a “Operação Antiterrorista” de Kiev no leste da Ucrânia e de articulação com voluntários bielorrussos. Andrey Egorov promove a integração europeia. Alexander Dobrovolsky, líder liberal ligado ao velho eixo de aliados de Boris Yeltsin no parlamento soviético, é pró-ocidente. Sergei Chaly trabalhou em campanhas de Lukashenko no passado, é um especialista do mundo financeiro, ligado a oposição liberal russa e pro ocidente. Sim, também existem elementos de esquerda liberal ligados ao Partido Social Democrata de Belarus (Hromada), uma dissidência do PSD oficial, que é a favor da adesão à União Europeia e da OTAN. Dito isso, não falamos o suficiente da influência nacionalista. Tomemos por exemplo o grupo Charter 97, apoiado pelo ocidente, principalmente pela Radio Free Europe, que se estiliza como um movimento demo-liberal. Dão espaço para a Frente Jovem, onde naturalmente seu líder pode chamar os bielorrussos que combatem na Ucrânia de “heróis” pois combatem a “horda” (se referindo a Rússia da mesma maneira que o Pravy Sektor). Voluntários bielorrussos combateram ao lado de unidades do Pravy Sektor e do Batalhão Azov. Durante as manifestações, o Charter 97 publicou, no dia 15 de agosto, um texto comemorando o “Milagre sobre o Vistula: no dia 15 de agosto o exército polonês salvou a Europa dos bolcheviques” e “Dez Vitórias de Belarus”, em que a Rússia é retratada como “inimigo secular” dos bielorrussos. Ações de ocupação de poloneses contra a Rússia são celebradas como “vitórias bielorrussas”. É importante também observar o papel que padres católicos vêm cumprindo nas manifestações, inclusive se colocando à frente de algumas delas. O bispo católico Oleg Butkevich questionou as eleições no dia 12 de agosto. Pelo menos em Lida, em Vitebetsk, Maladzyechna e em Polotsk, clérigos organizaram manifestações. Em Minsk, tomou parte o secretário de imprensa da Conferência de Bispos de Belarus, Yury Sanko. Em Polotsk, sobre a justificativa de ser uma procissão, o padre Vyacheslav Barok falou do momento político como uma “luta do bem contra o mal”. É claro que padres católicos podem participar de movimentos políticos de massa, eles também são parte da sociedade, mas este dado não deixa de ter uma significação política específica, visto que os radicais do nacionalismo bielorrusso se organizam no seio da comunidade católica. Ao mesmo tempo, isso gera ansiedade em um “outro lado”, no que seria um lado “pró-russo”, não só por conta de conspirações sobre “catolicização” do país, mas por ter visto na experiência ucraniana a associação de clérigos do catolicismo grego a neofascistas e eventualmente o Estado bancando uma ofensiva contra a Igreja Ortodoxa russa, o que inclui tomada de terras e expropriação de templos. O mesmo problema está ocorrendo neste ano com os ortodoxos sérvios em Montenegro; existem dois precedentes recentes no mundo religioso cristão ortodoxo que podem servir para uma mobilização contra as manifestações.

Programa de oposição: em busca do elo perdido

A candidatura de Tikhanovskaya não tinha um programa muito claro fora a oposição a Lukashenko. Porém, um programa de plataforma comum da oposição, envolvendo o Partido da Frente Popular, o Partido Verde, o Hramada, a Democracia Cristã e o “Pela Liberdade” chegou a ser formulado em uma “iniciativa civil” envolvendo estes partidos e ONGs que estava no site ZaBelarus. Depois, parte deste programa foi transferido para o portal ReformBy. Quando o programa passou a ser exposto no contexto das manifestações (por volta do dia 16), a oposição tirou o site do ar, mas ele ainda pode ser acessado com a ferramenta Wayback Machine. O programa quer anular todas as reformas e referendos desde 1994, retornando à Constituição daquele ano (e conforme escrita pelo Soviete Supremo). Se compromete a retirar da língua russa seus status oficial, além de substituir a atual bandeira por uma vermelho e branca. Existe uma proposta de reforma total de todas as instituições: bancárias, centrais, locais, judiciais, policiais, militares.
O programa também tem uma sessão dedicada à previdência, criticando o sistema de repartição solidária de Belarus como “falido” e responsável por uma “alta carga tributária sobre os negócios”. Propõem “simplificação”, “desburocratização” e “alfabetização financeira da população” para que esta assuma sua parcela de responsabilidade pela aposentadoria. O sistema seria “insustentável” no ano de 2050 por razões demográficas. Também criticam o “monopólio” da previdência pública, “sem alternativas no mercado”. A proposta oposicionista é de contas individuais de pensão com contribuição obrigatória, mas sem eliminar o sistema solidário, tornando o sistema “baseado em dois pilares”; elevar a idade de aposentadoria das mulheres (57) para igual a dos homens (62); “desburocratização” através da eliminação e fusão de órgãos públicos de seguridade social; eliminar diversos tipos de benefício e igualar os valores para todos os cidadãos (independente da ocupação). Essas propostas previdenciárias em específico são assinadas por Olga Kovalkova. Na seção de economia, o programa fala de um “problema do emprego” criticando as empresas estatais e demandando flexibilização da legislação, “incentivos para os investidores”, “uma política macroeconômica de alta qualidade, i.e. inflação baixa, política fiscal disciplinada, escopo amplo para a iniciativa privada”; “o mercado de trabalho é super-regulado”, diz o documento. “Melhorar o ambiente de negócios e o clima de investimentos”, “tomar todas as medidas necessárias para atrair corporações transnacionais”, “privatização em larga escala”, “criação de um mercado de terras pleno”, “desburocratização e desmonopolização da economia”, “adoção das normas básicas de mercado e padrão de mercadorias da União Europeia”, enumera o programa dentre as diversas propostas, que incluem privatização de serviços públicos e criação de um mercado de moradia competitivo. Até aqui, com exceção da referência à língua russa, estamos falando mais de neoliberais do que nacionalistas propriamente. Podemos dizer também que pontos como adoção de padrões europeus e reformas econômicas influenciam a questão geopolítica. Ainda assim, boa parte dessas reformas econômicas também são defendidas por Viktor Barbaryka, empresário bielorrusso que era tido como principal candidato de oposição a Lukashenko que está preso por crimes financeiros; Barbaryka é considerado um “amigo do Kremlin”, pró-russo. Existe uma seção perdida, a seção de “Reforma da Segurança Nacional”. Na primeira semana de protestos, surgiu na rede uma suposta reprodução do conteúdo dessa seção¹. O conteúdo é uma análise ocidentalista que enquadra o Kremlin como uma ameaça, propondo a saída do Tratado de Takshent, da União com a Rússia e medidas para fortalecer o país com “educação patriótica”. Muitos temas que já foram vistos na Ucrânia, com a identificação do Kremlin como uma ameaça tendo como consequência a proposição de medidas contra “agentes do Kremlin” dentro do país, na mídia e na sociedade civil (e, dentre elas, uma proposta de “bielorrussificação” das igrejas). Tão logo isso passou a ser denunciado na primeira semana depois das eleições, o site inteiro foi tirado do ar. A oposição, tendo entrado em um confronto prolongado que pelo visto não esperava (contando com a queda rápida de Lukashenko) sabe que esse tipo de coisa favorece o governo e cria um campo favorável para ele, por isso agora tentam se dissociar, falando deste programa como produto de uma iniciativa privada, apesar de ser uma articulação política envolvendo líderes da oposição. Tanto seus elementos de reforma econômica combinam com o que diziam políticos de oposição liberal em junho, como as supostas posições geopolíticas casam com os nacionalistas que tomam parte da coalizão (e na verdade, é um tanto óbvio que pelo menos uma parte considerável dos liberais é pró-OTAN). No mesmo dia que tal documento foi exposto na mídia estatal bielorrussa – e mais tarde, comentado por Lukashenko em reunião do Comitê Nacional de Defesa – o Conselho de Coordenação declarou oficialmente que desejam cooperar com “todos os parceiros, incluindo a Federação Russa”. Desinformação? Por mais provocativas que sejam as posições do suposto trecho do programa, é fundamentalmente o discurso normal de nacionalistas e liberais atlantistas em Belarus; agora que os dados foram lançados, é natural que a direção oposicionista que não reconhece os resultados das eleições procure se desvencilhar desses posicionamentos estranhos aos seu objetivo mais imediato, que é derrubar Lukashenko.² Ainda que os manifestantes possam ter motivações diversas, a situação atual está longe de ser livre do peso da geopolítica e das narrativas históricas que sustentam o caminhar de um país.
Notas:¹ – Procurando o trecho em russo no Google com um intervalo de tempo entre o primeiro dia de janeiro de 2020 até o primeiro dia de agosto (isto é, antes disso virar uma febre na rede russa), o próprio mecanismo de pesquisa oferece uma página do “Za Belarus” que contém o trecho, mas com um link quebrado – sinal de que há algum registro no cache do Google. A data é dia 25 de junho.
² – O Partido da Frente Popular da Bielorrússia acusou Lukashenko de “fake news” ao divulgar o que seria o seu programa como se fosse de Tikhanovskaya, tratando as medidas como “inevitáveis para Belarus” porém “fora de questão” no momento. O programa, naturalmente, é marcado pela retórica nacionalista e defende adesão de Belarus na OTAN, mas não usa o mesmo palavreado. Da mesma forma o programa do PFPB também tem princípios liberais-conservadores na economia.
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2020.08.14 18:19 Habeenkii Por acaso do destino, minha namorada e meu melhor amigo possuem famílias problemáticas para eles.

Meus pais sempre foram ótimos comigo, me apoiavam e apoiam, e apesar de eu ter passado uma grande parte da minha vida sozinho em casa quando eu era pequeno, o que me fez ser mais carente que o normal, eles sempre me deram carinho e amor quando podiam, sem contar que isso era porque eles tinham que trabalhar, então nunca vi problema nisso, eu conseguia entender. Em suma, minha família sempre foi incrível e presente para mim, tanto meu pai quanto minha mãe e ambos sempre respeitaram minha privacidade, escolhas e etc.
No entanto, apesar de eu ter sido abençoado pela sorte de ter uma família tão boa para mim, parece que as pessoas importantes perto de mim não foram.
Conheço meu melhor amigo já faz um bom tempo e ele desde sempre se mostrou ter alguns problemas de auto-estima e psicológicos como depressão, embora não haja uma confirmação de um psicólogo sobre isso. Quando eu conheci ele não demorou muito para virarmos amigos, a gente se dava muito bem e ainda nos damos bem hoje em dia. Eu constantemente tentei ajudar ele de alguma forma com conselhos e etc, para ver se ele conseguia superar tudo que ele sentia, no entanto acho que isso foi em boa parte um erro meu, eu não sei muito bem se consegui ajudar ele com todos seus problemas ao longo dos anos, até porque eu era mais realístico do que outra coisa, jogava a verdade dura e crua na cara dele, e provavelmente isso talvez tenha piorado as coisas, então me arrependo de fazer isso.
Mas mesmo assim, eu sempre deixei claro para ele que poderia contar comigo sempre que precisasse. Eu meio que sou grato a ele também, pois considero que ele foi o meu primeiro amigo de verdade que tive, mas não vou dizer muito sobre esse tópico senão o post ficaria gigante.
O problema, como eu disse, é que ele sempre teve problemas de auto-estima, depressão, insegurança, ansiedade, entre outros. E para o azar dele, a família dele invés de ajudar, só faz piorar as coisas para ele. Tenho certeza que há muitas pessoas que tem ou tiveram uma família assim, provavelmente algumas que vão ler esse post tiveram ou tem.
Com "uma família assim" eu quero dizer uma que não constrói nenhum laço de confiança com o seu próprio filho, uma que julga ele a todo instante e que faz a ansiedade e insegurança dele crescer mais ainda, uma que não apoia nenhuma decisão do filho mesmo que ele esteja certo, uma que não dá liberdade de expressão e em uma discussão com o filho não deixa lugar nenhum de fala para poder sentir autoridade sobre a situação.
Eu poderia dizer mais exemplos de como é, mas acho que isso já é o suficiente. Em famílias assim não há laço de confiança ou de entendimento, o filho sequer tem voz ou liberdade para falar e fazer o que quer, claro que eu entendo que se for algo errado que ele estiver fazendo de fato a família tem que interferir, mas agora não dar liberdade dele fazer algo ou de ter voz em uma discussão, mesmo que esteja certo? Isso eu já considero errado.
Existe o argumento "enquanto você morar embaixo do meu teto, eu que mando em você" ou "você vive as minhas custas", mas eu considero isso simplesmente ridículo, pois esses argumentos simplesmente tratam o filho como uma propriedade dos pais, como se eles tivessem o direito de decidir seu futuro e todas suas escolhas, relações, hobbys, amigos, entre outros. Quando na verdade eles não tem esse direito, mas mesmo assim o fazem por achar que tem.
De uma coisa, eu tenho certeza. Pais assim afetam em muito o psicológico do filho, e ele nunca, nunca mesmo irá confiar neles, dependendo do caso. No caso do meu amigo, ele ter pais assim só serve para piorar ainda mais os problemas que ele tem, e o pior de tudo é que não tem nada a ser feito, se ele contestar os próprios pais eles vão começar a falar coisas como "você é um ingrato", "rebelde", e etc. Eles não vão dar chance de fala para seu filho.
E por alguma coincidência, minha namorada também tem pais assim. Mas os dela são infinitamente piores, eu detesto eles do fundo da minha alma. Não só os pais dela, mas os irmãos também. Eles sempre ficam judiando dela, tirando sarro dela quando ela se machuca, colocando ela para fazer TUDO dentro de casa e ainda ficam falando que ela é uma "vagabunda" e "inútil", que ela não faz nada, quando isso não é verdade.
Antes de ontem mesmo, eu vi ela chorar na chamada de vídeo que estávamos por culpa do desgraçado do irmão dela, que resolveu ficar tirando sarro com ela só porque ela não é boa em matemática. Na verdade, foi por um motivo ainda mais idiota. Ela ia ganhar um celular no aniversário dela, e ele por puro egoísmo não concorda com isso e por isso fica falando merda para ela, coisas como ela não merece isso e etc. Eu fiquei com uma imensa vontade de socar a cara desse desgraçado para ele calar a boca.
Mas o que me frustra é eu não poder fazer nada, nem pela minha namorada nem pelo meu melhor amigo. Não há o que eu possa fazer para mudar a família deles, tudo que eu consigo fazer é conversar com eles e consolar, conselhar, e essas coisas...Mas acho que isso não é o suficiente.
Eu escrevi isso para deixar claro o quanto famílias assim são horríveis, para vocês ter uma noção a minha namorada queria se matar no dia do aniversário dela, pois não aguentava mais. Mas eu consegui fazer ela esquecer e desistir disso, e fico feliz que consegui. Mas esse é o nível que ter uma família assim te afeta, o meu melhor amigo por exemplo já teve pensamento suicidas várias e várias vezes.
Ter uma família assim é praticamente não poder confiar em quem você mais devia confiar, sinceramente deve ser horrível isso.
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2020.07.30 20:53 SantoPraiano Analfabetos funcionais

fiz outra postagem aqui a um tempo ''É fácil dizer que sexo/relações não é tudo, quando você consegue ter" e quase ninguém conseguiu entender sobre o que foi o desabafo, jogaram no lixo metade do texto antes de comentar nele.
-Todos sabemos que sexo e namoro não é nada demais, que é como perder o bv, que depois tu percebe não tem muito peso, porém não tem como dizer a alguém que nunca teve isso, que mesmo sexo e relações sendo uma coisa básica, ele não consegue isso, o fato de não ser nada demais torna ainda mais frustrante a falta daquilo...
-Não adianta dizer pra ir pra academia ou algum papo de "tempo" o celibato é apenas uma das consequências que é causada pela falta de habilidade de comunicação, depressão ansiedade, além de prováveis traumas que ele teve quando tentou se relacionar, já que ninguém fala merda pra uma mina traumatizada vomitando misandria, mas um cara traumatizado falando um A de mulher é quase apedrejado...
se repararem bem a maioria dos celibatários mal tem amigos,possuem ambiente familiar todo desestruturado, não reduzam um problema complexo, indicar terapia é o melhor dos conselhos
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2020.07.23 10:52 diplohora Bruno Rezende : meus estudos para o CACD Parte IV - SUGESTÕES DE LEITURAS pt5 PI

INGLÊS
Para todos os idiomas, recebi boas recomendações do site http://uz-translations.net/.
Não tenho bibliografia a sugerir, até mesmo porque não estudei Inglês por nenhum livro ou coisa parecida. Se precisar de sugestão de bibliografia, de Gramáticas etc., veja o Anexo II abaixo.
Já recebi recomendações das seguintes páginas na internet:
· http://dictionary.cambridge.org/
· http://englishtips.org/
· http://esl.about.com/od/advancedenglish/Learning_English_for_the_Advanced_Level_ESL_E FL_Advanced_English.htm
· http://owl.english.purdue.edu/owl/
· http://www.bartleby.com/
· http://www.dictionary.com
· http://www.englishclub.com/gramma
· http://www.natcorp.ox.ac.uk/
· http://www.synonym.com/
· http://www.wordpower.ws/grammagramch26.html
POLÍTICA INTERNACIONAL

>> TEORIAS DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS

- Introdução às Relações Internacionais (Jackson e SØrensen): se você não é graduado em Relações Internacionais, ou se não está familiarizado com o assunto, pode ser importante a leitura desse livro, que dá uma noção bem geral de Teoria de Relações Internacionais (TRI). Acredito ser importante saber alguma coisa de teoria não apenas porque é o primeiro item da relação de conteúdos exigidos no Guia de Estudos de Política Internacional e porque, frequentemente, aparecem questões sobre isso na primeira fase (de forma bem básica, é verdade), mas também porque você adquire importantes ferramentas para complementar uma resposta na prova de Política Internacional da terceira fase (nem que seja para “enrolar” um pouco; questões de terceira fase sobre teoria não são comuns). No Manual do Candidato: Política Internacional (tanto no do Demétrio Magnoli quanto no da Cristina Pecequilo), há breve parte inicial que trata dessas teorias de maneira bem superficial. O Jackson/SØrensen é bem mais completo que os manuais, mas os conhecimentos necessários de teoria para o CACD não vão muito além do básico. Além disso, prefira ler o Jackson/SØrensen ou os manuais a ler os próprios autores de TRI. Além de perder muito tempo, o entendimento completo e correto das obras nem sempre é um trabalho fácil, e o livro e os manuais já trazem tudo resumido e bem “mastigado”. Se tiver um pouco mais de tempo, recomento o Jackson/SØrensen. Se não tiver, os manuais devem servir para alguma coisa. Outra possibilidade é
o livro 50 Grandes Estrategistas das Relações Internacionais (Martin Griffiths), também útil. O livro é dividido por corrente teórica (apresenta Realismo, Liberalismo, Teoria Crítica, Escola Inglesa, Pós-Modernismo, Feminismo, entre outros) e faz bons resumos sobre o pensamento de vários autores de TRI. Entre o Griffiths e o Jackson/SØrensen, eu ficaria com o último, mas o primeiro também pode ser útil, e cito-o aqui para o caso de alguém já o ter. Também recebi recomendações do Teorias de Relações Internacionais, de João Pontes Nogueira e Nizar Messari, mas não sei se é bom (est disponível para download no “REL UnB”). De qualquer modo, não se atenha a muitos detalhes. Tudo o que você precisa saber de TRI deve caber em um resumo de uma ou duas páginas. Atente, apenas, aos aspectos/conceitos mais gerais de cada corrente e aos principais autores.

>> DEMAIS TEMAS

- Política Internacional Contemporânea: Mundo em Transformação (org. Altemani e Lessa): é um livro bem pequeno e de caráter (excessivamente) introdutório. Bem tranquila a leitura, dá para ler de uma vez só. Para aqueles que estão começando os estudos, recomendo como leitura inicial. Para os já iniciados ao assunto, o livro é extremamente superficial. Para quem já começou os estudos há algum tempo, acho que apenas o capítulo 4 (sobre integração europeia17) pode ser de alguma utilidade.
- O Mundo Contemporâneo (Magnoli): já citado acima. Fornece algumas bases de História Mundial necessárias à compreensão de diversos aspectos da Política Internacional. Indispensável.
- Manual do Candidato: Política Internacional (Demétrio Magnoli): já citado em História Mundial.
- Manual do Candidato: Política Internacional (Cristina Pecequilo): deixados de lado os muitos erros de Português e as frases sem sentido ou sem fim, gostei bastante da leitura. É bem abrangente, fala de alguns tópicos importantes e não cobertos pelo restante da bibliografia que eu havia lido até então. Se possível, leia este manual antes de começar a ler as demais obras de política internacional, mas já sabendo que ele deixa muitos itens do edital de fora (especialmente os temas da agenda internacional do Brasil e algumas temáticas de relações bilaterais; quanto às demais partes, estão quase todas no livro – de maneira introdutória, é claro). Reitero que se trata de leitura de caráter meramente introdutório. Sugiro usar como base, para buscar aprofundamentos em determinados temas, segundo os tópicos previstos no Guia de Estudos (para isso, além de todas as obras disponíveis e indicadas aqui, os artigos publicados na RBPI, no Mundialistas, no Meridiano 47 e no Mundorama podem ser de grande utilidade). Se você já estiver familiarizado com a parte de TRI, comece a ler do capítulo 2 em diante (o capítulo 1 é só sobre TRI e sobre interpretações do pós-guerra fria).
Considero os próximos quatro livros (História da Política Exterior do Brasil, Inserção Internacional e Relações Internacionais do Brasil: Temas e Agendas vol. 1 e 2) os mais fundamentais para as provas de Política Internacional (e de História do Brasil também). Depois de algumas leituras iniciais (como as indicadas acima), sugiro ler esses quatro “livros sagrados”, tomando notas do que for mais importante. Como já disse anteriormente, não fiz muitos fichamentos por causa de restrições de tempo, mas fiz questão de fichar esses quatro, o que me foi muito útil nas revisões para a primeira e para a terceira fases do concurso.
17 Atenção para as modificações mais recentes, como as adesões de Romênia/Bulgária e o Tratado de Lisboa, não contemplados no capítulo.
- História da Política Exterior do Brasil (Amado Cervo e Clodoaldo Bueno): já citado em História do Brasil. Indispensável tanto em História do Brasil quanto em Política Internacional (para Política Internacional, o principal período a ser estudado é a partir de 1945; para História do Brasil, é o livro todo mesmo).
- Inserção Internacional (Amado Cervo): leia o livro todo. Às vezes, é um pouco repetitivo, mas os argumentos do Cervo são bem claros, e é um livro bem informativo. Leitura importante, rápida e tranquila. Os conteúdos do livro são, quase sempre, cobrados na terceira fase, de alguma maneira. Anote os pontos principais, podem ser úteis argumentos para as provas discursivas de Política Internacional e de História do Brasil.
- Relações Internacionais do Brasil: Temas e Agendas – volume 1 (org. Altemani e Lessa): os dois volumes são importantíssimos para as provas do CACD. Fiz fichamento dos dois e revisei minhas anotações várias vezes, antes das provas. É interessante complementar os dados fornecidos por esses livros com as informações disponíveis no “Resumo Executivo”, a ser tratado posteriormente. Se estiver sem muito tempo, pule os capítulos 2 e 3. Nos outros, há coisas boas e coisas ruins (alguns são mal escritos, com muita “enrolação”), mas acho que vale a pena a leitura de todos, mesmo que bem rápida em algumas partes (focar, é claro, nas relações entre o Brasil e as regiões tratadas nos capítulos e discriminadas no Guia de Estudos), à exceção dos capítulos 10 e 11, que considerei inúteis.
- Relações Internacionais do Brasil: Temas e Agendas – volume 2 (org. Altemani e Lessa): assim como o volume 1, é muito importante e indispensável para o CACD. Minha sugestão é ler todos os capítulos integralmente, à exceção dos discriminados a seguir:
- Cap. 3 - O início do capítulo tem muita “viagem” para nenhuma substância nova. Ler apenas do item 3.3.3 (pág. 114) em diante (antes disso, ele apenas define regimes e enrola em coisas que quem já conhece Teoria das Relações Internacionais já está cansado de ouvir; se você não conhece, leia o capítulo inteiro mesmo).
- Cap. 9 - fraquíssimo, não acrescenta praticamente nada. Procure no Google algo didático sobre a criação do Ministério da Defesa e sobre o Sivam que você ganha muito mais.
- Cap. 11 - texto fraco, a leitura não vale a pena.
- Cap. 12 a 14 – é, pura e simplesmente, Análise das Relações Internacionais do Brasil (é bem superficial também). Se você cursou a matéria ou se já está familiarizado com o assunto, eu recomendaria não ler e dar apenas uma olhada no material da disciplina para a terceira fase. Não é um tema muito recorrente no CACD (embora possa cair de maneira “disfarçada”, e ter conhecimento desses aspectos da matéria pode render-lhe bons argumentos na terceira fase, dependendo da questão). Se você não conhece a temática, talvez valha a pena a leitura, com grande ressalva para o “talvez”. Pode valer mais a pena pegar um resumo bom da matéria e dar uma olhada ligeira e sem muito compromisso. Para resumos dos textos da matéria tal como é dada na UnB, acesse o “REL UnB”. De todo modo, se tiver tempo, a leitura desses capítulos pode não ser em vão.
- Cap. 15 - desinteressante e escapa ao conteúdo do CACD; leitura desnecessária.
Em resumo, minha sugestão para o Temas vol. 2 é: ler apenas os capítulos 1, 2, 3 (do item 3.3.3 em diante), 4 a 8 e 10.
- O Conselho de Segurança após a Guerra do Golfo (Antonio de Aguiar Patriota) – muito boa obra sobre a atuação do Conselho de Segurança. Curto e de fácil leitura (a obra está disponível para download no “REL UnB”).
- Cooperação, Integração e Processo Negociador: a construção do MERCOSUL (Alcides Costa Vaz): li para uma matéria na universidade e achei tão chato que me prometi que nunca o leria novamente. Não recomendo. Se quiser saber mais sobre o MERCOSUL, há muita informação útil no site do bloco, que consultei bastante em meus estudos: http://www.mercosul.gov.b; http://www.mercosur.int/.
A seguir, alguns livros que me indicaram, mas não li.
- A Construção da Europa (Antonio Carlos Lessa)
- A Nova Ordem Global: relações internacionais do século XX (Paulo Fagundes Vizentini): não o li, mas há diversos materiais sobre o livro disponíveis na Internet, caso queira dar uma olhada: http://educaterra.terra.com.bvizentini/
- Estocolmo, Rio, Joanesburgo: o Brasil e as três Conferências Ambientais das Nações Unidas (André A. C. do Lago) – disponível para download no “REL UnB”. Importante sobre o histórico de participação do Brasil nessas conferências, mas não tive tempo de ler. A grande limitação da obra é que os aspectos mais importantes da posição brasileira recente foram definidos após Joanesburgo. De todo modo, pode ser útil como apanhado histórico (importante para a primeira fase).
- Repertório de Política Externa (MRE): está disponível na Biblioteca virtual da FUNAG (http://www.funag.gov.beditoresolveUid/eaa9aea4398a55cd58d939764685cd22). Trata das diretrizes da política externa brasileira em relação a diversos temas. É necessário, obviamente, conferir, no Guia de Estudos, o que é importante para o concurso e o que não é. O livro é uma compilação de discursos referentes a temas de política externa proferidos por líderes brasileiros. Por essa razão, a leitura pode parecer chata e desinteressante para alguns. Não o li exatamente por isso, mas o incluo nessas recomendações para o caso de alguém se interessar por ele. Acho que há fontes mais práticas e que vão direto ao ponto quanto às questões mais importantes nas relações com determinados países e nos posicionamentos acerca de determinados temas (como os livros “Temas e Agendas”, citados acima, o “Balanço de Política Externa” e o “Resumo Executivo”, citados abaixo, e alguns artigos publicados na RBPI, no Mundialistas, no Mundorama e no Meridiano 47).
- The Globalization of World Politics (org. John Baisley): não o li, mas, segundo recomendações, é boa fonte de estudos, com bom desenvolvimento do tópico de teoria das Relações Internacionais.
- União Europeia: História e Geopolítica (Demétrio Magnoli)
- Coleç~o “O Livro na Rua”, da FUNAG – pequenos livros sobre diversos assuntos de política internacional. A coleção está disponível para download no “REL UnB”.

>> ATUALIDADES

Fique por dentro de todas as reuniões de que o Brasil participou recentemente (principalmente, no último ano antes da prova). Tratados assinados e ratificados, envolvimento do país nas organizações internacionais, evolução recente das organizações e dos grupos de países dos quais o Brasil faz parte (atenção especial para as integrações na América do Sul – destaque para o MERCOSUL e para a UNASUL – e para determinados grupos, como IBAS, BRICS, BASIC, G-20 comercial, G-20 financeiro etc.), participação do país na solução de conflitos (em operações de paz, em missões de assistência humanitária etc.), promoção de cooperação técnica etc. Conhecer como andam as relações entre o Brasil e os principais países para a política externa do país é, também, fundamental (conforme o Guia de Estudos, atenção para Argentina, América do Sul, EUA, União Europeia, França, Inglaterra, Alemanha, África, China, Japão, Índia, Rússia, Oriente Médio18) – não precisa decorar tudo, obviamente, mas ter uma ideia de como andam as relações com essas regiões é importante (“o comércio Brasil-China é superavitrio ou deficitrio para o Brasil?”, “qual é o maior parceiro comercial do Brasil na África?”, “quais as principais parcerias realizadas entre Brasil e África?”, esse tipo de coisa). Além disso, atenção à participação do Brasil nos grandes temas da agenda internacional (conforme o Guia de Estudos, atenção a: multilateralismo, desenvolvimento, combate à fome, meio ambiente, direitos humanos, comércio internacional, sistema financeirob internacional, desarmamento e não proliferação, terrorismo, narcotráfico, reforma da ONU, cooperação Sul-Sul). Por fim, é, ainda, necessário saber um pouco do que aconteceu de mais importante no cenário internacional, no último ano (especialmente, o que envolver o Brasil).
18 Esses dados podem ser encontrados no “Resumo Executivo” da política externa brasileira de 2003-2010, que será descrito mais à frente. Além disso, a página do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC - http://www.mdic.gov.bsitio/) também tem muita informação importante.
Eu sei que isso é muito geral e há muita coisa aí, mas é preciso atentar, especialmente, aos principais encontros e reuniões ocorridos e aos assuntos mais importantes para os principais temas da agenda internacional (principalmente os que envolvam o Brasil, ou os que sejam de grande relevância, como os conflitos no Oriente Médio, por exemplo). Enfim, pode parecer muita coisa (e, realmente, é bastante coisa), mas não é tanto quanto se imagina à primeira vista. Não sei se há alguma utilidade prática em ler coisas como o Almanaque Abril, por exemplo, talvez seja mais útil acompanhar alguns artigos da Revista Brasileira de Política Internacional (RBPI) ou de revistas como o Mundorama e o Meridiano 47. O “Resumo Executivo”, descrito abaixo, pode cobrir bem toda a parte de 2003 a 2010, e sua tarefa fica restrita ao que aconteceu de 2010 para cá, o que já é bom começo. Fique atento ao último volume da RBPI publicado antes da terceira fase do concurso que você for fazer, pois há boas chances de que algo relativo a essa temática seja cobrado (isso também vale para a prova de Direito da terceira fase, caso haja algum artigo sobre temas de Direito Internacional). Último conselho quanto a isso é: não é porque o concurso está próximo (ou, mesmo, porque a primeira fase já aconteceu) que você pode se desligar dos acontecimentos mundiais. Na prova da terceira fase de 2010, por exemplo, havia uma questão sobre a CELAC, criada em uma cúpula internacional de fevereiro daquele ano, quando até mesmo a segunda fase do concurso já havia ocorrido. Em 2011, o conflito na Líbia, ainda em curso quando da realização da prova, foi objeto de questão ampla sobre as consequências do confronto.
Para acompanhar as notícias internacionais, há diversas fontes, mas nem todas são muito úteis para o concurso. Se você quiser ler Foreign Policy e The Economist, por exemplo, para treinar o Inglês, acho que pode ser útil. Cuidado, apenas, para não se desligar muito dos estudos, entretidos sobre os resultados das eleições no Gabão (que, com certeza, não serão cobrados no concurso). Não acompanhei as notícias com muita frequência ou com um ritual rotineiro. Eu lia, de vem em quando, algumas notícias aqui e ali, uma entrevista, um vídeo no YouTube19 etc., mas nada muito detido ou aprofundado, eu nem tinha tempo para isso. Os fact sheets do Laboratório de Análise de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (LARI) podem ser ótima fonte de estudos para atualidades internacionais. Para quem é de Brasília, há encontros periódicos de discussão desses temas. Para ter acesso aos fact sheets e para ser informado das reuniões do LARI, você pode cadastrar-se no grupo Yahoo “LARI – UnB” (http://br.groups.yahoo.com/group/lari_unb/). Os fact sheets antigos estão disponíveis no arquivo do grupo.
Na página do MRE, muitos recomendam a seleção diária de notícias, mas parece que a página está com problemas ultimamente. Acho que a melhor fonte de “notícias” e de atualidades sobre a política externa brasileira para quem está estudando para o CACD está também no site do MRE: as Notas à Imprensa (http://www.itamaraty.gov.bsala-de-imprensa/notas-a-imprensa/view) e os discursos, artigos e entrevistas de autoridades governamentais sobre política externa (http://www.itamaraty.gov.bsala-de-imprensa/discursos-artigos-entrevistas-e-outras- comunicacoes/view). Na página das Notas à Imprensa, é possível fazer busca por tema (e.g. BRIC), que retorna as últimas comunicações referentes ao tema buscado, o que é ótima fonte de informação sobre as principais temáticas concernentes à atuação da política externa brasileira recente. Várias notícias e artigos interessantes são enviados para alguns grupos de emails do Yahoo, como “CACD IRBr” (http://br.groups.yahoo.com/group/cacdirb) e “Dilogo Diplomtico” (http://br.groups.yahoo.com/group/dialogodiplomatico/”). Cadastre-se!
Agora, a dica de ouro para estudar a política externa brasileira nos últimos anos. O MRE publicou, recentemente, o “Balanço de Política Externa – 2003-2010”. Eu até diria que valeria a pena selecionar os temas mais importantes e estudá-los, se o arquivo total não tivesse quase 900 páginas. Melhor que isso: h um “Resumo Executivo” (43 pginas), que é um resumo de praticamente tudo o que é preciso saber sobre evolução recente da política externa brasileira. É muita informação útil, e aconselho tirar as principais informações do texto (sempre de olho no Guia de Estudos) e montar tabelas, mapas mentais, resumos, qualquer coisa que ajude a gravar (principalmente para a terceira fase). Leia quantas vezes puder. Especialmente para o item “16. A agenda internacional e o Brasil” do Guia de Estudos, sugiro a leitura do próprio “Balanço de Política Externa” (somada a alguns aprofundamentos em temas específicos; faça uso dos artigos disponibilizados em algumas páginas especializados, como “RBPI”, “Mundialistas”, “Mundorama” e “Meridiano 47”, entre outros), uma vez que o “Resumo Executivo” é um pouco pobre nesses assuntos (atenção especial para as partes “Temas da Agenda”, “Segurança Alimentar”, “Reforma da Governança Global”, “Negociações Comerciais”, “Cooperação Internacional” e “Assistência Humanitria”). O “Resumo Executivo” est disponível para download no “REL UnB” (juntamente com o “Balanço de Política Externa”, tanto na vers~o completa quanto nas versões individuais de suas diversas partes).
19 Alguns canais do YouTube, como o da América Latina-Jazeera, têm boas reportagens sobre política internacional.
Juntando os quatro “livros sagrados” citados acima, o “Balanço de Política Externa”/“Resumo Executivo” e uma atualizaç~o quanto aos acontecimentos recentes, é bem provvel que boa parte das questões de Política Internacional do CACD (na primeira e na terceira fases) seja respondida. Obviamente, sempre haverá algo que vai ficar de fora, e apenas leituras adicionais de notícias e de atualidades e buscas pontuais em diversas fontes poderão ajudar. Sempre que há temas muito importantes para a política externa brasileira, alguém de prestígio costuma escrever um artigo a respeito (inclusive o próprio Ministro das Relações Exteriores). Além disso, os discursos sobre alguns temas específicos proferidos pelo Ministro, pelo Presidente da República ou pelo representante brasileiro em algum fórum multilateral, por exemplo, podem ser facilmente encontrados na internet. No site do MRE, as Notas à Imprensa de visitas oficiais, por exemplo, são, de modo geral, abrangentes e informativas. Mais uma vez, é necessário conferir, no Guia de Estudos, o que pode ser cobrado (tanto para relações bilaterais quanto para participação em organizações internacionais). Não precisa estudar a Nota à Imprensa de eventual visita do Ministro ao Sri Lanka e coisas do tipo. Acho que vale a pena acompanhar os últimos acontecimentos por esses meios. De todo modo, a bibliografia aqui descrita visa, apenas, a dar uma visão ampla acerca dos grandes temas cobrados nas provas. É preciso ter consciência de que, por mais preparado que você esteja, é muito provável que sejam cobradas algumas coisas que você não sabe na íntegra. Sabendo, pelo menos, algo mais geral, é possível tentar inferir as respostas corretas e aprofundar a discussão em diversos aspectos, e isso é, a meu ver, o mais importante no concurso.
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2020.07.23 10:36 diplohora Bruno Rezende : meus estudos para o CACD Parte III – A PREPARAÇÃO INTRODUÇÃO pt 10 a 3ra fase do CACD

Em primeiro lugar, lembro uma coisa muito simples: terceira fase não é segunda fase. Você não precisa se preocupar com propriedade vocabular, vírgulas antes de orações subordinadas reduzidas de infinitivo e coisas do tipo. É óbvio que não vale escrever completamente errado também, mas o que eu quero dizer é que a banca da terceira fase nem sabe das exigências da segunda fase direito, então não precisa se preocupar tanto com aspectos formais da escrita. Obviamente, a necessidade de ter uma tese central e alguns argumentos que a comprovem de maneira coerente permanece, mas isso não é novidade para ninguém. A importância do aspecto formal da terceira fase não está nas palavras e nos termos de uma oração, mas na sequência lógica de argumentos.
Algo bastante importante nas provas de terceira fase é destacar um argumento central, uma tese que responda à questão e que lhe permita apresentar exemplos/construções teóricas e desenvolver argumentos que a comprovem. Nessa situaç~o, vale a velha “fórmula” de dissertaç~o: introdução (com a tese central), argumentação (com uma ideia central por parágrafo, com argumentos que comprovem sua tese central) e conclusão (com retomada da tese e com articulação dos argumentos apresentados). Não há um número ideal de parágrafos, vale o bom senso (evitar parágrafos com apenas uma frase ou excessivamente grandes, mas não é necessário que tenham quase o mesmo tamanho, por exemplo, como ocorre na segunda fase).
Evite juízos de valor muito expressivos. Obviamente, tudo o que você escreve contém um pouco de subjetividade, mas evite adjetivações excessivas e algumas construções, como “é importante ressaltar que…”, “vale lembrar que...” ou “fato que merece destaque é…”.
Evite listagens longas e/ou imprecisas. Por exemplo: se você não se lembra de todos os países que fazem parte de determinado grupo, ou se eles são muitos, evite citações de todos os países (na verdade, não sei por qual motivo alguém iria querer citar os membros de um grupo assim, mas vai que precisa de algumas linhas de “enrolaç~o”, não é?). Ex.: “A UNASUL é composta por Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela”.
Preferir: “A UNASUL é composta pelos doze países latino-americanos (à exceção da Guiana Francesa)” ou “A UNASUL é composta pelo agrupamento dos membros do MERCOSUL e da CAN, acrescidos do Chile, do Suriname e da Guiana”. Quanto a imprecisões, evitar, por exemplo: “A UNASUL é composta por Brasil, Argentina, Venezuela, entre outros”. Se você n~o se lembra de todos ou se o número de países é relativamente grande para citar todos, opte ou pelas alternativas anteriormente apresentadas ou, pelo menos, por algo como “Na UNASUL, destacam-se o Brasil – por sua dimensão territorial, por sua população e por seu peso político-econômico –, a Argentina – importante mercado emergente, com forte setor agrícola voltado à exportação e com indústria diversificada – e a Venezuela – detentora de recursos naturais estratégicos e grande exportadora de petróleo”.
Evite, também, citações e menções excessivas. Elas não devem constituir a base de sua resposta. Excesso de citação de eventos pode ser um problema. Obviamente, citar datas, conceitos e períodos é fundamental, mas o problema começa quando essas referências ocupam frases inteiras, sem argumentação e sem sequência lógica de relações. Veja os Guias de Estudos antigos, para ter uma noção do tipo de resposta preferido pela banca. O importante é não exagerar, para o texto não ficar carregado de informações que, ainda que úteis, não sustentam a tese que responde à questão de maneira consistente. Para conceitos menos conhecidos, convém citar a fonte (de todo modo, ainda que certos conceitos, como “Estado normal”, sejam consagrados na literatura sobre política externa brasileira, dizer que “o país entrou, assim, no período que Amado Cervo define como ‘Estado normal’” me parece boa estratégia – até porque o próprio Amado Cervo já foi da banca corretora vez ou outra; o José Flávio Sombra Saraiva é outro que tenho certeza de que irá adorar ver seu nome mencionado em uma resposta).
Algo bastante útil é evitar criar (e cair em) armadilhas. Se você sabe, por exemplo, que o Pacto Andino foi firmado em 1969, mas não tem certeza se a organização aí criada já se chamava Comunidade Andina de Nações, por exemplo, opte por uma formulação de resposta que evite comprometer-se quanto a isso. Uma sugest~o seria, por exemplo: “Firmado em 1969, o Pacto Andino consubstanciou importante passo para a criaç~o da Comunidade Andina de Nações (CAN)”. Desse modo, você evita incorrer no erro de atribuir ao Pacto a responsabilidade pela criação da CAN, sem deixar de destacar sua importância para que isso ocorresse posteriormente. Evite, também, conceitos “politicamente incorretos” ou em desuso, como “governo neoliberal” (preferir “governo associado aos princípios do Consenso de Washington”, por exemplo), “país subdesenvolvido” (preferir “país de menor desenvolvimento relativo”, por exemplo) etc.
Para boa parte dos argumentos a ser empregados na terceira fase, a leitura atenta e o fichamento das melhores respostas dos Guias de Estudos anteriores podem ajudar bastante. Eu tive um professor de cursinho, o Ricardo Macau, que gostava de dizer que o intuito de fichar os Guias de Estudos era, simplesmente, roubar argumentos. Ninguém precisa inventar novos argumentos, para tentar “chocar” a banca. Se a banca publica um Guia de Estudos anualmente, dizia ele, é para mostrar a todos os candidatos o que ela queria ler como resposta naquela questão e o que ela quer ler nas respostas dos concursos dos anos seguintes. Dessa maneira, não há nenhum constrangimento em fichar os principais argumentos das provas dos anos anteriores e em usá-los nas questões pertinentes da terceira fase. Alguns desses argumentos foram muito úteis para mim, especialmente nas provas de História do Brasil, de Política Internacional e de Direito.
Uma coisa que pouca gente fala é que os Guias de Estudos nem sempre são cópias fidedignas das respostas dos candidatos. A organização do concurso entra em contato com os autores das respostas selecionadas e solicita que os próprios autores digitem suas respostas. Os candidatos podem fazer eventuais alterações pontuais de algumas imprecisões, mas alguns poucos acabam exagerando. Para quem está se preparando para o concurso, não poderia haver nada pior, já que não podemos ter uma noção exata de qual tipo de resposta foi avaliado como suficiente pelos examinadores (por saber que era possível alterar, eu sempre ficava em dúvida: será que ele/ela ganhou essa nota escrevendo tudo isso mesmo?). J vi gente dizendo que “quem consegue fazer as melhores respostas deu sorte, porque fez mestrado ou doutorado no assunto, pelo menos”, e isso é completa mentira. O que ocorre é que essas pessoas souberam conjugar estudo eficiente e capacidade de desenvolvimento analítico diferenciada que sejam convertidos em uma argumentação clara e consistente. Para isso, não tem mestrado ou doutorado que adiante. Em algumas questões, você sente ser capaz de escrever o dobro ou ainda mais sobre aquele assunto (principalmente, nas questões de 60 linhas), mas o que mais conta, no fim das contas, é a forma, o modo como você organiza suas ideias, os argumentos de que você faz uso etc.
Na prova de História do Brasil, alguns temas são mais ou menos recorrentes. Definição das fronteiras nacionais, política externa do Império, política externa dos governos Quadros-Goulart (Política Externa Independente), política externa dos governos militares (especialmente, Geisel), relações do Brasil com a América do Sul (destaque para as relações Brasil-Argentina desde o século XIX), relações do Brasil com a África (do período da descolonização até a década de 1980). Obviamente, há inúmeros outros temas (bastante pontuais às vezes) que também são cobrados, mas eu acho que, se eu tivesse só uma semana, para estudar tudo de História do Brasil, eu escolheria esses temas. Ainda que eles não sejam cobrados diretamente, podem ser encaixados em muitas outras questões.
A prova de Inglês consiste de uma tradução do Inglês para o Português (valor: 20 pontos), de uma versão do Português para o Inglês (valor: 15 pontos), de um resumo de texto em Inglês (valor: 15 pontos) e de uma redação sobre tema geral (valor: 50 pontos). As notas de Inglês são, geralmente, bem mais baixas que as das demais provas, o que, considerando que boa parte dos candidatos que chega à terceira fase tem alguma experiência no domínio avançado da língua inglesa (acredito eu), é claro sinal de que a cobrança é bastante rigorosa, e apenas conhecimentos básicos da língua não são suficientes.
Quanto à tradução e à versão, não tenho muito a dizer. Há dedução de 1,00 ou de 0,50 pontos (dependendo do tipo de erro) do valor total do exercício para cada erro de tradução13. O vocabulário cobrado nem sempre é muito simples (um ou outro termo pode ser mais complicado), mas, em geral, não há muitos problemas. Normalmente, as notas da tradução são bem maiores que as notas da versão. Um pequeno “problema” nas traduções e nas versões é o seguinte: o examinador escolhe, tanto nas traduções para o Português quanto nas versões para o Inglês, algumas expressões que ele quer, obrigatoriamente, que o candidato use determinados termos que correspondam àquela palavra ou expressão na outra língua. Assim, por exemplo, se há o termo “vidente”, para ser traduzido para o Inglês, e se o examinador escolheu essa palavra, para testar os candidatos, você ser penalizado, se tentar dizer isso com uma express~o como “a person who foresees” ou coisa do tipo. Se o examinador, entretanto, não houver escolhido essa palavra como teste, você poderá não perder nenhum ponto por isso. O maior problema é que, obviamente, você não sabe quais são as expressões que serão escolhidas enquanto faz a prova. Pode ser que uma expressão para a qual você não conhece a tradução exata não seja uma das escolhidas pelo examinador, e dizer a mesma coisa de outra maneira (com uma frase ou com uma expressão mais longa que exprima o mesmo sentido) pode não implicar penalização. Enfim, não há como saber isso antecipadamente, então a melhor alternativa é, sempre, a tradução o mais fidedigna possível. De toda forma, se não souber, aí não tem jeito, invente alguma coisa, pode ser que seja aceita. Só nunca, nunca, deixe um espaço em branco, pois isso atrai os olhos do examinador, e ele saberá que já tem algo faltando ali. Mesmo que você não tenha nenhuma ideia do que alguma coisa signifique ou de como traduzir, invente palavras, crie sinônimos que não existem, faça qualquer malabarismo linguístico que estiver a seu alcance, só não deixe espaços em branco. Como os examinadores corrigem mais de duzentas provas (números de 2010 e de 2011), pode ser que alguns erros acabem passando despercebidos.
13 Segundo o Guia de Estudos: menos 1,00 pontos por falta de correspondência ao(s) texto(s)-fonte, erros gramaticais, escolhas errôneas de palavras e estilo inadequado; menos 0,50 pontos por erros de pontuação ou de ortografia. Apesar dessa previsão no Guia de Estudos, a banca também tem considerado, nos últimos concursos, que também se subtraem 0,50 pontos por erro de preposição, ao invés de 1,00 pontos.
O resumo do texto em Inglês costuma surpreender alguns candidatos com baixas notas. A atribuição de pontos é feita de acordo com uma avaliação subjetiva que considera várias coisas: quantidade de erros, abrangência de todos os pontos selecionados pelo examinador como os mais importantes do texto etc. Não é necessário incluir exemplos no resumo, que deve, com suas palavras, abranger todos os principais temas discutidos no texto, seus argumentos e sua linha de raciocínio (os temas e os argumentos podem ser apresentados na ordem que você considerar mais interessante, não é necessário seguir a ordem do texto). No resumo, não se emite opinião sobre o texto, e n~o é necessrio dizer “o autor defende”, “segundo o autor” (em Inglês, obviamente). Como se trata do resumo de um texto, é evidente que tudo o que está ali resume as opiniões do autor. Não é necessário fazer uma introdução e uma conclusão, você perderá muito espaço, e não é esse o objetivo do resumo. Seja simples e direto, acho que é a melhor dica.
O comando indica um máximo de 200 palavras, mas eles não contam. Já vi professores dizendo para que os alunos fizessem, obrigatoriamente, entre 198 e 200 palavras, mas, se você buscar os Guias de Estudos anteriores, verá que há resumos que fogem a esse padrão (para baixo ou para cima) e que foram escolhidos como o melhor resumo daquele ano. É claro que você não vai escrever 220 palavras, mas acho que umas 205, mais ou menos, estão de bom tamanho (escrevi um pouco mais de 200, acho que 203, não sei). A professora do cursinho de terceira fase dizia que podíamos fazer até cerca de 210 (desde que a letra não fosse enorme, para não despertar a curiosidade do examinador) que não teria problema. É claro que o foco deve estar nos 200, esse valor superior é apenas para o caso de lhe faltarem algumas palavras, para encerrar o raciocínio.
Em 2011, os 15,00 pontos do resumo foram divididos em duas partes: 12,00 pontos para a síntese dos principais aspectos do texto e 3,00 pontos para linguagem e gramática. O examinador determinou que havia seis tópicos principais do texto que deveriam ser incluídos no resumo e atribuiu até dois pontos para a discussão de cada um desses tópicos. Obviamente, não há como saber quantos serão esses tópicos. O melhor a fazer é tentar tratar de todos os aspectos mais importantes do texto com o mínimo possível de palavras. Se sobrarem 10 ou 15 palavras, não desperdice, faça uma frase a mais, quem sabe isso pode lhe render alguns preciosos décimos a mais.
A redação em Inglês é de 45 a 60 linhas, com valor de 50 pontos. Esses 50 pontos são distribuídos em: planejamento e desenvolvimento (20 pontos), qualidade vocabular (10 pontos) e gramática (20 pontos), com penalização de 1,00 ou de 0,50 pontos por erro, de acordo com o tipo de erro14 (descontados da parte de gramática). Nota zero em gramática implica nota zero na redação (logo, cuidado para não zerar). Há penalização de 1,00 pontos para cada linha que faltar para o mínimo estabelecido.
Normalmente, a redação trata de temas internacionais de fácil articulação. Não há recomendações de número de parágrafos, de número de linhas por parágrafo ou coisa do tipo. As principais coisas a observar são: ter uma tese central, usar argumentos que a sustentem, e, sobretudo, fornecer exemplos. Ao ver espelhos de correção de concursos anteriores no cursinho, fica evidente que muitas notas de planejamento e desenvolvimento são mais baixas devido à ausência ou à insuficiência de exemplos, como indicam os comentários dos examinadores em provas anteriores (a prova de Inglês é a única da terceira fase que vem com comentários e com marcações). Eu diria, portanto, que é necessário prestar atenção na argumentação coerente que comprove a tese, é claro, e no fornecimento de vários exemplos que sustentem a argumentação apresentada. É claro que só listar dezenas de exemplos pode não adiantar nada, mas, se você souber usá-los de maneira coerente, como complemento à argumentação, acho que poderá ser bem recompensado por isso. Ao contrário do que já vi dizerem por aí, não há penalizaç~o por “ideologia” discrepante daquela da banca. Aproveitando a temática da prova de 2001, não interessa se você é contra ou a favor da globalização, o importante é elencar argumentos fortes e sustentá-los com exemplos pertinentes.
14 Segundo o Guia de Estudos, menos 1,00 pontos por erro (exceto para erros de pontuação ou de ortografia, para os quais há subtração de 0,50 pontos). Apesar dessa previsão no Guia de Estudos, a banca também tem considerado, nos últimos concursos, que também se subtrai 0,50 pontos por erro de preposição, ao invés de 1,00 pontos.
Por fim, a parte de qualidade vocabular não se refere só ao uso de construções avançadas de Inglês (inversões, expressões idiomáticas etc.). De nada adianta usar dezenas de construções avançadas, se você tiver muitos erros de gramática. Os 10 pontos de qualidade vocabular levam em consideração tanto o número de construções avançadas que você usou quanto o número de erros de gramática que você teve. Ainda que você use poucas construções avançadas, se não errar nada de gramática (ou se errar muito pouco), sua nota nesse quesito deverá ser bem alta. Dessa forma, acho que o melhor a fazer é preocupar-se, primeiramente, com gramática. Uma pequena lista de expressões idiomáticas passíveis de se empregar, combinada com o uso de construções mais avançadas (como inversões, por exemplo), já pode significar boa nota de qualidade vocabular, se você não perder muitos pontos de gramática. Não vou dizer quais usei, senão todo mundo vai usar as mesmas e ninguém vai ganhar pontos. Usem a criatividade: vejam expressões diferentes, palavras conotativas apropriadas, verbos e palavras mais “elaborados” etc.
Em resumo, acho que o principal da redação é: errar pouco em gramática e fornecer exemplos. Com isso e com bons argumentos, sem fugir ao tema, eu diria que há boas chances de uma nota razoável.
A prova de Geografia é, a meu ver, uma das mais chatas e imprevisíveis. Cada ano, a prova é de um jeito, ora cobra Geografia física, ora cobra teoria da Geografia etc. No geral, acho que a banca não tem muita noção de que está avaliando conhecimentos importantes para o exercício da profissão de diplomata, não de geógrafo. Assim, frequentemente, aparecem algumas questões bem loucas. O bom das questões mais chatas de Geografia é que a banca costuma ser mais generosa na correção. Há alguns anos, uma questão sobre minérios na África, por exemplo, aterrorizou muitos candidatos, mas, na hora da correção, segundo um professor de cursinho, as notas não foram tão baixas. Por isso, não se preocupe tanto com essas questões mais espinhosas que, eventualmente, aparecem na terceira fase de Geografia.
Em 2011, uma das questões (sobre navegação de cabotagem no Brasil, na década 2001-2010) havia sido tema de uma reportagem do programa Globomar duas semanas antes da prova. Para falar a verdade, eu não sabia nem o que era Globomar, se era uma reportagem do Fantástico, um quadro do Faustão ou a nova novela das sete, mas, como um raio pode cair duas vezes no mesmo lugar, não custa nada informar para que você fique atento a algumas dessas questões mais recentes. Não precisa gravar e tomar notas de todo Globomar daqui para frente. Dar uma olhada nos temas desse tipo de programa, de vez em quando, já deve ser mais que suficiente. Vale dizer que o mais importante é, sempre, Geografia do Brasil. Não precisa assistir o National Geographic sobre monções no Sri Lanka, porque não vai cair. De todo modo, assuntos relativos à costa e ao litoral brasileiros são reincidentes no concurso.
Muitos falam sobre a necessidade de usar o “miltonsantês”, como s~o conhecidos os conceitos de Milton Santos, nas respostas de terceira fase. É algo meio batido, mas acho que todo mundo que faz, pelo menos, o cursinho preparatório para a terceira fase deverá ouvir alguma coisa a respeito, então não se preocupe com isso. Se der para usar alguns conceitos em determinadas questões, use sem exageros. Esses termos podem render bons olhos com a banca, mas ninguém tira total só porque escreveu dez conceitos miltonianos na resposta.
Algumas argumentações s~o “coringas” em Política Internacional. Alguns conceitos, como “multilateralismo normativo”, “postura proativa e participativa”, “articulaç~o de consensos”, “reforma da ordem”, “juridicismo”, “pacifismo”, “pragmatismo”, “autonomia pela participaç~o” etc., poderão ser encaixados em quase todas as respostas de terceira fase. Relações Sul-Sul, América do Sul, BRICS, IBAS, África também são temas que poderão ser empregados em diversos contextos (temáticas recorrentes nos últimos concursos). Desse modo, saiba usar esse conhecimento a seu favor. Se há uma questão que pede comentário sobre algum aspecto da política externa brasileira contemporânea, citar esses conceitos já pode ser bom começo.
Não custa nada lembrar que você está fazendo uma prova para o Ministério em que você pretende trabalhar pelo resto da vida. Criticar a atuação recente do MRE não é sinal de maturidade crítica ou coisa do tipo, pode ter certeza de que n~o ser bem visto pela banca corretora. N~o precisa “puxar o saco” do governo atual descaradamente, mas considero uma estratégia, no mínimo, inteligente procurar ressaltar que, apesar de eventuais desafios à inserção internacional do Brasil, o país vem conseguindo alçar importantes conquistas no contexto internacional contemporâneo, como reflexo de sua inserção internacional madura, proativa e propositiva. Na prova de 2011, a prova da importância de saber a posição oficial do MRE com relação a temáticas da política internacional contemporânea ficou evidente em uma questão que pedia que se discutisse a situação na Líbia, apresentando a posição oficial do governo brasileiro e os motivos para a abstenção do Brasil na votação da resolução 1.973 do Conselho de Segurança da ONU. Saber a posição oficial do governo sobre os principais temas da agenda internacional contemporânea é fundamental na terceira fase. Na primeira fase também: em 2011, um item dizia que o MRE usava a participação na MINUSTAH como “moeda de troca” para o assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. Por mais que a mídia sensacionalista diga isso e por mais que você, porventura, acredite nisso, não é essa a posição oficial do Ministério, então isso não está correto e ponto. Seja pragmático e tenha, sempre, em mente que você está fazendo uma prova para o governo. Em dúvida, pense: o que o governo brasileiro defende nessa situação? Essa posição vale tanto para a primeira fase quanto para a terceira.
Com relação à prova de Direito, é uma avaliação, a meu ver, bastante tranquila e uma das mais bem formuladas. Não há grandes segredos, e a leitura (acompanhada do fichamento) dos Guias de Estudos antigos é fundamental. Muitos estilos de questões repetem de um ano para o outro, e alguns argumentos gerais sobre o fundamento de juridicidade do Direito Internacional Público, por exemplo, são úteis quase sempre. Ultimamente, a probabilidade de questões sobre Direito interno propriamente dito tem sido reduzida a temáticas que envolvam o Direito Internacional (como a questão sobre a competência para efetuar a denúncia a tratados, cobrada em 2010). Em Direito Internacional Privado, o que já foi cobrado do assunto, em concursos recentes, esteve relacionado à homologação de sentença estrangeira, assunto bastante básico e tranquilo de estudar. Em Direito Internacional Público (DIP), atenção especial à solução de controvérsias (meios pacíficos, meios coercitivos, meios jurídicos e meios bélicos), ao sistema ONU e ao sistema de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio, além do supracitado fundamento de juridicidade do DIP (“afinal, por que o DIP é Direito?”). Uma dica que vale tanto para as questões de Direito quanto para as de Economia é tomar cuidado com o número de linhas. Como há questões de 60 e de 40 linhas, corre-se o risco de perder muito espaço com argumentos e ilustrações não necessários à questão. Nas provas dessas duas matérias, não acho que seja tão necessário preocupar-se tanto com a introdução e com a conclusão nas questões de 40 linhas (nas de 60, se houver, devem ser bem curtas), pois não há espaço suficiente para isso. Em minhas provas de terceira fase, apenas respondi a essas questões de 40 linhas diretamente.
A prova de Economia mudou muito, se você comparar as provas de 2008-2009 às de 2010-2011, por exemplo. Anteriormente, havia questões enormes de cálculos, equações de Microeconomia etc. Em 2010, a única questão que envolvia cálculo era ridiculamente fácil. Em 2011, para melhorar a situação daqueles que não gostam dos números, não havia um único cálculo nas questões, todas elas analíticas. Além disso, as cobranças anteriores de Economia Brasileira focavam, especialmente, no período da República Velha (isso se repetiu em 2010). Em 2011, até mesmo o balanço de pagamentos atual do Brasil e a economia dos BRIC na atualidade foram objetos de questões. Talvez seja uma tendência da prova de Economia dos próximos anos, de priorizar o raciocínio econômico, em detrimento dos cálculos matemáticos que aterrorizavam muitos no passado. Ainda que eu não tenha problemas com cálculo (e goste bastante, inclusive), devo admitir que me parece muito mais coerente cobrar economia dos países do BRIC do que insistir nos cálculos de preço de equilíbrio, quantidade de equilíbrio, peso-morto etc., se considerarmos que se trata de uma prova que visa a selecionar futuros diplomatas (aí está uma lição que a banca de Geografia precisava aprender).
Ainda que, à primeira vista, esse novo tipo de prova possa parecer mais fácil, pode não ser tão tranquilo quanto parece. Por mais contemporâneas que as questões sejam, acho que os candidatos correm o sério risco de confundir a prova de Economia com uma prova de Política Internacional (por envolver BRIC, por exemplo). Lembre-se, sempre, de que quem corrige as provas de Economia são economistas. Como economistas, eles valorizam o raciocínio econômico, com o uso de conceitos econômicos, e é isso o que deve ficar claro, em minha opinião, em questões como essa. Tenho maior facilidade com esse raciocínio econômico e com os conceitos da disciplina, por haver participado da monitoria de Introdução à Economia da UnB por quatro semestres. A quem não teve essa experiência, para acostumar-se a esse “economês”, nada melhor que bons noticirios de Economia:
- Brasil Econômico: http://www.brasileconomico.com.b
- Financial Times: http://www.ft.com/home/us
- IPEA: http://agencia.ipea.gov.b
- O Globo Economia: http://oglobo.globo.com/economia/
- The Economist: http://www.economist.com/
- Valor Econômico: http://www.valoronline.com.b, entre vários outros.
Obviamente, não precisa ficar lendo todas as notícias postadas em todos esses sites, todos os dias. Já tentei o esquema de ler uma notícia por dia de uns cinco sites de notícias e cansei facilmente. Não acho que seja possível dizer um número ideal de notícias econômicas lidas por semana, mas sei lá, umas duas ou três já são melhor que nada.
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2020.07.23 10:13 diplohora Bruno Rezende : meus estudos para o CACD Parte III – A PREPARAÇÃO INTRODUÇÃO pt1

O objetivo, aqui, é considerar algumas temáticas que considero relevantes quanto à preparação para o concurso e à resolução das provas em todas as fases. Várias das sugestões de leituras indicadas nesta parte e na próxima, assim como diversos textos e resumos que tenho, foram disponibilizadas na página http://relunb.wordpress.com. Nesse site, você também encontrará resumos das matérias obrigatórias e optativas do curso de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, além de resumos e de diversos arquivos, para auxiliar na preparação para o CACD. Faça bom uso. Todas as vezes em que eu me referir, neste documento, ao “REL UnB”, leia-se esse site.
Esta parte está dividida em cinco seções. Em primeiro lugar, um relato de minha experiência de estudos, com importantes sugestões de amigos e de conhecidos e com diversas contribuições recolhidas de sites e de fóruns na internet. Não se trata, propriamente, de recomendação, uma vez que cada um deve adaptar seus estudos às condições em que se encontra (tempo de dedicação, material disponível etc.), mas espero que sirva, ao menos, de uma orientação inicial a quem estiver um pouco perdido, para que possa programar seus estudos e ganhar tempo.
Muitos já me perguntaram quais matérias são recomendáveis na universidade. Embora isso seja muito relativo, visto que professores diferentes podem dar a mesma matéria de maneira completamente distinta, fiz uma lista, para facilitar a vida de quem, mesmo sabendo dessas limitações, quer algum conselho nesse aspecto. Essa relação de disciplinas está na segunda seção desta parte.
Na terceira seção, trato dos cursos preparatórios para o CACD. Na seção seguinte, falo um pouco sobre algumas sugestões e “macetes” para a hora das provas. Na quinta e última seção desta parte, trato, rapidamente, de algumas considerações (que julgo importantes) a respeito da interposição de recursos aos gabaritos (na primeira fase) e às correções (nas demais fases) do concurso.
Agora, vamos ao que interessa.
OS ESTUDOS
Confesso que, no início dos estudos, foi bastante frustrante aprender coisas que eu, supostamente, deveria haver aprendido na universidade, no curso de Relações Internacionais. Mesmo as matérias que considerei ótimas na universidade nem sempre foram de tanta utilidade quanto eu achei que seriam. Sem dúvida, aprendi muito mais coisas úteis ao CACD nos meses de estudos pré-primeira fase do que nos quatro anos de graduação. Espero, assim, desfazer o mito: Relações Internacionais não é condição sine qua non para a aprovação no CACD. Por isso, acredito que, independentemente do curso superior que você tenha feito, o que mais importa é sua dedicação aos estudos. Não se preocupe: é possível recuperar o tempo perdido em menos tempo do que se imagina. Com disciplina e com foco, é possível, sim, começar a estudar alguns meses antes do concurso e ser aprovado. Ter disciplina é tão importante quanto ser pragmático. Não importa se você terá três meses, três anos ou três décadas de preparação, será impossível conseguir estudar tudo o que poderia ser cobrado no concurso. Como ninguém quer estudar o que poderia ser cobrado, mas o que, de fato, será cobrado, ter noção disso já é um passo fundamental para a preparação. Retomarei essas considerações mais adiante.
Se você ainda não fez um curso superior, acho que isso já servirá de “alerta”. Em primeiro lugar, tenho muitos amigos que entraram na universidade, no curso de Relações Internacionais, com certeza absoluta de que queriam ser diplomatas. Depois de um ou dois anos de curso, grande parte mudou de opinião. Eu, mesmo, não pretendia ser diplomata até meados da graduação, e não sei muito bem o que me levou a escolher a profissão, acho que foi uma série de coisas que eu não seria capaz de enumerar exaustivamente. Por isso, acho muito precipitado (já ouvi até professores de cursinho recomendando isso) que alguém tente iniciar sua preparação antes mesmo da universidade, acompanhando as notícias todos os dias, lendo os livros da bibliografia ou coisa do tipo. Em primeiro lugar, se eu me esquecia das coisas que havia estudado no dia anterior à prova da terceira fase, imagine alguém se lembrar de uma notícia que leu há quatro anos, no mínimo? Em segundo lugar, nem se isso fosse possível (ainda que você faça clippings de notícias etc.), não acho que seja necessário. Não senti nenhuma dificuldade que a falta de acompanhamento de notícias anteriores ao início de minha preparação para o concurso tenha provocado. Acho que é melhor você se preocupar com outras coisas primeiramente. Ao contrário do que muitos pensam, Relações Internacionais n~o é um “megacursinho preparatório para o IRBR”, e o curso também não me ajudou em nada com as notícias que não acompanhei nesse período.
Se você tem certeza de que quer ser diplomata, o máximo que eu aconselharia seria investir no aprendizado de línguas: Inglês, Espanhol e Francês. Do resto você pode dar conta, perfeitamente, em momento oportuno. Faça o que você mais gosta e o que mais lhe interessar. Como qualquer graduação é válida para ser diplomata, há profissionais das mais diversas áreas de formação no IRBr, e acho que isso enriquece bastante tanto sua convivência com outras pessoas no MRE quanto a experiência de trabalho do Ministério. Boa parte dos aprovados é, tradicionalmente, de Direito e de Relações Internacionais, eu acho (provavelmente, penso eu, não porque as respectivas graduações tenham contribuído enormemente para a aprovação, mas porque talvez seja mais provável que um estudante de algum desses cursos se interesse pela diplomacia do que outro de Física ou de Medicina, por exemplo, mas não sei, só uma hipótese), mas há diplomatas de todas as formações imagináveis.
Com relação ao método de estudos, não sei se tenho muito a acrescentar ao que todo mundo já sabe. Nunca vi nenhum método fabuloso de estudos que me tenha motivado a tentar segui-lo, por isso nem me esforçarei para tentar propor algo nesse sentido. Mais uma vez, é um mero relato de como fiz nos sete meses de estudos mais sérios que tive (setembro 2010 – março 2011) antes do concurso e nos três meses de duração das provas do concurso (abril – julho 2011).
Li muitas recomendações de estudos e de leituras, mas, às vezes, tinha a sensação de que faltavam depoimentos de “gente como a gente”, que procrastina, que enrola, que tenta se sabotar (e que tenta cair na autossabotagem) etc. O motivo para isso é muito simples: se você é assim, ou tenta adaptar seus métodos de estudos às condições em que se encontra, ou não haverá outro jeito. Tentar passar na base da “enrolaç~o” n~o funciona. Meu maior desafio n~o era a falta de foco, mas o tempo de preparação. Muitos estudam por anos e anos, e eu sabia que a concorrência não seria nada fácil, ainda mais com um número reduzido de vagas com relação ao concurso anterior. Desse modo, tive de cortar leituras desnecessárias, adaptando meus estudos ao tempo que tinha disponível. O relato apresentado a seguir baseia-se, portanto, em uma metodologia voltada para estudos de curto prazo. Se você tiver mais tempo de preparação, ótimo. Há muitos outros relatos disponíveis na internet de candidatos aprovados que relatam seus estudos com mais tempo de preparação, com vasta leitura bibliográfica etc. Tentei reunir todos os relatos que eu encontrei na parte IV desse documento, de modo que os candidatos que estejam a fim de um pouco mais de embasamento nos estudos tenham boas referências. De todo modo, esta parte, por ser voltada a minha preparação, tratará de uma estratégia mais instantânea de estudos. Espero que seja útil.
Em minha tentativa de planejar uma estratégia que permitisse conciliar o tempo reduzido de estudos e a quantidade de conteúdo necessária para o concurso, o que foi mais importante foi, sem dúvida, determinar o que seria útil e o que não seria. Não há melhor maneira de fazer isso que ler as provas anteriores do concurso, resolver os TPS, estudar os Guias de Estudos etc. No fim das contas, o tempo reduzido acabou sendo meu aliado. Se eu tivesse mais tempo de preparação, provavelmente perderia mais tempo com leituras desnecessárias para o CACD e com metodologias de estudo não muito eficazes. Desse modo, o modo de estudar que planejei e que segui em minha preparação para o CACD teve suas bases na necessidade de pragmatismo, de estudar apenas o que seria indispensável para o concurso. Por isso, se você for metódico e mais ortodoxo com relação aos estudos, já aviso que poderá desprezar minha experiência pessoal e partir para os estudos, porque todos os meus relatos a seguir estão baseados nessa filosofia de vida da arte do pragmatismo de meios.
Comecei a estudar ainda durante o fim da graduação (graduei-me no segundo semestre de 2010), inicialmente lendo algumas coisas de Introdução ao Direito e de Direito Interno, já que minha Introdução ao Direito foi horrível e quase não vi Direito interno na graduação. Resumo desses estudos iniciais: perda de tempo. Eu não tinha muita noção do que deveria estudar, comecei estudando o básico do básico em Direito e acabei me perdendo, gastando mais tempo que deveria com o que, no fim das contas, é inútil para o concurso. É aqui que começa a entrar o necessário pragmatismo, que, a meu ver, torna possível ser aprovado sem anos e anos de estudos. Cai introdução ao Direito nas questões do concurso? Não. Logo, não havia motivos para perder tempo com isso. “Ah, se você n~o estudar a introduç~o, ficar perdido e n~o conseguir entender as partes mais importantes e substantivas posteriores”. Todo mundo sabe que isso é conversa fiada de universidade. Se você quisesse fazer correlações entre o Direito interno e a teoria do Direito de Miguel Reale e não sei o quê, tudo bem, mas isso se faz na universidade, não no concurso. Cai Miguel Reale no concurso? Não, então o desprezei. Uma coisa é o estudo de universidade, em que se busca adquirir conhecimentos amplos, para que os alunos sejam capazes de relacionar a importância do fundamento teórico de criação de uma disciplina e a teorização contemporânea sobre o que quer que seja. Outra coisa completamente diferente é aprender o que cai no CACD e o que você terá de saber para a prova, e aí todo esse conhecimento básico, em minha opinião, dá apenas uma sensação falsa de conhecimento que, feliz ou infelizmente, não será cobrado no concurso.
Depois dessa improdutiva tentativa de leituras iniciais (cerca de dois meses), comecei a fazer cursinho preparatório de algumas matérias (Política Internacional, Português, Geografia, Direito e Redação, nem todas no mesmo cursinho) ainda durante os últimos meses de graduação (tinha uma aula no cursinho, inclusive, no mesmo horário de uma matéria da UnB, e era ótimo, porque eu tinha desculpa para não ir à UnB, às 8h da manhã, duas vezes por semana, para ouvir sobre a Guerra do Peloponeso). No início, ainda dividia os estudos para o CACD com os estudos finais da universidade, e, até o fim de 2010, tudo o que fiz foi seguir as indicações de leitura dos cursinhos e fazer as provas antigas da primeira fase. Hoje, percebo que eu poderia ter ganhado mais tempo caso tivesse optado por algo um pouco diferente, e meus estudos de setembro a dezembro não foram muito produtivos, apenas parcialmente. Já explico mais.
Em primeiro lugar, as leituras dos cursinhos são, no geral, horríveis. Não falo isso com base apenas nas matérias que fiz. Tive acesso a muitas indicações de bibliografias de todas as disciplinas, de diversos cursinhos e de diversas fontes de internet. As indicações de cursinhos são, sem exceção que eu tenha visto, muito ruins. Tenho certeza de que é provável que a maioria das pessoas que lerão isso ficará meio chocada, mas é minha opinião. Não sei o que os professores querem, mas acho que falta objetividade, pragmatismo e praticidade. Inicialmente, eu tinha a impressão de que, se eu lesse todas as bibliografias indicadas pelos professores de cursinho, estaria plenamente preparado para o concurso, mas isso está longe de ser verdade. Li muitos textos ruins, vagos, não objetivos e praticamente inúteis para o CACD. Nesse ponto, acho que falta a alguns professores a capacidade de pensar que os alunos têm outras nove disciplinas para estudar e que muitos desses alunos estão tentando o concurso pela primeira vez (ou seja, eles terão trabalho dobrado a fazer em curto espaço de tempo). Não é a hora de construir conhecimento básico. Por isso, considero que foram inúteis meus estudos iniciais de Introdução ao Direito relatados acima.
O que quero dizer com isso é que o pragmatismo necessário para a aprovação baseada em um período reduzido de tempo está em evitar, ao máximo, perder tempo com o que não será cobrado diretamente no concurso. Ninguém precisa ficar “expert” em Direito ou em qualquer outra matéria. Todas as provas da segunda e da terceira fases têm o mesmo valor, o que significa que de nada adianta um 100 em Direito, se você não for bem, também, em todas as outras (refiro-me ao Direito apenas para aproveitar minha experiência acima descrita). Isso é ainda mais válido em concursos com número menor de vagas, como o de 2011. Uma página lida de matéria que não será cobrada é tempo jogado fora, e ser capaz de abandonar um livro ou um texto qualquer no meio, por ser ruim e/ou inútil, é uma arte que deve, em minha opinião, ser aprendida por todos. Você precisará ter a capacidade necessária para discernir o que é importante para o CACD e o que não é. Não há outra maneira de fazer isso, senão estudar, cuidadosamente, as provas anteriores. Para a primeira fase, fazer as provas dos últimos concursos é fundamental nesse sentido. Para a terceira, ler os Guias de Estudos e fichar os melhores argumentos também pode ser muito importante.
Mais uma vez, volto a insistir na necessidade do pragmatismo. Já vi gente estudando Revolução Gloriosa e Reforma Protestante, lendo O Príncipe, de Maquiavel, e outras obras de autores clássicos da política. Antes de ler qualquer coisa, acho que é fundamental parar e pensar no seguinte: 1) Está no Guia de Estudos? 2) Já caiu em outros concursos? Se está no Guia de Estudos e caiu em outros concursos, é claro que você deve dedicar alguma atenção àquilo (vale ponderar, também, a incidência do tema; se Napoleão III foi cobrado uma única vez em nove provas de primeira fase que você fez, você não precisa ler e decorar toda a biografia do homem, não é?). Se está no Guia de Estudos e não caiu em outros concursos, não deixe de dar alguma atenção àquele tema, mas não dedique tempo excessivo a ele. Se não está no Guia de Estudos e caiu em outros concursos, das duas uma: ou o Guia de Estudos foi modificado daquele concurso para cá (desse modo, entre no site do Cespe e confira, na seção de concursos antigos, eventuais modificações no Guia de Estudos), ou a banca enquadrou esse tema em alguma divisão muito genérica do Guia de Estudos. O maior problema, entretanto, está aqui: se não está no Guia de Estudos e não foi cobrado em concursos anteriores, não perca seu tempo com isso! Pode parecer muito óbvio, mas digo apenas porque já vi isso acontecer várias vezes. Para quem terá pouco tempo de preparação, esse tempo perdido pode custar caro mais para frente. É importante que um diplomata saiba, ao menos, que a Revolução Gloriosa existiu? Claro, espero que sim, mas não estamos falando de formar diplomatas, estamos falando de passar em um concurso. Depois de passar, aí, sim, poderemos preocupar-nos com o que quer que seja. Enquanto a meta for a aprovação no concurso, acho que o melhor a fazer é ter os pés no chão, os olhos no Guia de Estudos e a cabeça iluminada pelo pragmatismo do Barão. Voltarei a tratar dos Guias de Estudos a seguir.
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2020.06.10 20:56 HoBaLoy E SE Steffon Baratheon e Cassana Estermont tivessem sobrevivido ao naufrágio?

Refletindo sobre as causas da Rebelião de Robert pensei sobre essa possibilidade. Como temos pouquíssimas informações a respeito, este tópico é altamente especulativo. Sendo assim, E SE Steffon e Cassana Baratheon tivessem sobrevivido normalmente ao naufrágio visto por Robert e Stannis?
A mãe de Steffon era Rhaelle Targaryen e Cassana era uma Estermont (como indica o título do tópico). Existia proximidade grande entre Steffon e Aerys, eram primos e Steffon naquele momento era do Pequeno Conselho.
Especulo que, com a iminente perda do título de Mão do Rei de Tywin Lannister, Steffon provavelmente seria um fortíssimo candidato.
Robert foi entregue como protegido ao Vale/Jon Arryn antes do falecimento dos pais, sendo que em uma das visitas presenciou a morte deles.
Steffon era neto de Aegon V, e ele devia ser uma criança durante a Tragédia de Summerhall. Muito provavelmente sua mãe tenha sido afetada pela perda de seus pais, irmão, etc.
Steffon também parecia estar preocupado com seu filho do meio. Ele escreveu para a Coroa dizendo que havia encontrado o Cara-Malhada, e talvez Stannis aprendesse a rir. E Renly era apenas um bebê quando morreram, então é provável que eles tivessem mais filhos. E mesmo que os três irmãos não fossem exatamente melhores amigos, as relações poderiam ter se desenvolvido de forma muito diferente com os pais vivos.
Eu me pergunto se, sendo todas as outras coisas iguais, a Rebelião de Robert teria acontecido da mesma maneira se Steffon e Cassana tivessem sobrevivido normalmente (ou seja, sem sequelas que influenciassem a sua senhoria sobre Ponta Tempestade ou a possibilidade de se tornar Mão do Rei). Também enfatizo e insisto na sobrevivência normal de Cassana para não gerar eventuais traumas ou questões psicológicas dos filhos e de Steffon.
Como neto ainda vivo de Aegon, Steffon teria uma reivindicação ainda melhor do que seu filho - ele era literalmente meio Targaryen.
Pergunto:
Talvez o mesmo resultado com Targaryens depostos, mas com Steffon como Rei poderia ocorrer?
E quanto ao acontecimento relacionado à família Stark? Como seria o posicionamento de Steffon sobre a captura da prometida de seu filho?
Robert e Stannis poderiam ter se tornado melhores amigos em uma clara mudança em relação ao que resultou na figura paternal de Jon Arryn e a figura de irmão em relação a Ned Stark?
Aerys iria declarar guerra às Terras da Tempestade? Steffon poderiam angariar um pouco mais de lealdade do que seu filho mais velho não testado?
Alguns panoramas para se refletir:
A) Aerys ordena a Jon Arryn que mate Robert junto com Ned, Jon recusa, e Steffon realiza uma aliança com o Norte e o Vale, depois com os Tully, mais ou menos como realmente aconteceu.
B) Aerys não determina a morte do Robert, Steffon não quer problemas devido ao histórico familiar, e convoca Robert de volta para casa para encontrar uma nova noiva para ele;
C) Steffon se junta ao Norte e ao Vale de qualquer maneira, buscando a coroa para si (lembrando que o avô dele - Lyonel Baratheon - tinha realizado uma rebelião frustrada);
As possibilidades são realmente muitas, o que acham disso? Especulem e tragam informações adicionais à vontade.
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2020.05.21 02:57 MarcosMegi Bastardos, criminosos, traiçoeiros e ressentidos: o perfil dos mercenários westerosi na Companhia Dourada

A Companhia Dourada foi uma companhia mercenária criada por Aegor Açoamarco Rivers para unificar os exilados leais aos Blackfyre e de manter forte a causa do Dragão Negro. Como todos os leitores devem saber, a Companhia Dourada forneceu o principal exército dos Blackfyre além do Mar Estreito e continuou a ser uma companhia mercenária respeitadíssima após o fim da Guerra dos Reis das Nove Moedas e das pretensões Blackfyre. Recentemente, a Companhia passou a dar apoio a Aegon VI (FAegon ou Jovem Griff, para outros), um pretendente ao Trono de Ferro. Este texto propõe uma breve análise do perfil dos soldados westerosi conhecidos atualmente na Companhia e como estes homens podem impactar nas alianças e apoios de Aegon VI ao Trono.
Nos é informado ao longo dos livros que a Companhia Dourada possui uma força de 10 mil homens, formada por cavaleiros, arqueiros e elefantes de guerra. A maior parte da Companhia é formada por westerosis exilados e seus filhos, mas também por essossi ou ilhéus das Ilhas de Verão. Como se sabe, uma parte considerável dos membros da Companhia descendem de nobres e cavaleiros que apoiaram as Rebeliões Blackfyre, sendo considerados traidores pela Coroa Targaryen. Jon Connington assim descreveu o perfil dos homens da Companhia: “alguns dos capitães mercenários carregavam nomes bastardos, assim como Flowers, Rivers, Hill, Stone. Outros se arrogavam nomes que certa vez tiveram grande importância na história dos Sete Reinos; Griff contou dois Strong, três Peake, um Mudd, um Mandrake, um Lothston, um par de Cole. Nem todos eram verdadeiros, ele sabia. Nas companhias livres, um homem podia chamar a si mesmo do jeito que quisesse” (Dança dos Dragões, O Senhor Perdido). A descrição feita pelo senhor do Poleiro de Grifo sugerem três possibilidades para o perfil do contingente da Companhia. A primeira, composta por bastardos westerosi. O fato destes bastardos receberem sobrenomes sugerem um nascimento elevado, como filhos de nobres gerados fora do matrimônio. Neste caso, a Companhia surgia como uma possibilidade de ascensão para estes bastardos de nascimento nobre. A segunda possibilidade era de mercenários e guerreiros de nascimento baixo que escolhiam casas nobres extintas como maneira de enobrecimento ou de identificação com Westeros. Por fim, a terceira possibilidade, é a de existência real de membros de casas nobres nas fileiras da Companhia. Como apontou Jon, “nem todos eram verdadeiros”, mas alguns deveriam ser.
Passarei a analisar agora os membros nomeados até o momento da Companhia Dourada que sejam de origem westerosi e ostentem um sobrenome de uma casa nobre.
Harry Strickland: O primeiro a ser analisado é o próprio capitão-general da companhia, Harry Sem Teto Strickland. Harry é um descendente legítimo da Casa Strickland, sendo um dos descendentes dos nobres que apoiaram a Primeira Rebelião Blackfyre. Como o próprio capitão gosta de se orgulhar, ele era um membro da Companhia há 4 gerações. Infelizmente, não existem maiores informações sobre o castelo e a região que a Casa Strickland governava.
Dick e Will Cole: A Casa Cole foi fundada no primeiro século após a Conquista de Aegon. O integrante mais famoso foi sor Cristan Cole, filho de um intendente que servia a Casa Dondarrion, que se tornou membro da guarda do rei e participou ativamente da Dança dos Dragões. Como temos certeza que o único membro conhecido desta casa, sor Cristan Cole, morreu e não há rumores de que tenha gerado bastardos, é muito provável que Dick e Will tenham adotado este nome e não haja nenhuma ligação de parentesco.
Franklyn Flowers: Franklyn é um caso simples. Sua mãe era uma lavadeira que servia a Casa Fossoway em Solar de Cidra. Seu pai é um dos nobres Fossoway. Como possui um nascimento elevado, recebeu um nome de bastardo da Campina. Porém, indubitavelmente o bastardo de Solar de Cidra é descendente de um Fossoway.
Caspor Hill: Outro mercenário bastardo com nascimento elevado que serve na companhia. O seu sobrenome Hill sugere que seja bastardo de uma casa nobre nas Terras Ocidentais. Porém, há poucas informações sobre qual casa. (Aceito sugestões. Existe algum nobre das Terras Ocidentais que tenha gerado um bastardo não nomeado?).
Jon Lothston: A Casa Lothston foi uma casa nobre das Terras Fluviais com sede no famoso castelo de Harrenhal. O fundador da casa foi sor Lucas Lothston, mestre-de-armas da Fortaleza Vermelha, que recebeu o castelo da Coroa por ter aceitado casar-se com Falena Stokeworth (que provavelmente estava grávida do futuro Aegon IV). Os Lothston mantiveram relações dúbias com os Targaryen e sempre estiveram com os pés nos dois campos quando estouraram as Rebeliões Blackfyre. O Bastardo de Harrenhal traiu Daemon I antes da Batalha do Campo do Capim Vermelho e lady Danelle Lothston assistiu ao lorde Corvo de Sangue no cerco de Alvasparedes. Entretanto, a casa caiu em desgraça, por motivos ainda desconhecidos. Rumores sugerem que o acontecimento envolveu a senhora Danelle. Meistre Yandel sugere que a linhagem Lothston foi extinta, mas ele pode estar engando. Jon pode ser o último descendente legítimo e vivo da Casa Lothston, que decidiu ir ao exílio após a família perder o seu direito a Harrenhal. Servir aos Blackfyre poderia remunerar e recompensar, no futuro, a perda de poder da família.
Lorimas Mudd, Velho John Mudd, Jovem Jhon Mudd: Os três são mercenários na Companhia que alegam descendência da antiga Casa Mudd, a casa real que governou o Reino dos Rios e das Montanhas no período anterior a invasão ândala. Aqui eu já acredito que seja o caso de nomes escolhidos ao acaso.
Laswell Peake, Pykewood Peake e Torman Peake: O apêndice de Dança dos Dragões aponta Laswell como um senhor exilado. Pykewood e Torman seriam seus irmãos. Os três com certeza descendem da Casa Peake, notórios apoiadores Blackfyre. A Casa Peake levantou-se em rebelião em 233 contra a Coroa Targaryen, ocasião em que após a derrota foram privados de um dos seus castelos. É possível que Laswell descenda do senhor que perdeu o castelo ou mesmo seja parente do atual senhor Peake, em Westeros.
Tristan Rivers: Outro mercenário bastardo com nascimento elevado que serve na companhia. O seu sobrenome Rivers sugere que seja bastardo de uma casa nobre nas Terras Fluviais. Porém, há poucas informações sobre qual casa. (Aceito sugestões! Existe algum nobre das Terras Fluviais que tenha gerado um bastardo não nomeado?).
Humfrey Stone: Outro mercenário bastardo com nascimento elevado que serve na companhia. O seu sobrenome Stone sugere que seja bastardo de uma casa nobre no Vale. Porém, há poucas informações sobre qual casa. (Aceito sugestões! Existe algum nobre no Vale que tenha gerado um bastardo não nomeado?).
Duncan e Denys Strong: A Casa Strong era uma antiga casa das Terras Fluviais, vassala dos Tully. A casa conseguiu preeminência com o prêmio de Harrenhal em 73, após a conquista, e posição política durante o reinado do rei Viserys, quando Lyonel Strong tornou-se mão do rei e seu filho Larys foi nomeado mestre dos sussurros. A Casa Strong foi extinta durante a Dança dos Dragões. É possível que Duncan e Denys descendam de membros da família que fugiram de Westeros, mas é muito improvável.
O que todos estes nomes apontam? Que o comentário de Laswell Peake no conselho de guerra da Companhia Dourada possui um grau moderado de razoabilidade. Com exceção dos Mudd, Strong e Cole, os outros mercenários westerosi da Companhia apresentam laços com casas nobres em Westeros. Laswell Peake possuí algum parentesco com o atual lorde Peake na Campina, assim com o bastardo de Solar de Cidra com a casa Fossoway. Tristan Rivers, Caspor Hill e Humfrey Stone podem indicar (ou não) apoio de outras casas nobres em outras regiões de Westeros. A presença de exilados e bastardos, para além de um problema com remunerações posteriores a guerra, pode indicar na verdade um meio para se garantir ou propor alianças a casas nobres em Westeros. Qual a opinião de vocês?
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2020.05.06 18:00 diogoman O falso discurso de mulheres que dizem que aparência não importa - Uma análise do textão da u/lawelaa com o que acontece na vida real

Ontem e usuária u/lawelaa postou um textão aqui na comunidade, que pode ser visto aqui neste link
https://www.reddit.com/sexualidade/comments/gdnzdw/homens_leiam_isso/
Em seu textão de desabafo e conselho, a usuária diz que elas, as mulheres, não acham aparência tão importante assim. Segundo ela, basta o homem ter atitude, andar bem vestido, e saber conversar, que as mulheres darão abertura.
Quando vejo esse tipo de textão, cedo ou tarde a pessoa autora cai em contradição.
A usuária escreveu como se as mulheres realmente não importassem com a aparência. Como se aparência fosse a última coisa que as mulheres como ela vissem, mas não.
Por conta do feminismo surgiu um tal de "empoderamento feminino", ao qual a mulher sabe muito bem que o poder de escolher o cara é totalmente dela. Ou seja, elas são disputadas pelos homens, e cabe a elas escolher qual cara querer. E todo mundo sabe que antes da mulher saber sobre caráter, inteligência, se o cara é companheiro, elas aprovam o cara pela aparência.
Pior disso tudo ainda é quando as mulheres falam que basta o cara se vestir bem e ser cheiroso, que vai ter a atenção delas.
Porém não é bem assim.
Vivemos num país altamente racista. Homens negros, pardos, com cabelos crespos, que são comumente retratados como "de periferia", sempre são deixados de lado, e automaticamente são colocados como "feios", enquanto homens brancos, de cabelos lisos, traços europeus, que são retratados como "de classe média", são mais disputados pelas mulheres.
O jogo de interesses no flerte também é racista.
É tão racista que aqui na comunidade tem uma mulher que se diz negra, gorda, e virgem aos 22 anos. Ela mesma disse que cresceu ouvindo dos outros que ela é feia. E ela mesma disse que não gosta de caras negros como ela, ou pardos, e ela mesma escolhe pela aparência.
Agora chego ao ponto em que a u/lawelaa cai em contradição: chamei a usuária pra conversar no privado. Mostrei minha foto e perguntei se realmente ela achava se as mulheres me dariam chance por me virem como um cara atraente. Ela disse no início que eu não era feio, mas "pegável", ou seja, ela disse de maneira educada que eu era feio. Após eu dizer pra ela o significado do termo por ela adotado, ela disse que meu problema era falta de confiança em mim mesmo, e disse que eu precisava de fazer terapia porque tinha autoestima baixa.
A contradição da usuária é nítida.
Primeiro ela diz que sou "pegavel". Depois diz que minha baixa autoestima é um problema meu.
Ela diz como se a confiança e autoestima são fatores exclusivamente internos.
Na cabeça dela, uma pessoa que passou a vida inteira sendo chamada de "pegavel" deveria ter confiança em si mesma de modo que isso não abalasse sua autoestima e até sua própria aceitação.
Nunca vi uma pessoa bonita ser insegura de sua aparência no que diz em relações amorosas e para flertes.
Concluindo, esse tipo de texto escrito pela usuária é hipócrita, ela fala como se mulheres não vissem a aparência, e não selecionassem pela aparência. E o pior, ela fala isso como se aparência não fosse importante, sendo que é sim, é tão importante que só depois da aparência que as mulheres vão ver se o cara tem o tal do caráter.
Sei que vai vir um monte de mulheres aqui dizendo que nós homens somos visuais, mas convenhamos, mulheres, vocês estão muito mais visuais que nós. Vocês não querem se relacionar com homens feios ou "pegáveis".
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2020.05.04 16:30 kamov172 (Nofap) uma reflexão sobre a masturbação

Olá a todos!
Eu queria deixar uma reflexão para todas as pessoas que têm um passado como o meu, quero deixar conselhos, e ajudar as pessoas que estão na mesma situação.
Vou começar por falar um pouco sobre mim.
Sempre fui um rapaz normal. Tinha o meu circulo social, amigos, familia, e levava uma vida como quase toda a gente. Estava nos meus 10-11 anos e como todos nós, comecei a interessar-me por sexo e por relações sexuais. Era aquela altura em que era um tema que nos interessava, e a certo ponto, todos nós, ou quase todos somos introduzidos à pornografia. Quem é que nunca viu vídeos pornográficos não é verdade ?
Pois bem, o que a maioria das pessoas não sabe é que ver pornografia torna-se um cancro. Por volta dessa idade comecei a masturbar-me, tal como todos nós e levei essa rotina durante anos.
Aquilo que muitos não sabem, é que o cérebro adapta-se a tudo. A pornografia é um atiçador em especial do nosso circuito de recompensa: a Dopamina. A dopamina é libertada quando fazemos algo que gostamos, é a substância do prazer. Os estimulos da pornografia estão disponiveis com um simples clique, podemos ter uma "nova parceira", qualquer um de nós pode ficar a clicar por horas e experimentar muito mais estimulos em dez minutos do que qualquer um dos nossos antepassados puderam experimentar durante uma vida inteira.
O consumo excessivo (sexo ou masturbação) é o sinal do nosso cérebro primitivo de que nós conseguimos alcançar o "prémio evolucionário", os estimulos constantes saturam e a descarga de dopamina que recebemos é cada vez menor. Quantos casos de pessoas há que vêm pornografia hardcore ? Isso não é ao acaso. No inicio a maioria das pessoas procura pornografia leve, mas com o passar do tempo evoluem para algo mais perturbante.
Mas o que é que torna a pornografia tão especial ? Eu explico. Ao contrário do vício em comida ou até drogas, onde temos sempre um limite para consumo, não existe nenhum limite p´ratico para o consumo de pornografia, e aí é que reside o problema.
Explicação à parte, agora dirijo-me para as pessoas que se masturbam compulsivamente e vêm pornografia a mais, por acaso têm estes sintomas?
- Impotência copulatória (disfunção erétil), ser capaz de obter uma ereção a masturbar-se e a ver pornografia mas não com uma parceira real ?
- Ansiedade social ?
- Ansiedade ? Depressão ?
Aquilo que eu quero que vocês percebam, é que hoje em dia há um enorme aumento de jovens que relatam ter algum tipo de disfunção erétil, e isso não é ao acaso, o fácil acesso à pornografia faz com que tenhamos uma anestesia ao prazer. Eu próprio passei por isso, quando tive a minha primeira vez senti imensa dificuldade em ter uma ereção, já me aconteceu ele nem sequer levantar, o que as pessoas não associam é ao facto de que a maioria destas pessoas, inclusive eu, vêm demasiada pornografia e masturbam-se demais.
O Nofap é um movimento que foi criado depois de algumas pesquisas e estudos sobre a pornografia e o efeito que tem no nosso cérebro. O Nofap NÃO É um movimento que proíbe a masturbação, a masturbação NADA tem de mal, excepto, quando é praticada em demasia, e pior ainda quando é praticada com PORNOGRAFIA.
Os sintomas que muitas pessoas sentem, apesar de às vezes não se aperceberem deste problema/vício, é que 90% das pessoas que têm esta rotina ou tiveram durante anos têm graves problemas sociais, problemas psicológicos, falta de motivação, afinal, porque é que devemos ir atrás de parceiras reais quando podemos estar na cama, masturbar e ao mesmo tempo ver aquelas modelos top ? Quantos de vocês que levam esta rotina é que têm uma vida sexual ativa ? Quase nenhum certo ?
Esta é a minha experiência. Aos 16 anos descobri o Nofap, pesquisei, ví vídeos, artigos, li diversas opiniões e de certa forma relacionei-me com o problema que foi exposto, o consumo excessivo de pornografia e masturbação excessiva, e o modelo que o Nofap propõe para dar aquilo que o movimento chama de "Reboot" é parar durante 90 dias a masturbação e parar de ver pornografia.
A verdade é que muitas só percebem que têm um problema/vício quando tentam parar, e esse foi o meu caso. Nessa altura consegui passar mais ou menos 50 dias sem masturbação e pornografia, admito, foi díficil, e muitos de vocês podem brincar com isto, mas eu não me importo, aquilo que muitos brincam para outros pode fazer uma diferença brutal, senti uma melhora significativa nas minhas interações sociais, senti menos ansiedade, mais confiança, e sobretudo ao fim de tanto tempo sem masturbação e pornografia comecei a sentir que as mulheres na vida real me excitavam muito mais do que antes.
E isto deve-se a quê ? Quando paramos a masturbação e pornografia cortamos pela raiz uma das maiores fontes de dopamina. E nós somos caçadores de dopamina por excelência. É para isso que vivemos, é para isso que acordamos. Quando acabamos um projeto que nos demorou imenso tempo recebemos uma recompensa, a dopamina, e é isso que nos mantém motivados, focados para ter aquilo que queremos. Quando nos masturbamos e vemos demasiada pornografia recebemos tanta mas tanta dopamina que sentimos como se nada tivessemos a alcançar, afinal, eu consigo obter tanta satisfação sem fazer nada, porque raio haveria eu de ir atrás dos meus objetivos ? Quando cortamos esta fonte de dopamina, principalmente a satisfação sexual que é proveniente da masturbação e da pornografia, ao fim de um tempo o nosso cérebro adapta-se, e como seres sexuais que somos, estamos constantemente à procura de sexo, é natural. Percebam a diferença, quando nos masturbamos e vemos pornografia não temos a minima vontade de ir atrás de uma parceira real, quando cortamos essa rotina, aos poucos a sensibilidade volta, e começamos a prestar mais atenção às mulheres.
O que eu quero dizer é, a masturbação é saudável, quando praticada moderadamente.
A grande verdade é que a pornografia de nada trás de bom. Nunca pensaram porque é que a pornografia é grátis ? É fácil de chegar a uma conclusão.
Aquilo que vos quero dizer no fundo é que espero que este tópico por ser longo espero que ajude as pessoas que estão neste problema, e que comecem a ter noção de que a pornografia e a masturbação excessiva é prejudicial, e trás consequências.
https://www.youtube.com/watch?v=wSF82AwSDiU
Têm aqui um vídeo de um especialista que explica muito bem o que a pornografia muda no nosso cérebro, é uma palestra interessante e deviam ver.
Obrigado por lerem.
Cumprimentos.
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2020.04.11 01:26 DivinaNunato Pandemia revela que mundo pós-ocidental já chegou

Historicamente, momentos de grande instabilidade geopolítica ― como guerras ou profundas crises econômicas ― costumam marcar o fim ou o início de uma época. Não necessariamente pela crise em si, mas por seu poder de revelar novas realidades que, em momentos de paz e estabilidade, não estavam facilmente visíveis. É quando se percebe, de maneira repentina, que arranjos antigos e modos de convivência articulados décadas antes se tornaram obsoletos.
Em 1898, por exemplo, a vitória dos Estados Unidos na guerra contra a Espanha em Cuba e nas Filipinas levou à perda das possessões espanholas nas Américas e no Pacífico ― mais importante do que isso, porém, o evento revelou algo que muitos analistas já sentiam, mas que não havia se manifestado tão claramente: os Estados Unidos, naquela época ainda com poder bélico limitado, estavam no processo de se tornar uma potência global. Ficou óbvio que os países europeus, a maioria dos quais tinha dado apoio diplomático à Espanha até o início das hostilidades, já não tinham como deter Washington.
Outro exemplo é a Crise de Suez em 1956, quando a atuação decisiva dos EUA revelou que a Europa já não controlava eventos no Oriente Médio. Enquanto Londres ainda se via como grande potência até então, eventos no Egito mostraram ao mundo que só havia duas potências globais ― os EUA e a União Soviética. Depois de Suez, nem os políticos mais patrióticos em Londres e Paris tinham como negar a dura realidade de que os europeus teriam de se contentar com seu status de potência de segunda classe.
Foi a crise financeira de 2008 que revelou que, embora os EUA ainda liderassem o mundo, o país já não tinha capacidade de resolver sozinho a maior instabilidade econômica desde a Segunda Guerra Mundial. O arranjo antigo, simbolizado pelo G7 ― grupo de cinco países europeus mais ricos, além dos EUA e do Japão ― cujos líderes até então tinham se reunido periodicamente para gerir a economia global, já não servia mais. Os BRICS, sobretudo a China, lideraram a resposta à crise, aumentaram suas contribuições financeiras ao FMI e os encontros anuais do G20 tornaram-se a principal plataforma para discutir o futuro da economia global.
O relativo declínio dos EUA no tabuleiro global, desde então, tornou-se visível em diversos momentos. Em 2014, o Governo Obama foi incapaz de ganhar o apoio da comunidade internacional em sua tentativa de isolar o Governo Putin depois da invasão e anexação russa da Crimeia ― algo que a Rússia dificilmente teria ousado fazer dez anos antes. Na sangrenta guerra na Síria, que produziu a maior crise migratória em décadas e desestabilizou a Europa, Washington nunca chegou a controlar eventos. Com a chegada de Trump, cuja eleição foi muito mais reflexo do que causa da erosão da hegemonia americana, os EUA retiraram-se dos três principais debates globais da atualidade: a liberalização do comércio, a crise migratória e a mudança global do clima. Mais recentemente, Trump fracassou no que talvez seja o maior legado da sua presidência: foi incapaz de demover a maioria dos seus principais aliados, entre eles o Reino Unido, de excluir a empresa chinesa Huawei da construção da rede de telecomunicação 5G, que dará um enorme poder à China na economia do século 21.
A resposta confusa e incoerente do Governo americano ao novo coronavírus ― que Micah Zenko, especialista de segurança internacional, chamou de “maior falha de inteligência na história dos EUA”, mostra que Washington não está preparada para assumir a liderança global na maior crise que a humanidade enfrenta atualmente. Em artigo intitulado The Death of American Competence, o professor de Harvard Stephen Walt escreveu recentemente que “a reputação de expertise de Washington tem sido uma das suas principais fontes de poder. O coronavírus provavelmente acaba com isso de maneira irreversível.” Pior, acumulam-se relatos de que o Governo americano está confiscando encomendas de máscaras e ventiladores chineses feitos por países aliados, entre eles a Alemanha e a França.
É provável que o Governo chinês não tenha compartilhado todas as informações sobre o número de vítimas no início da pandemia. Não se sustenta, porém, o discurso vitimista e conspiratório de Trump de que a China seja responsável pela resposta incoerente dos EUA. Afinal, tanto a Alemanha quanto a Coreia do Sul conseguiram, com informações publicamente disponíveis, articular estratégias muito mais eficazes do que Washington.
O fracasso retumbante dos EUA na resposta à pandemia tem um grande impacto para seu papel no mundo porque países não apenas se tornam grandes potências pelo poder militar que acumulam, mas também por sua capacidade de resolver problemas internacionais e prover bens públicos globais ― fundamentais para que sua liderança seja vista como legítima pela comunidade internacional. Consciente das limitações que seu sistema político autoritário impõe na tentativa de acumular soft power, o Governo de Pequim tem buscado prover cada vez mais bens públicos, como, por exemplo, enviando mais soldados para missões de paz da ONU do todos os outros membros permanentes do Conselho de Segurança juntos; tornando-se principal investidor e parceiro comercial na maioria dos países em desenvolvimento; e convertendo-se em maior investidor em tecnologia sustentável do mundo. A decisão de Pequim de doar equipamento médico a países ao redor do mundo, bem como sua capacidade de aumentar a produção de máscaras e ventiladores em meio à pandemia, é prova da ambição chinesa de preencher o vácuo de poder global deixado por Washington. Não parece haver dúvida de que será Pequim, e não os EUA, a principal fonte de financiamento para ajudar outros países a superar a recessão global que virá.
Levará anos para se poder avaliar as consequências geopolíticas da pandemia. Muito, porém, indica que ela será lembrada por historiadores como um “momento Suez” para os Estados Unidos ― revelando, de maneira inegável, que a comunidade internacional já não olha para Washington para resolver seus problemas mais urgentes. Além de acelerar o fim da liderança americana, a atual crise o revela de maneira mais nítida, tornando urgente o debate sobre como se adaptar ao mundo pós-ocidental.
Oliver Stuenkel é professor-adjunto de relações internacionais da FGV-SP
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2020.04.08 09:40 Emile-Principe O Comunismo é a eliminação da propriedade privada - Zhou Xincheng (Traduzido do mandarim para o português por Gabriel Gonçalves Martinez, membro fundador da URC, Uniao da Reconstrucao Comunista)

Há 170 anos, Marx e Engels declararam solenemente no programa comum do Partido Comunista – o “Manifesto Comunista” – que “os Comunistas podem generalizar suas teorias em uma sentença: eliminar a propriedade privada”.
Por Zhou Xincheng*
O objetivo máximo do Partido Comunista é conquistar o comunismo. Para conquistar a posse comum dos meios de produção material, é inevitável eliminar a propriedade privada. A eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública, são as duas missões originais que os comunistas não podem esquecer. Essa é a missão que os comunistas devem ter em mente. Aquele que esquece tal missão, não pode ser chamado de membro do Partido Comunista.
No entanto, desde o início da Reforma e Abertura, algumas pessoas, conhecidas como “membros do Partido Comunista”, estão tentando o seu melhor para criticar a ideia de eliminar a propriedade privada e advogam a privatização.
Começando da “hipótese do homem econômico”, eles consideram que a natureza humana é egoísta. A propriedade pública viola a natureza humana e está destinada a falir. A propriedade privada é compatível com a natureza egoísta do homem, então a propriedade privada seria algo eterno, algo impossível de ser eliminado. Assim, eles entoam o slogan “Vida longa à propriedade privada!”.
Este pensamento é tão profundamente enraizado na cabeça de alguns, que quando um economista neoliberal como Zhang Wuchang (Steven N. S. Cheung, economista de Hong Kong), apresentou a “experiência da reforma” em uma reunião de quadros do departamento de administração, alegando que o “único caminho possível é o da privatização”, os quadros partidários que ali estavam, não só não ousaram refutá-lo, como também publicaram o discurso de Zhang Wuchang.
Que coisa estranha em um país socialista que está sob a direção do Partido Comunista!
Eu realmente não sei se esses membros do Partido Comunista realmente juraram “lutar pelo comunismo por toda a vida” quando ingressaram no Partido. É isto verdadeiro ou falso?
Algumas pessoas fazem alarde a respeito da tradução (do Manifesto Comunista), dizendo que a tradução está errada. Que a passagem em questão não deveria ser traduzida como “eliminar a propriedade privada.” Isso significaria que a propriedade privada não pode ser eliminada. Assim, seria necessário absorver sua essência e abandonar seus aspectos irrazoáveis (da propriedade privada).
No geral, essas pessoas também consideram que a natureza humana é egoísta, e a propriedade privada estaria em consonância com tal natureza egoísta.
No que diz respeito à tradução, o antigo diretor do Birô Central do Comitê de Tradução e Compilação do Comitê Central do Partido Comunista, Gu Jinping, escreveu um artigo especial para refutar tais ideias.
Ele demonstrou de várias maneiras que a tradução “eliminar a propriedade privada” está em consonância com a original intenção dos autores e é completamente correta. Essas pessoas na verdade querem defender o sistema de propriedade privada. Tentam de maneira repugnante vender suas próprias ideias e pensamentos, como se estes fossem os pensamentos de Marx e Engels.
A eliminação da propriedade privada é uma tendência objetiva e inevitável do desenvolvimento social
Os socialistas utópicos defenderam a ideia de eliminar a propriedade privada. Thomas Moore, que viveu na era histórica onde o sistema feudal começava a se desintegrar e o capitalismo surgir, odiou profundamente os meios bárbaros e cruéis da acumulação primitiva do capital. Ele acreditava que a propriedade privada era a raiz de todo o mal. Concebeu como ideal uma sociedade baseada na propriedade pública, trabalho para todos, alta moralidade, despreocupação, não exploração e não opressão. Ele descreveu este reino ideal em detalhes no seu livro Utopia. Este livro foi o pioneiro do socialismo utópico e inspirou uma geração inteira de socialistas utópicos. Depois, Saint-Simon, Owen e Fourier desenvolveram os pensamentos de Moore e formaram uma ideologia socialista utópica. Marx reconheceu os méritos históricos do socialismo utópico. O socialismo utópico analisou os defeitos do sistema capitalista em seu período inicial, prevendo a tendência histórica de que a propriedade privada seria substituída pela propriedade pública, adivinhando genialmente características básicas do futuro sistema social.
O socialismo utópico foi uma importante fonte de pensamento para a formação do marxismo. No entanto, Marx e Engels também pontuaram que o socialismo utópico era ainda o pensamento imaturo da classe operária, que havia acabado de entrar na arena política na fase inicial do capitalismo. O socialismo utópico partia da racionalidade do ser-humano, atacando todos os fundamentos da sociedade capitalista, propondo opiniões positivas sobre a sociedade futura. Tais afirmações não se baseiam em uma análise das relações de produções materiais da sociedade, mas sim nos conceitos éticos e morais das pessoas, portanto são afirmações não-científicas e historicamente idealistas. Ao mesmo tempo, eles não identificaram o poder para realizar tais ideias e rejeitaram todo tipo de ação política. Eles sempre faziam apelos a toda sociedade, principalmente as classes dominantes, pensando que na medida em que o povo entendesse suas ideias, poderiam assim criar a nova sociedade. O socialismo utópico é uma fantasia que não pode ser realizada. Marx e Engels apontaram que o significado do socialismo utópico “está na proporção inversa do seu desenvolvimento histórico. À medida em que a luta de classes se acentua e toma formas mais definidas, o fantástico afã de abstrair-se dela, essa fantástica oposição que se lhe faz, perde qualquer valor prático, qualquer justificação teórica” (Manifesto do Partido Comunista, sobre o comunismo utópico-crítico).
Marx e Engels usaram o materialismo histórico e a teoria da mais-valia, descoberta por eles, para absorver o conteúdo positivo do socialismo utópico e criar o socialismo científico. Afirmaram que a eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública são os objetivos das leis do desenvolvimento da sociedade humana e uma tendência inevitável da história. Ao desenvolverem o socialismo científico, eles não partiram das boas intenções dos seres humanos para criticar o capitalismo e formular novos programas sociais. Eles acreditavam que “este apelo à moral e ao direito não nos faz avançar cientificamente nem uma polegada; a ciência econômica não pode encontrar, na indignação moral, por mais justificada que ela seja, nem razões nem argumentos, mas simplesmente sintomas.” Eles procederam da análise das relações de produções materiais do capitalismo e chegaram a conclusão que a propriedade privada seria eliminada.
Sua lógica era de que o com desenvolvimento do capitalismo, o aprofundamento da divisão social do trabalho e a proximidade dos laços econômicos, a produção estava se tornando cada vez mais social. Cada produto não é mais produzido por um trabalhador individual, mas sim produzido por um grupo de trabalhadores. Os produtos produzidos são produzidos para o consumo social e as necessidades matérias de produção são fornecidas pela sociedade, estando as unidades de produção intimamente ligadas umas com as outras, convertendo-se em um todo orgânico. Essa natureza da produtividade, objetivamente requer que a sociedade controle os meios de produção e regule a operação de toda a economia nacional de acordo com as necessidades da sociedade. No entanto, sob condições capitalistas, os meios de produção são apropriados de maneira privada pelos capitalistas e o objetivo da produção é obter a mais-valia. A propriedade privada burguesa dificulta a realização desse requerimento objetivo das forças produtivas sociais.
O modo de produção está em contradição com o modo de apropriação. A contradição entre o caráter social da produção e a apropriação capitalista se tornou a contradição básica do capitalismo. Essa contradição é a raiz de todas as doenças do sistema capitalista. Para superar tal contradição, a propriedade privada capitalista deve ser substituída pela propriedade pública dos meios de produção. Engels fez uma incisiva análise sobre essa questão. Ele disse: “Hoje, porém, quando, pelo desenvolvimento da grande indústria se criaram, em primeiro lugar, capitais e forças produtivas numa quantidade nunca antes conhecida e existem meios para, num curto lapso de tempo, multiplicar essas forças produtivas até ao infinito; quando, em segundo lugar, essas forças produtivas estão concentradas nas mãos de poucos burgueses, enquanto a grande massa do povo se converte cada vez mais em proletários, enquanto a sua situação se torna mais miserável e insuportável, na mesma proporção em que se multiplicam as riquezas dos burgueses; quando, em terceiro lugar, estas forças produtivas poderosas e que se multiplicam facilmente ultrapassaram de tal maneira a propriedade privada e os burgueses que provocam a cada momento as mais violentas perturbações na ordem social – agora a abolição da propriedade privada.” (Engels, Princípios Básicos do Comunismo)
Marx também expressou vividamente essa ideia. Ele disse: O monopólio do capital torna-se um entrave para o modo de produção que com ele e sob ele floresceu. A centralização dos meios de produção e a socialização do trabalho atingem um ponto em que se tornam incompatíveis com o seu invólucro capitalista. Este é rompido. Soa a hora da propriedade privada capitalista. Os expropriadores são expropriados. (Marx, O Capital. A Chamada Acumulação Original)
Podemos afirmar que Marx e Engels acreditavam que a eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública derivam da natureza social das forças produtivas e são um requerimento objetivo para o seu desenvolvimento. Essa é uma lei do desenvolvimento social e uma tendência inevitável da história.
A questão da propriedade é uma questão básica do movimento comunista
O Manifesto Comunista claramente apontou que o problema básico do movimento comunista é a questão da propriedade. Marx e Engels prestaram grande atenção à questão da propriedade, então eles resumiram sua teoria em uma sentença: eliminar a propriedade privada.
Desde a implementação da Reforma e Abertura, há essa tendência de diluir e mesmo negar o significado da propriedade dos meios de produção materiais. Por um período, o argumento “não pergunte, apenas faça” é bastante popular. Este argumento considera que a diferença entre a propriedade pública e a propriedade privada não é importante, contanto que a economia possa ser desenvolvida. Argumentam que toda essa discussão é algo débil, sem importância. O que realmente importa é fazer com que a economia cresça. Não pergunte se algo é “público” ou “privado”, assim como não pergunte se algo é “social” ou “capital”, ou seja, não pergunte sobre questões políticas, tais como sobre a natureza de um sistema social.
Esse tipo de argumento conduz a uma série de problemas no campo da pesquisa econômica.
Por exemplo, sobre o problema no campo da distribuição, a tendência geral é não conduzir pesquisas partindo da análise da propriedade dos meios de produção, fazendo assim uma confusão sobre políticas específicas de distribuição. Essa é a tendência do “socialismo vulgar” criticada por Marx.
A propriedade pública possui um método de distribuição particular a propriedade pública. A propriedade privada possui um método de distribuição particular a propriedade privada. Como nós podemos tentar explicar o problema da distribuição se abandonarmos a análise da propriedade?
Diluir ou mesmo ignorar a questão da propriedade é uma visão politicamente e academicamente irrazoável.
O conceito de propriedade dos meios de produção é um conceito muito importante do Marxismo
Para os seres humanos sobreviverem e se desenvolverem, é necessário que se engajem na produção material. No processo de produção, as pessoas não somente se relacionam com o mundo material, mas também contraem determinadas relações uns com os outros, ou seja, relações de produção. Indivíduos isolados, que não possuem relações sociais com outras pessoas, não podem sobreviver. Todo tipo de produção é levado a cabo dentro de um determinado tipo de relação de produção. Sem relações de produção, não existe produção material. A soma das relações de produção são a base econômica da superestrutura da sociedade.
As relações econômicas entre as pessoas no processo de produção material são diversas e as relações de produção são um complexo sistema com múltiplos níveis de conteúdo.
Nesse sistema, a propriedade dos meios de produção material joga um papel decisivo e são a base de toda as relações de produção. Em uma sociedade onde uns possuem os meios de produção e outros não, aqueles que são proprietários dos meios de produção possuem vantagens no processo produtivo.
Os proprietários dos meios de produção se apropriam dos produtos criados pelo trabalho excedente daqueles que perderam os meios de produção. Isto é a exploração.
Os fundamentos para a eliminação da exploração, estão em uma sociedade onde os trabalhadores compartilham igualmente dos produtos produzidos pelo trabalho e todos são iguais diante dos meios de produção.
A propriedade dos meios de produção determina também o caráter da produção, assim como determina a natureza das relações econômicas entre o povo no processo de trabalho e distribuição. A natureza da sociedade, economicamente, depende da forma de propriedade dos meios de produção.
Sem entender o sistema de propriedade não se pode entender a natureza das relações econômicas e não se pode jugar a natureza de uma sociedade.
Engels resumiu a história do desenvolvimento da sociedade humana e apontou que, embora a revolução social seja um ato político, em última análise ela visa alterar a propriedade dos meios de produção materiais. Ele disse:
“Até hoje, todas as revoluções têm sido contra um tipo de propriedade e em favor de outro; um tipo de propriedade não pode ser protegido sem que se lese outro. Na grande Revolução Francesa, a propriedade feudal foi sacrificada para que se salvasse a propriedade burguesa (…) desde a primeira até a última dessas chamadas revoluções políticas, todas elas se fizeram em defesa da propriedade, de um tipo de propriedade, e se realizaram por meio do confisco dos bens (dito de outro modo: do roubo) por outro tipo de propriedade.” (Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. Capítulo V. Gênese do Estado Ateniense).
Essas palavras clarificam o papel decisivo do tipo de propriedade dos meios de produção materiais no desenvolvimento da sociedade.
Portanto, Marx e Engels propuseram no Manifesto Comunista que “a revolução comunista é a ruptura mais radical com as relações de propriedade tradicionais.”
Lenin também enfatizou esse ponto: “A classe operária deve obter sua verdadeira libertação. A revolução social que deve ser produzida devido ao pleno desenvolvimento de modo de produção capitalista é eliminar a propriedade privada dos meios de produção e transformá-los em propriedade pública.” Eles sempre enfatizaram a questão da propriedade e enfatizaram a eliminação da propriedade privada. Subestimar essa questão é uma violação do Marxismo.
Sem dúvida, a eliminação da propriedade privada não pode ser alcançada do dia para a noite, devendo ser realizada gradualmente, na medida que as condições amadureçam.
Engels apontou em sua resposta para tal questão, que era impossível eliminar a propriedade privada de uma vez. “A propriedade privada só poderá ser abolida quando estiver criada a massa de meios de produção necessária para isso.”
De um modo geral, a revolução e construção socialista em países atrasados econômico e culturalmente, devido ao relativo baixo desenvolvimento das forças produtivas e o desenvolvimento desigual, determina que o setor privado também tem um efeito positivo no desenvolvimento da economia nacional, dentro de um certo escopo.
Na vida real, a propriedade privada não pode ser completamente eliminada e uma só propriedade pública estabelecida. A China encontra-se na fase primária do socialismo. A natureza e o nível de produtividade determinam que nós só podemos implementar o sistema econômico básico na qual a propriedade pública é o pilar da economia e múltiplas formas de propriedade se desenvolvem conjuntamente.
Nós devemos também encorajar, apoiar e guiar a economia privada. No entanto, devemos apontar que, primeiro, a existência e o desenvolvimento da propriedade privada não é porque a propriedade privada é relação de produção avançada, ou reflete a “natureza humana”, mas sim é algo determinado pelo atraso da produtividade.
Segundo, futuramente, com o desenvolvimento da produtividade, nós iremos eliminar completamente a propriedade privada.
Tal objetivo não pode ser ocultado.
O desenvolvimento da propriedade privada, para desenvolver a economia e criar condições para a ulterior eliminação da propriedade privada, faz parte da dialética da história. Aquele que esquece tal missão, não pode ser qualificado como comunista.
Atualmente, entorno da luta para desenvolver a propriedade pública e gradualmente eliminar a propriedade privada, focar em como lidar com a economia estatal
Desde a reforma e abertura, existe um intenso debate teórico e prático sobre aderir e desenvolver a propriedade pública ou enfraquecer a propriedade pública, promovendo a privatização. O foco do debate é sobre como tratar a economia estatal. Isso ocorre porque nas condições do socialismo, a economia estatal é a principal forma de propriedade pública.
Em 10 de outubro de 2016, o Secretário-Geral Xi Jinping pronunciou um importante discurso na Conferência Nacional sobre a Construção das Empresas Estatais. No começo do seu discurso, a seguinte questão foi levantada:
“Precisamos ou não das empresas estatais?” Ele respondeu: “Eu não levantei essa questão aleatoriamente, para causar alarmismo, mas esse é um problema muito sério que devemos enfrentar.”
Ele continuou:
“Sob a liderança do Partido Comunista da China e o sistema socialista chinês, as empresas estatais e a economia estatal devem continuar crescendo e se desenvolvendo. Isso é algo inquestionável, no entanto, por algum tempo, algumas pessoas na sociedade têm criado estranhas teorias sobre as empresas estatais, falando sobre o ‘monopólio das empresas estatais’, que ‘a existência das empresas estatais é insuportável’, advogando pela ‘privatização’. Várias forças hostis e algumas pessoas com motivações ocultas focam nas empresas estatais, atacando-as e difamando-as, proclamando que ‘as empresas estatais estão quebradas’. Afirmam que o ‘desmembramento’ é a melhor forma para reformar as empresas estatais. Essas pessoas são bastante conscientes da importância das empresas estatais para a governança de nosso partido, para nosso sistema socialista, promovendo assim a confusão na mente das pessoas. Alguns camaradas não possuem clareza em relação a essa questão. Nós devemos dominar as questões políticas. Nós não podemos achar que isso é a apenas uma questão de propriedade ou meramente econômica. Isso seria bastante ingênuo!”
Devemos ver o debate sobre as empresas estatais a partir de uma perspectiva política. As empresas estatais são o pilar do socialismo com características chinesas. Sem as empresas estatais, todo o sistema do socialismo com características chinesas entrará em colapso.
Desde a reforma e abertura, sempre há algum “economista famoso” que advoga a tese de que o socialismo com características chinesas não requer a economia estatal. Os argumentos não são os mesmos, mas a ponta de lança é bastante consistente: as reformas devem eliminar as empresas estatais.
A demonização das empresas estatais quase tornou-se a opinião pública dominante. Portanto, por um período de tempo, um furação que vendeu diversas empresas estatais foi causado, resultando em grandes perdas de ativos estatais.
Wu Jinglian (economista chinês) é talvez o mais determinado e radical a defender que o socialismo não requer empresas estatais. Partindo das posições do neoliberalismo, vê que as empresas estatais não são agradáveis aos olhos e devem ser completamente eliminadas. Na véspera da Terceira Sessão Plenária do 18. Comitê Central do Partido Comunista da China, ele comentou que a reforma da China estaria em sua pior época. Ele disse que depois de mais de 30 anos, o resultado foi a criação de um sistema misto. Do que esse sistema é formado? Além de não conseguir promover a mercantilização completa, algumas empresas estatais foram mantidas. Ele disse que, para avançar as reformas, é necessário cancelar a principal forma de propriedade pública: a economia estatal.
O mais odioso é que ele criou o rumor de que Deng Xiaoping considerava que o socialismo não requer empresas estatais.
Wu Jingliang afirmou em uma entrevista para o site Fenghuang.com, em 16 de outubro de 2016: “O socialismo não tem nada a ver com Estado ou não-Estado.” Por essa razão, fui checar as Obras Escolhidas de Deng Xiaoping. Não há nenhum tipo de afirmação desse tipo nas Obras de Deng Xiaoping.
Em agosto de 1985, quando falava sobre a necessidade de as reformas aderirem a direção do socialismo, Deng Xiaoping apontou: “O socialismo possui dois importantes aspectos: um é que ele está baseado na propriedade pública, outro é que ele se opõe a polarização. A propriedade pública, incluindo a propriedade de todo o povo e propriedade coletiva, agora representa mais de 90% da economia.”
Embora ele não fale diretamente sobre a economia estatal, todo mundo sabe que a propriedade de todo o povo é a economia estatal. O artigo 7º da Constituição da República Popular da China afirma: “A economia estatal é a economia sob propriedade de todo o povo.”
De acordo com as “Crónicas de Deng Xiaoping”, quando Deng Xiaoping revisava o relatório ao 14. Congresso Nacional do Partido Comunista da China, ele afirmou: “a economia socialista é dominada pela propriedade pública.” “A propriedade coletiva rural também faz parte do sistema de propriedade pública.”
Se você desaprova a economia estatal, dizendo que esse rumor é obra de Deng Xiaoping, a personalidade desprezível aqui é evidente.
Quando um diretor adjunto do Escritório Provincial de Estatística leu o relatório da Terceira Sessão Plenária do 18º Comitê Central, declarou publicamente que as empresas de propriedade estatal são realmente “monstruosas”, “os funcionários não são funcionários, as pessoas não são pessoas” e competem pelos recursos com as empresas privadas. Depois de tantos anos, o problema continua. Depois de anos de reformas, parece que as empresas estatais se reduziram, porém novas empresas estatais foram criadas continuamente e as empresas estatais originais continuam crescendo. Ele crê que as reformas da China devem aceitar os conselhos de Coase (Robert Coase, economista britânico neoliberal), eliminando completamente as empresas estatais e permitindo que as empresas privadas compitam livremente. Isso seria o “mais importante”. O ânimo para eliminar as empresas estatais vai além das palavras. Além disso, no contexto de resoluta crítica do governo central ao neoliberalismo, alçou as ideias de Coase como suas próprias. Sua o obstinação em realizar as reformas de acordo com o neoliberalismo não é pouca.
Outro “economista”, que uma vez desempenhou a função de subdiretor da Comissão Nacional de Reforma Econômica, disse que a economia estatal não é socialismo. Citou Engels, que uma vez disse que economia estatal não é socialismo. Se a economia estatal é socialismo, então Bismarck era socialista porque este defendia o monopólio estatal da produção de tabaco. Ele argumentou que considerar a economia estatal como socialismo era “falso socialismo”. Propôs uma nova definição de socialismo: “propriedade do povo, empreendoismo do povo e usufruto do povo.” Esses três novos princípios do povo seriam o socialismo. Também advogou pela eliminação da economia estatal e defendeu a privatização.
Aqui, se vê que ele distorceu abertamente o pensamento de Engels. O que Engels realmente quis dizer é que nem toda nacionalização é socialismo e que a natureza da economia estatal depende da natureza do Estado.
Isto faz todo o sentido.
A economia estatal existiu também na antiguidade. Na antiguidade, as minas de ferro e sal pertenciam ao Estado e aos oficiais da dinastia Han, estando a serviço da classe latifundiária, possuindo um caráter feudal. O Estado da sociedade capitalista é totalmente capitalista. A nacionalização, no capitalismo, não altera os atributos capitalistas da economia estatal, assim como não altera as relações de exploração dos trabalhadores. No capitalismo a economia estatal possui um caráter capitalista.
Nos países socialistas, o Estado de ditadura do proletariado representa os interesses de todos os trabalhadores, domina a propriedade dos meios de produção e utiliza esses meios de produção em benefício do povo. Assim, a propriedade estatal é a propriedade de todo o povo e representa o socialismo.
O “economista” criou um paradoxo para criar um pretexto para promover a privatização, ao distorcer a intenção original de Engels. Suas intenções são extremamente sinistras.
A sociedade socialista deve controlar os meios de produção e estabelecer a economia estatal mediante a ditadura do proletariado, como propuseram Marx e Engels. Como mencionado anteriormente, de acordo com Marx e Engels, as relações de produção devem estar de acordo com a natureza da produtividade, propondo que a eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública são uma necessidade objetiva.
Então, que forma adota a propriedade pública socialista dos meios materiais de produção? No socialismo, que organização pode representar toda a sociedade e possuir os meios de produção, regulando o funcionamento de toda a economia nacional? Está claro que somente em um país de ditadura do proletariado.
Isso se deve ao fato de que a ditadura do proletariado representa os interesses fundamentais de todos os trabalhadores, sendo a representação geral de toda classe operária.
Portanto, no Manifesto Comunista, Marx e Engels afirmaram que o proletariado, depois de tomar o poder político “vai usar seu predomínio político para retirar, aos poucos, todo o capital da burguesia, para concentrar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado – quer dizer, do proletariado organizado como classe dominante”.
O estabelecimento da propriedade estatal em uma sociedade socialista é objetivamente inevitável. Todos os países socialistas definiram a propriedade estatal como forma principal da propriedade socialista dos meios de produção, depois da vitória da revolução. Defender a eliminação das empresas estatais é uma violação dos princípios básicos do Marxismo e também uma violação das leis do desenvolvimento social.
É uma ação e comportamento que se move contra a tendência da história.
O desenvolvimento comum de múltiplos componentes econômicos é um fenômeno especial da etapa primária do socialismo que não pode ser eternizado
Frequentemente algumas pessoas consideram que o apoio e orientação para o desenvolvimento de múltiplas formas de propriedade e o desenvolvimento da economia privada, significa que o socialismo seja uma sociedade com múltiplas formas de propriedade e a propriedade privada não deve ser eliminada.
A base econômica do sistema socialista é a propriedade pública e está escrita na constituição de nosso país. A China agora adota a propriedade pública como pilar, sendo o desenvolvimento das múltiplas formas de propriedade um fenômeno peculiar na etapa primária do socialismo.
Leiamos as resoluções do 13. Congresso do Partido Comunista da China, que fez a afirmação de que a China ainda está na etapa primária do socialismo.
A resolução afirmou que a China estabeleceu o sistema socialista, sob a base do semifeudalismo e semicolonialismo e sua economia e cultura é relativamente atrasada.
Isso exige um longo período histórico para a realização da industrialização e socialização, que outros países conquistaram sob condições capitalistas. A China está ainda na etapa primária do socialismo. Sua produtividade ainda é atrasada e o seu desenvolvimento não é balanceado.
A produtividade social, exigida para o estabelecimento da propriedade pública dos meios de produção, ainda não está disponível em muitas regiões e departamentos. Portanto, nós não podemos implementar um único sistema de propriedade pública; nós também precisamos da economia não-pública como complemento da economia socialista.
A propriedade pública, como coluna vertebral da economia e múltiplas formas de propriedade se desenvolvendo conjuntamente, constituem o sistema econômico básico do sistema econômico na primeira etapa do socialismo.
A propriedade pública é o esteio e as múltiplas formas de propriedade se desenvolvem juntas, que é o sistema econômico básico no estágio primário do socialismo. Pode-se ver que a existência da propriedade privada é uma característica do estágio primário do socialismo e não uma característica geral do socialismo. O socialismo é eliminação da propriedade privada e não pode consolidar e perpetuar o fenômeno especial da etapa primária do socialismo. Pode ser dito que a existência da propriedade privada é uma característica da primeira etapa do socialismo, não uma característica geral do socialismo.
A etapa primária do socialismo se caracteriza pelo fato de que, em sua estrutura de propriedade, a propriedade pública é a coluna vertebral da economia e múltiplas formas de propriedade se desenvolvem conjuntamente. Existe tanto a propriedade pública e a propriedade privada capitalista, capital estrangeiro.
No campo da distribuição, existe tanto a distribuição de acordo com o trabalho (que é o principal), determinado pela propriedade pública, como a distribuição de fatores determinados pela propriedade privada (que é secundário).
Portanto, também existe exploração dentro de uma certa escala. Esses dois fatores coexistem e convivem em conflito.
A etapa primária do socialismo não é uma forma econômica e social estável, mas uma sociedade em transição. O desenvolvimento do estágio primário do socialismo tem duas direções e dois futuros.
O primeiro é que, com o desenvolvimento das forças produtivas, com o aumento do grau de socialização da produção, os fatores socialistas irão se desenvolver continuamente e gradualmente evoluirão para um estágio mais elevado do socialismo, chegando finalmente ao comunismo.
A outra direção é a do retorno ao capitalismo. Aqui está o fator decisivo da questão. A chave é como nós trabalhamos. Se a ideia de erradicar a propriedade estatal e promover a privatização for colocada em prática, o cenário de retorno ao capitalismo é inteiramente possível.
Esse é um perigo real, que tem seus precedentes na história do movimento comunista internacional. A etapa primária do socialismo não é algo estático, mas sempre está em mudança e não pode ter uma vida longa.
Na etapa primária do socialismo, que está cheia de contradições e lutas, a importância de ideais e crenças é completamente demonstrada. “O ideal revolucionário é mais alto que o céu.”
Nós devemos reforçar nossa convicção Marxista e ter em mente o ideal comunista. O comunismo é um grande ideal, uma coisa do futuro, mas também uma realidade. Nós devemos unir nosso programa básico, com o nosso programa mais elevado. Cada medida que nós tomamos nas atuais circunstâncias, devem ser um passo em direção ao comunismo. Não esquecer a realização da missão original do comunismo, ter em mente a eliminação da propriedade privada e trabalhar de maneira realista.
Dessa forma, a solene declaração de “eliminar a propriedade privada” do Manifesto do Partido Comunista certamente se realizará.
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2020.04.08 09:38 Emile-Principe O Comunismo é a eliminação da propriedade privada - Zhou Xincheng (Traduzido do mandarim para o português por Gabriel Gonçalves Martinez, membro fundador da URC, Uniao da Reconstrucao Comunista)

Há 170 anos, Marx e Engels declararam solenemente no programa comum do Partido Comunista – o “Manifesto Comunista” – que “os Comunistas podem generalizar suas teorias em uma sentença: eliminar a propriedade privada”.
Por Zhou Xincheng*
O objetivo máximo do Partido Comunista é conquistar o comunismo. Para conquistar a posse comum dos meios de produção material, é inevitável eliminar a propriedade privada. A eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública, são as duas missões originais que os comunistas não podem esquecer. Essa é a missão que os comunistas devem ter em mente. Aquele que esquece tal missão, não pode ser chamado de membro do Partido Comunista.
No entanto, desde o início da Reforma e Abertura, algumas pessoas, conhecidas como “membros do Partido Comunista”, estão tentando o seu melhor para criticar a ideia de eliminar a propriedade privada e advogam a privatização.
Começando da “hipótese do homem econômico”, eles consideram que a natureza humana é egoísta. A propriedade pública viola a natureza humana e está destinada a falir. A propriedade privada é compatível com a natureza egoísta do homem, então a propriedade privada seria algo eterno, algo impossível de ser eliminado. Assim, eles entoam o slogan “Vida longa à propriedade privada!”.
Este pensamento é tão profundamente enraizado na cabeça de alguns, que quando um economista neoliberal como Zhang Wuchang (Steven N. S. Cheung, economista de Hong Kong), apresentou a “experiência da reforma” em uma reunião de quadros do departamento de administração, alegando que o “único caminho possível é o da privatização”, os quadros partidários que ali estavam, não só não ousaram refutá-lo, como também publicaram o discurso de Zhang Wuchang.
Que coisa estranha em um país socialista que está sob a direção do Partido Comunista!
Eu realmente não sei se esses membros do Partido Comunista realmente juraram “lutar pelo comunismo por toda a vida” quando ingressaram no Partido. É isto verdadeiro ou falso?
Algumas pessoas fazem alarde a respeito da tradução (do Manifesto Comunista), dizendo que a tradução está errada. Que a passagem em questão não deveria ser traduzida como “eliminar a propriedade privada.” Isso significaria que a propriedade privada não pode ser eliminada. Assim, seria necessário absorver sua essência e abandonar seus aspectos irrazoáveis (da propriedade privada).
No geral, essas pessoas também consideram que a natureza humana é egoísta, e a propriedade privada estaria em consonância com tal natureza egoísta.
No que diz respeito à tradução, o antigo diretor do Birô Central do Comitê de Tradução e Compilação do Comitê Central do Partido Comunista, Gu Jinping, escreveu um artigo especial para refutar tais ideias.
Ele demonstrou de várias maneiras que a tradução “eliminar a propriedade privada” está em consonância com a original intenção dos autores e é completamente correta. Essas pessoas na verdade querem defender o sistema de propriedade privada. Tentam de maneira repugnante vender suas próprias ideias e pensamentos, como se estes fossem os pensamentos de Marx e Engels.
A eliminação da propriedade privada é uma tendência objetiva e inevitável do desenvolvimento social
Os socialistas utópicos defenderam a ideia de eliminar a propriedade privada. Thomas Moore, que viveu na era histórica onde o sistema feudal começava a se desintegrar e o capitalismo surgir, odiou profundamente os meios bárbaros e cruéis da acumulação primitiva do capital. Ele acreditava que a propriedade privada era a raiz de todo o mal. Concebeu como ideal uma sociedade baseada na propriedade pública, trabalho para todos, alta moralidade, despreocupação, não exploração e não opressão. Ele descreveu este reino ideal em detalhes no seu livro Utopia. Este livro foi o pioneiro do socialismo utópico e inspirou uma geração inteira de socialistas utópicos. Depois, Saint-Simon, Owen e Fourier desenvolveram os pensamentos de Moore e formaram uma ideologia socialista utópica. Marx reconheceu os méritos históricos do socialismo utópico. O socialismo utópico analisou os defeitos do sistema capitalista em seu período inicial, prevendo a tendência histórica de que a propriedade privada seria substituída pela propriedade pública, adivinhando genialmente características básicas do futuro sistema social.
O socialismo utópico foi uma importante fonte de pensamento para a formação do marxismo. No entanto, Marx e Engels também pontuaram que o socialismo utópico era ainda o pensamento imaturo da classe operária, que havia acabado de entrar na arena política na fase inicial do capitalismo. O socialismo utópico partia da racionalidade do ser-humano, atacando todos os fundamentos da sociedade capitalista, propondo opiniões positivas sobre a sociedade futura. Tais afirmações não se baseiam em uma análise das relações de produções materiais da sociedade, mas sim nos conceitos éticos e morais das pessoas, portanto são afirmações não-científicas e historicamente idealistas. Ao mesmo tempo, eles não identificaram o poder para realizar tais ideias e rejeitaram todo tipo de ação política. Eles sempre faziam apelos a toda sociedade, principalmente as classes dominantes, pensando que na medida em que o povo entendesse suas ideias, poderiam assim criar a nova sociedade. O socialismo utópico é uma fantasia que não pode ser realizada. Marx e Engels apontaram que o significado do socialismo utópico “está na proporção inversa do seu desenvolvimento histórico. À medida em que a luta de classes se acentua e toma formas mais definidas, o fantástico afã de abstrair-se dela, essa fantástica oposição que se lhe faz, perde qualquer valor prático, qualquer justificação teórica” (Manifesto do Partido Comunista, sobre o comunismo utópico-crítico).
Marx e Engels usaram o materialismo histórico e a teoria da mais-valia, descoberta por eles, para absorver o conteúdo positivo do socialismo utópico e criar o socialismo científico. Afirmaram que a eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública são os objetivos das leis do desenvolvimento da sociedade humana e uma tendência inevitável da história. Ao desenvolverem o socialismo científico, eles não partiram das boas intenções dos seres humanos para criticar o capitalismo e formular novos programas sociais. Eles acreditavam que “este apelo à moral e ao direito não nos faz avançar cientificamente nem uma polegada; a ciência econômica não pode encontrar, na indignação moral, por mais justificada que ela seja, nem razões nem argumentos, mas simplesmente sintomas.” Eles procederam da análise das relações de produções materiais do capitalismo e chegaram a conclusão que a propriedade privada seria eliminada.
Sua lógica era de que o com desenvolvimento do capitalismo, o aprofundamento da divisão social do trabalho e a proximidade dos laços econômicos, a produção estava se tornando cada vez mais social. Cada produto não é mais produzido por um trabalhador individual, mas sim produzido por um grupo de trabalhadores. Os produtos produzidos são produzidos para o consumo social e as necessidades matérias de produção são fornecidas pela sociedade, estando as unidades de produção intimamente ligadas umas com as outras, convertendo-se em um todo orgânico. Essa natureza da produtividade, objetivamente requer que a sociedade controle os meios de produção e regule a operação de toda a economia nacional de acordo com as necessidades da sociedade. No entanto, sob condições capitalistas, os meios de produção são apropriados de maneira privada pelos capitalistas e o objetivo da produção é obter a mais-valia. A propriedade privada burguesa dificulta a realização desse requerimento objetivo das forças produtivas sociais.
O modo de produção está em contradição com o modo de apropriação. A contradição entre o caráter social da produção e a apropriação capitalista se tornou a contradição básica do capitalismo. Essa contradição é a raiz de todas as doenças do sistema capitalista. Para superar tal contradição, a propriedade privada capitalista deve ser substituída pela propriedade pública dos meios de produção. Engels fez uma incisiva análise sobre essa questão. Ele disse: “Hoje, porém, quando, pelo desenvolvimento da grande indústria se criaram, em primeiro lugar, capitais e forças produtivas numa quantidade nunca antes conhecida e existem meios para, num curto lapso de tempo, multiplicar essas forças produtivas até ao infinito; quando, em segundo lugar, essas forças produtivas estão concentradas nas mãos de poucos burgueses, enquanto a grande massa do povo se converte cada vez mais em proletários, enquanto a sua situação se torna mais miserável e insuportável, na mesma proporção em que se multiplicam as riquezas dos burgueses; quando, em terceiro lugar, estas forças produtivas poderosas e que se multiplicam facilmente ultrapassaram de tal maneira a propriedade privada e os burgueses que provocam a cada momento as mais violentas perturbações na ordem social – agora a abolição da propriedade privada.” (Engels, Princípios Básicos do Comunismo)
Marx também expressou vividamente essa ideia. Ele disse: O monopólio do capital torna-se um entrave para o modo de produção que com ele e sob ele floresceu. A centralização dos meios de produção e a socialização do trabalho atingem um ponto em que se tornam incompatíveis com o seu invólucro capitalista. Este é rompido. Soa a hora da propriedade privada capitalista. Os expropriadores são expropriados. (Marx, O Capital. A Chamada Acumulação Original)
Podemos afirmar que Marx e Engels acreditavam que a eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública derivam da natureza social das forças produtivas e são um requerimento objetivo para o seu desenvolvimento. Essa é uma lei do desenvolvimento social e uma tendência inevitável da história.
A questão da propriedade é uma questão básica do movimento comunista
O Manifesto Comunista claramente apontou que o problema básico do movimento comunista é a questão da propriedade. Marx e Engels prestaram grande atenção à questão da propriedade, então eles resumiram sua teoria em uma sentença: eliminar a propriedade privada.
Desde a implementação da Reforma e Abertura, há essa tendência de diluir e mesmo negar o significado da propriedade dos meios de produção materiais. Por um período, o argumento “não pergunte, apenas faça” é bastante popular. Este argumento considera que a diferença entre a propriedade pública e a propriedade privada não é importante, contanto que a economia possa ser desenvolvida. Argumentam que toda essa discussão é algo débil, sem importância. O que realmente importa é fazer com que a economia cresça. Não pergunte se algo é “público” ou “privado”, assim como não pergunte se algo é “social” ou “capital”, ou seja, não pergunte sobre questões políticas, tais como sobre a natureza de um sistema social.
Esse tipo de argumento conduz a uma série de problemas no campo da pesquisa econômica.
Por exemplo, sobre o problema no campo da distribuição, a tendência geral é não conduzir pesquisas partindo da análise da propriedade dos meios de produção, fazendo assim uma confusão sobre políticas específicas de distribuição. Essa é a tendência do “socialismo vulgar” criticada por Marx.
A propriedade pública possui um método de distribuição particular a propriedade pública. A propriedade privada possui um método de distribuição particular a propriedade privada. Como nós podemos tentar explicar o problema da distribuição se abandonarmos a análise da propriedade?
Diluir ou mesmo ignorar a questão da propriedade é uma visão politicamente e academicamente irrazoável.
O conceito de propriedade dos meios de produção é um conceito muito importante do Marxismo
Para os seres humanos sobreviverem e se desenvolverem, é necessário que se engajem na produção material. No processo de produção, as pessoas não somente se relacionam com o mundo material, mas também contraem determinadas relações uns com os outros, ou seja, relações de produção. Indivíduos isolados, que não possuem relações sociais com outras pessoas, não podem sobreviver. Todo tipo de produção é levado a cabo dentro de um determinado tipo de relação de produção. Sem relações de produção, não existe produção material. A soma das relações de produção são a base econômica da superestrutura da sociedade.
As relações econômicas entre as pessoas no processo de produção material são diversas e as relações de produção são um complexo sistema com múltiplos níveis de conteúdo.
Nesse sistema, a propriedade dos meios de produção material joga um papel decisivo e são a base de toda as relações de produção. Em uma sociedade onde uns possuem os meios de produção e outros não, aqueles que são proprietários dos meios de produção possuem vantagens no processo produtivo.
Os proprietários dos meios de produção se apropriam dos produtos criados pelo trabalho excedente daqueles que perderam os meios de produção. Isto é a exploração.
Os fundamentos para a eliminação da exploração, estão em uma sociedade onde os trabalhadores compartilham igualmente dos produtos produzidos pelo trabalho e todos são iguais diante dos meios de produção.
A propriedade dos meios de produção determina também o caráter da produção, assim como determina a natureza das relações econômicas entre o povo no processo de trabalho e distribuição. A natureza da sociedade, economicamente, depende da forma de propriedade dos meios de produção.
Sem entender o sistema de propriedade não se pode entender a natureza das relações econômicas e não se pode jugar a natureza de uma sociedade.
Engels resumiu a história do desenvolvimento da sociedade humana e apontou que, embora a revolução social seja um ato político, em última análise ela visa alterar a propriedade dos meios de produção materiais. Ele disse:
“Até hoje, todas as revoluções têm sido contra um tipo de propriedade e em favor de outro; um tipo de propriedade não pode ser protegido sem que se lese outro. Na grande Revolução Francesa, a propriedade feudal foi sacrificada para que se salvasse a propriedade burguesa (…) desde a primeira até a última dessas chamadas revoluções políticas, todas elas se fizeram em defesa da propriedade, de um tipo de propriedade, e se realizaram por meio do confisco dos bens (dito de outro modo: do roubo) por outro tipo de propriedade.” (Engels, A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado. Capítulo V. Gênese do Estado Ateniense).
Essas palavras clarificam o papel decisivo do tipo de propriedade dos meios de produção materiais no desenvolvimento da sociedade.
Portanto, Marx e Engels propuseram no Manifesto Comunista que “a revolução comunista é a ruptura mais radical com as relações de propriedade tradicionais.”
Lenin também enfatizou esse ponto: “A classe operária deve obter sua verdadeira libertação. A revolução social que deve ser produzida devido ao pleno desenvolvimento de modo de produção capitalista é eliminar a propriedade privada dos meios de produção e transformá-los em propriedade pública.” Eles sempre enfatizaram a questão da propriedade e enfatizaram a eliminação da propriedade privada. Subestimar essa questão é uma violação do Marxismo.
Sem dúvida, a eliminação da propriedade privada não pode ser alcançada do dia para a noite, devendo ser realizada gradualmente, na medida que as condições amadureçam.
Engels apontou em sua resposta para tal questão, que era impossível eliminar a propriedade privada de uma vez. “A propriedade privada só poderá ser abolida quando estiver criada a massa de meios de produção necessária para isso.”
De um modo geral, a revolução e construção socialista em países atrasados econômico e culturalmente, devido ao relativo baixo desenvolvimento das forças produtivas e o desenvolvimento desigual, determina que o setor privado também tem um efeito positivo no desenvolvimento da economia nacional, dentro de um certo escopo.
Na vida real, a propriedade privada não pode ser completamente eliminada e uma só propriedade pública estabelecida. A China encontra-se na fase primária do socialismo. A natureza e o nível de produtividade determinam que nós só podemos implementar o sistema econômico básico na qual a propriedade pública é o pilar da economia e múltiplas formas de propriedade se desenvolvem conjuntamente.
Nós devemos também encorajar, apoiar e guiar a economia privada. No entanto, devemos apontar que, primeiro, a existência e o desenvolvimento da propriedade privada não é porque a propriedade privada é relação de produção avançada, ou reflete a “natureza humana”, mas sim é algo determinado pelo atraso da produtividade.
Segundo, futuramente, com o desenvolvimento da produtividade, nós iremos eliminar completamente a propriedade privada.
Tal objetivo não pode ser ocultado.
O desenvolvimento da propriedade privada, para desenvolver a economia e criar condições para a ulterior eliminação da propriedade privada, faz parte da dialética da história. Aquele que esquece tal missão, não pode ser qualificado como comunista.
Atualmente, entorno da luta para desenvolver a propriedade pública e gradualmente eliminar a propriedade privada, focar em como lidar com a economia estatal
Desde a reforma e abertura, existe um intenso debate teórico e prático sobre aderir e desenvolver a propriedade pública ou enfraquecer a propriedade pública, promovendo a privatização. O foco do debate é sobre como tratar a economia estatal. Isso ocorre porque nas condições do socialismo, a economia estatal é a principal forma de propriedade pública.
Em 10 de outubro de 2016, o Secretário-Geral Xi Jinping pronunciou um importante discurso na Conferência Nacional sobre a Construção das Empresas Estatais. No começo do seu discurso, a seguinte questão foi levantada:
“Precisamos ou não das empresas estatais?” Ele respondeu: “Eu não levantei essa questão aleatoriamente, para causar alarmismo, mas esse é um problema muito sério que devemos enfrentar.”
Ele continuou:
“Sob a liderança do Partido Comunista da China e o sistema socialista chinês, as empresas estatais e a economia estatal devem continuar crescendo e se desenvolvendo. Isso é algo inquestionável, no entanto, por algum tempo, algumas pessoas na sociedade têm criado estranhas teorias sobre as empresas estatais, falando sobre o ‘monopólio das empresas estatais’, que ‘a existência das empresas estatais é insuportável’, advogando pela ‘privatização’. Várias forças hostis e algumas pessoas com motivações ocultas focam nas empresas estatais, atacando-as e difamando-as, proclamando que ‘as empresas estatais estão quebradas’. Afirmam que o ‘desmembramento’ é a melhor forma para reformar as empresas estatais. Essas pessoas são bastante conscientes da importância das empresas estatais para a governança de nosso partido, para nosso sistema socialista, promovendo assim a confusão na mente das pessoas. Alguns camaradas não possuem clareza em relação a essa questão. Nós devemos dominar as questões políticas. Nós não podemos achar que isso é a apenas uma questão de propriedade ou meramente econômica. Isso seria bastante ingênuo!”
Devemos ver o debate sobre as empresas estatais a partir de uma perspectiva política. As empresas estatais são o pilar do socialismo com características chinesas. Sem as empresas estatais, todo o sistema do socialismo com características chinesas entrará em colapso.
Desde a reforma e abertura, sempre há algum “economista famoso” que advoga a tese de que o socialismo com características chinesas não requer a economia estatal. Os argumentos não são os mesmos, mas a ponta de lança é bastante consistente: as reformas devem eliminar as empresas estatais.
A demonização das empresas estatais quase tornou-se a opinião pública dominante. Portanto, por um período de tempo, um furação que vendeu diversas empresas estatais foi causado, resultando em grandes perdas de ativos estatais.
Wu Jinglian (economista chinês) é talvez o mais determinado e radical a defender que o socialismo não requer empresas estatais. Partindo das posições do neoliberalismo, vê que as empresas estatais não são agradáveis aos olhos e devem ser completamente eliminadas. Na véspera da Terceira Sessão Plenária do 18. Comitê Central do Partido Comunista da China, ele comentou que a reforma da China estaria em sua pior época. Ele disse que depois de mais de 30 anos, o resultado foi a criação de um sistema misto. Do que esse sistema é formado? Além de não conseguir promover a mercantilização completa, algumas empresas estatais foram mantidas. Ele disse que, para avançar as reformas, é necessário cancelar a principal forma de propriedade pública: a economia estatal.
O mais odioso é que ele criou o rumor de que Deng Xiaoping considerava que o socialismo não requer empresas estatais.
Wu Jingliang afirmou em uma entrevista para o site Fenghuang.com, em 16 de outubro de 2016: “O socialismo não tem nada a ver com Estado ou não-Estado.” Por essa razão, fui checar as Obras Escolhidas de Deng Xiaoping. Não há nenhum tipo de afirmação desse tipo nas Obras de Deng Xiaoping.
Em agosto de 1985, quando falava sobre a necessidade de as reformas aderirem a direção do socialismo, Deng Xiaoping apontou: “O socialismo possui dois importantes aspectos: um é que ele está baseado na propriedade pública, outro é que ele se opõe a polarização. A propriedade pública, incluindo a propriedade de todo o povo e propriedade coletiva, agora representa mais de 90% da economia.”
Embora ele não fale diretamente sobre a economia estatal, todo mundo sabe que a propriedade de todo o povo é a economia estatal. O artigo 7º da Constituição da República Popular da China afirma: “A economia estatal é a economia sob propriedade de todo o povo.”
De acordo com as “Crónicas de Deng Xiaoping”, quando Deng Xiaoping revisava o relatório ao 14. Congresso Nacional do Partido Comunista da China, ele afirmou: “a economia socialista é dominada pela propriedade pública.” “A propriedade coletiva rural também faz parte do sistema de propriedade pública.”
Se você desaprova a economia estatal, dizendo que esse rumor é obra de Deng Xiaoping, a personalidade desprezível aqui é evidente.
Quando um diretor adjunto do Escritório Provincial de Estatística leu o relatório da Terceira Sessão Plenária do 18º Comitê Central, declarou publicamente que as empresas de propriedade estatal são realmente “monstruosas”, “os funcionários não são funcionários, as pessoas não são pessoas” e competem pelos recursos com as empresas privadas. Depois de tantos anos, o problema continua. Depois de anos de reformas, parece que as empresas estatais se reduziram, porém novas empresas estatais foram criadas continuamente e as empresas estatais originais continuam crescendo. Ele crê que as reformas da China devem aceitar os conselhos de Coase (Robert Coase, economista britânico neoliberal), eliminando completamente as empresas estatais e permitindo que as empresas privadas compitam livremente. Isso seria o “mais importante”. O ânimo para eliminar as empresas estatais vai além das palavras. Além disso, no contexto de resoluta crítica do governo central ao neoliberalismo, alçou as ideias de Coase como suas próprias. Sua o obstinação em realizar as reformas de acordo com o neoliberalismo não é pouca.
Outro “economista”, que uma vez desempenhou a função de subdiretor da Comissão Nacional de Reforma Econômica, disse que a economia estatal não é socialismo. Citou Engels, que uma vez disse que economia estatal não é socialismo. Se a economia estatal é socialismo, então Bismarck era socialista porque este defendia o monopólio estatal da produção de tabaco. Ele argumentou que considerar a economia estatal como socialismo era “falso socialismo”. Propôs uma nova definição de socialismo: “propriedade do povo, empreendoismo do povo e usufruto do povo.” Esses três novos princípios do povo seriam o socialismo. Também advogou pela eliminação da economia estatal e defendeu a privatização.
Aqui, se vê que ele distorceu abertamente o pensamento de Engels. O que Engels realmente quis dizer é que nem toda nacionalização é socialismo e que a natureza da economia estatal depende da natureza do Estado.
Isto faz todo o sentido.
A economia estatal existiu também na antiguidade. Na antiguidade, as minas de ferro e sal pertenciam ao Estado e aos oficiais da dinastia Han, estando a serviço da classe latifundiária, possuindo um caráter feudal. O Estado da sociedade capitalista é totalmente capitalista. A nacionalização, no capitalismo, não altera os atributos capitalistas da economia estatal, assim como não altera as relações de exploração dos trabalhadores. No capitalismo a economia estatal possui um caráter capitalista.
Nos países socialistas, o Estado de ditadura do proletariado representa os interesses de todos os trabalhadores, domina a propriedade dos meios de produção e utiliza esses meios de produção em benefício do povo. Assim, a propriedade estatal é a propriedade de todo o povo e representa o socialismo.
O “economista” criou um paradoxo para criar um pretexto para promover a privatização, ao distorcer a intenção original de Engels. Suas intenções são extremamente sinistras.
A sociedade socialista deve controlar os meios de produção e estabelecer a economia estatal mediante a ditadura do proletariado, como propuseram Marx e Engels. Como mencionado anteriormente, de acordo com Marx e Engels, as relações de produção devem estar de acordo com a natureza da produtividade, propondo que a eliminação da propriedade privada e o estabelecimento da propriedade pública são uma necessidade objetiva.
Então, que forma adota a propriedade pública socialista dos meios materiais de produção? No socialismo, que organização pode representar toda a sociedade e possuir os meios de produção, regulando o funcionamento de toda a economia nacional? Está claro que somente em um país de ditadura do proletariado.
Isso se deve ao fato de que a ditadura do proletariado representa os interesses fundamentais de todos os trabalhadores, sendo a representação geral de toda classe operária.
Portanto, no Manifesto Comunista, Marx e Engels afirmaram que o proletariado, depois de tomar o poder político “vai usar seu predomínio político para retirar, aos poucos, todo o capital da burguesia, para concentrar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado – quer dizer, do proletariado organizado como classe dominante”.
O estabelecimento da propriedade estatal em uma sociedade socialista é objetivamente inevitável. Todos os países socialistas definiram a propriedade estatal como forma principal da propriedade socialista dos meios de produção, depois da vitória da revolução. Defender a eliminação das empresas estatais é uma violação dos princípios básicos do Marxismo e também uma violação das leis do desenvolvimento social.
É uma ação e comportamento que se move contra a tendência da história.
O desenvolvimento comum de múltiplos componentes econômicos é um fenômeno especial da etapa primária do socialismo que não pode ser eternizado
Frequentemente algumas pessoas consideram que o apoio e orientação para o desenvolvimento de múltiplas formas de propriedade e o desenvolvimento da economia privada, significa que o socialismo seja uma sociedade com múltiplas formas de propriedade e a propriedade privada não deve ser eliminada.
A base econômica do sistema socialista é a propriedade pública e está escrita na constituição de nosso país. A China agora adota a propriedade pública como pilar, sendo o desenvolvimento das múltiplas formas de propriedade um fenômeno peculiar na etapa primária do socialismo.
Leiamos as resoluções do 13. Congresso do Partido Comunista da China, que fez a afirmação de que a China ainda está na etapa primária do socialismo.
A resolução afirmou que a China estabeleceu o sistema socialista, sob a base do semifeudalismo e semicolonialismo e sua economia e cultura é relativamente atrasada.
Isso exige um longo período histórico para a realização da industrialização e socialização, que outros países conquistaram sob condições capitalistas. A China está ainda na etapa primária do socialismo. Sua produtividade ainda é atrasada e o seu desenvolvimento não é balanceado.
A produtividade social, exigida para o estabelecimento da propriedade pública dos meios de produção, ainda não está disponível em muitas regiões e departamentos. Portanto, nós não podemos implementar um único sistema de propriedade pública; nós também precisamos da economia não-pública como complemento da economia socialista.
A propriedade pública, como coluna vertebral da economia e múltiplas formas de propriedade se desenvolvendo conjuntamente, constituem o sistema econômico básico do sistema econômico na primeira etapa do socialismo.
A propriedade pública é o esteio e as múltiplas formas de propriedade se desenvolvem juntas, que é o sistema econômico básico no estágio primário do socialismo. Pode-se ver que a existência da propriedade privada é uma característica do estágio primário do socialismo e não uma característica geral do socialismo. O socialismo é eliminação da propriedade privada e não pode consolidar e perpetuar o fenômeno especial da etapa primária do socialismo. Pode ser dito que a existência da propriedade privada é uma característica da primeira etapa do socialismo, não uma característica geral do socialismo.
A etapa primária do socialismo se caracteriza pelo fato de que, em sua estrutura de propriedade, a propriedade pública é a coluna vertebral da economia e múltiplas formas de propriedade se desenvolvem conjuntamente. Existe tanto a propriedade pública e a propriedade privada capitalista, capital estrangeiro.
No campo da distribuição, existe tanto a distribuição de acordo com o trabalho (que é o principal), determinado pela propriedade pública, como a distribuição de fatores determinados pela propriedade privada (que é secundário).
Portanto, também existe exploração dentro de uma certa escala. Esses dois fatores coexistem e convivem em conflito.
A etapa primária do socialismo não é uma forma econômica e social estável, mas uma sociedade em transição. O desenvolvimento do estágio primário do socialismo tem duas direções e dois futuros.
O primeiro é que, com o desenvolvimento das forças produtivas, com o aumento do grau de socialização da produção, os fatores socialistas irão se desenvolver continuamente e gradualmente evoluirão para um estágio mais elevado do socialismo, chegando finalmente ao comunismo.
A outra direção é a do retorno ao capitalismo. Aqui está o fator decisivo da questão. A chave é como nós trabalhamos. Se a ideia de erradicar a propriedade estatal e promover a privatização for colocada em prática, o cenário de retorno ao capitalismo é inteiramente possível.
Esse é um perigo real, que tem seus precedentes na história do movimento comunista internacional. A etapa primária do socialismo não é algo estático, mas sempre está em mudança e não pode ter uma vida longa.
Na etapa primária do socialismo, que está cheia de contradições e lutas, a importância de ideais e crenças é completamente demonstrada. “O ideal revolucionário é mais alto que o céu.”
Nós devemos reforçar nossa convicção Marxista e ter em mente o ideal comunista. O comunismo é um grande ideal, uma coisa do futuro, mas também uma realidade. Nós devemos unir nosso programa básico, com o nosso programa mais elevado. Cada medida que nós tomamos nas atuais circunstâncias, devem ser um passo em direção ao comunismo. Não esquecer a realização da missão original do comunismo, ter em mente a eliminação da propriedade privada e trabalhar de maneira realista.
Dessa forma, a solene declaração de “eliminar a propriedade privada” do Manifesto do Partido Comunista certamente se realizará.
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2020.04.02 01:03 capybaranaranja Como o mundo cuidará da pandemia de coronavírus A pandemia mudará o mundo para sempre: Pedimos a 12 principais pensadores globais suas previsões. Foreign Policy

*Esse post é o artigo completo da revista Foreign Policy, que serviu de inspiração essa análise em vídeo do Meteoro Brasil, "O Mundo Depois da Crise". (que serve como TL;DR)
Como a queda do Muro de Berlim ou o colapso do Lehman Brothers, a pandemia de coronavírus é um evento de abalar o mundo cujas conseqüências de longo alcance só podemos começar a imaginar hoje.
Isso é certo: assim como esta doença destruiu vidas, perturbou mercados e expôs a competência (ou a falta dela) dos governos, ela levará a mudanças permanentes no poder político e econômico de maneiras que se tornarão aparentes apenas mais tarde.
Para nos ajudar a entender o terreno mudando sob nossos pés à medida que a crise se desenrola, a Política Externa pediu a 12 principais pensadores de todo o mundo que avaliassem suas previsões para a ordem global após a pandemia.
Um mundo menos aberto, próspero e livre
de Stephen M. Walt
A pandemia fortalecerá o estado e reforçará o nacionalismo. Governos de todos os tipos adotarão medidas emergenciais para administrar a crise, e muitos relutarão em renunciar a esses novos poderes quando a crise terminar.
O COVID-19 também acelerará a mudança de poder e influência do Ocidente para o Oriente. A Coréia do Sul e Cingapura responderam melhor e a China reagiu bem após seus erros iniciais. A resposta na Europa e na América tem sido lenta e aleatória em comparação, manchando ainda mais a aura da "marca" ocidental.
O que não vai mudar é a natureza fundamentalmente conflituosa da política mundial. Pragas anteriores não acabaram com a rivalidade das grandes potências nem deram início a uma nova era de cooperação global. Pragas anteriores - incluindo a epidemia de gripe de 1918-1919 - não acabaram com a rivalidade das grandes potências nem deram início a uma nova era de cooperação global. Nem COVID-19. Veremos um recuo adicional da hiperglobalização, à medida que os cidadãos buscam os governos nacionais para protegê-los e enquanto estados e empresas buscam reduzir futuras vulnerabilidades.
Em resumo, o COVID-19 criará um mundo menos aberto, menos próspero e menos livre. Não precisava ser assim, mas a combinação de um vírus mortal, planejamento inadequado e liderança incompetente colocou a humanidade em um caminho novo e preocupante.
O fim da globalização como a conhecemos
por Robin Niblett
A pandemia de coronavírus pode ser a palha que quebra as costas do camelo na globalização econômica.
O crescente poder econômico e militar da China já havia provocado uma determinação bipartidária nos Estados Unidos de separar a China da alta tecnologia e propriedade intelectual de origem americana e tentar forçar os aliados a seguir o exemplo. O aumento da pressão pública e política para cumprir as metas de redução de emissões de carbono já havia questionado a dependência de muitas empresas de cadeias de suprimentos de longa distância. Agora, o COVID-19 está forçando governos, empresas e sociedades a fortalecer sua capacidade de lidar com longos períodos de auto-isolamento econômico.
Parece altamente improvável, neste contexto, que o mundo retorne à idéia de globalização mutuamente benéfica que definiu o início do século XXI. E sem o incentivo para proteger os ganhos compartilhados da integração econômica global, a arquitetura da governança econômica global estabelecida no século 20 se atrofiará rapidamente. Será necessária uma enorme autodisciplina para os líderes políticos sustentarem a cooperação internacional e não recuarem para uma competição geopolítica aberta.
Provar aos cidadãos que eles podem administrar a crise do COVID-19 comprará aos líderes algum capital político. Mas aqueles que falham terão dificuldade em resistir à tentação de culpar os outros por seu fracasso.
Uma globalização mais centrada na China
por Kishore Mahbubani
A pandemia do COVID-19 não alterará fundamentalmente as direções econômicas globais. Isso apenas acelerará uma mudança que já havia começado: uma mudança da globalização centrada nos EUA para uma globalização mais centrada na China.
Isso apenas acelerará uma mudança que já havia começado: uma mudança da globalização centrada nos EUA para uma globalização mais centrada na China.
Por que essa tendência continuará? A população americana perdeu a fé na globalização e no comércio internacional. Os acordos de livre comércio são tóxicos, com ou sem o presidente dos EUA, Donald Trump. Por outro lado, a China não perdeu a fé. Por que não? Existem razões históricas mais profundas. Os líderes chineses agora sabem bem que o século de humilhação da China de 1842 a 1949 foi resultado de sua própria complacência e de um esforço fútil de seus líderes para separá-lo do mundo. Por outro lado, as últimas décadas de ressurgimento econômico foram resultado do engajamento global. O povo chinês também experimentou uma explosão de confiança cultural. Eles acreditam que podem competir em qualquer lugar.
Consequentemente, ao documentar em meu novo livro, Has Won China ?, os Estados Unidos têm duas opções. Se seu objetivo principal é manter a primazia global, ele terá que se envolver em uma disputa geopolítica de soma zero, política e economicamente, com a China. No entanto, se o objetivo dos Estados Unidos é melhorar o bem-estar do povo americano - cuja condição social se deteriorou -, ele deve cooperar com a China. Um conselho mais sábio sugeriria que a cooperação seria a melhor escolha. No entanto, dado o ambiente político tóxico dos EUA em relação à China, conselhos mais sábios podem não prevalecer.
Democracias sairão da sua concha
por G. John Ikenberry
No curto prazo, a crise dará combustível a todos os campos do grande debate sobre estratégia ocidental. Os nacionalistas e anti-globalistas, os falcões da China e até os internacionalistas liberais verão novos indícios da urgência de seus pontos de vista. Dado o dano econômico e o colapso social que está se desenrolando, é difícil ver algo além de um reforço do movimento em direção ao nacionalismo, rivalidade entre grandes potências, dissociação estratégica e coisas do gênero.
Assim como nas décadas de 30 e 40, também pode haver uma contracorrente de evolução mais lenta. Mas, como nas décadas de 30 e 40, também pode haver uma contracorrente de evolução mais lenta, uma espécie de internacionalismo obstinado semelhante ao que Franklin D. Roosevelt e alguns outros estadistas começaram a se articular antes e durante a guerra. O colapso da economia mundial na década de 1930 mostrou como as sociedades modernas estavam conectadas e quão vulneráveis ​​eram ao que FDR chamava de contágio. Os Estados Unidos foram menos ameaçados por outras grandes potências do que pelas forças profundas - e pelo caráter do Dr. Jekyll e Hyde - da modernidade. O que FDR e outros internacionalistas conjuraram foi uma ordem do pós-guerra que reconstruiria um sistema aberto com novas formas de proteção e capacidades para gerenciar a interdependência. Os Estados Unidos não podiam simplesmente se esconder dentro de suas fronteiras, mas para operar em uma ordem aberta do pós-guerra exigia a construção de uma infraestrutura global de cooperação multilateral.
Assim, os Estados Unidos e outras democracias ocidentais podem viajar por essa mesma sequência de reações impulsionadas por um sentimento em cascata de vulnerabilidade; a resposta pode ser mais nacionalista a princípio, mas, a longo prazo, as democracias sairão de suas conchas para encontrar um novo tipo de internacionalismo pragmático e protetor.
Lucros mais baixos, mas mais estabilidade
de Shannon K. O’Neil
O COVID-19 está minando os princípios básicos da fabricação global. As empresas agora repensam e encolhem as cadeias de suprimentos multipasso e multinacionais que dominam a produção atualmente.
As cadeias de suprimentos globais já estavam sendo atacadas econômica e politicamente. As cadeias de suprimentos globais já estavam sendo afetadas - economicamente, devido ao aumento dos custos trabalhistas chineses, à guerra comercial do presidente dos EUA, Donald Trump, e aos avanços em robótica, automação e impressão 3D, e também politicamente, devido a perdas reais e percebidas de empregos, especialmente em economias maduras. O COVID-19 agora quebrou muitos desses vínculos: o fechamento de fábricas em áreas afetadas deixou outros fabricantes - assim como hospitais, farmácias, supermercados e lojas de varejo - desprovidos de estoques e produtos.
Do outro lado da pandemia, mais empresas exigirão saber mais sobre a origem de seus suprimentos e trocarão a eficiência por redundância. Os governos também intervirão, forçando o que consideram indústrias estratégicas a ter planos e reservas de backup doméstico. A lucratividade cairá, mas a estabilidade da oferta deverá aumentar.
Esta pandemia pode servir a um propósito útil
por Shivshankar Menon
Ainda é cedo, mas três coisas parecem aparentes. Primeiro, a pandemia de coronavírus mudará nossa política, tanto dentro dos estados quanto entre eles. É ao poder do governo que as sociedades - mesmo os libertários - se voltam. O relativo sucesso do governo em superar a pandemia e seus efeitos econômicos exacerbará ou diminuirá os problemas de segurança e a recente polarização nas sociedades. De qualquer maneira, o governo está de volta. A experiência até agora mostra que os autoritários ou populistas não são melhores em lidar com a pandemia. De fato, os países que responderam cedo e com sucesso, como Coréia e Taiwan, foram democracias - não aqueles dirigidos por líderes populistas ou autoritários.
Este ainda não é o fim de um mundo interconectado. A própria pandemia é prova de nossa interdependência.
Em segundo lugar, ainda não é o fim de um mundo interconectado. A própria pandemia é prova de nossa interdependência. Mas em todas as políticas, já existe uma virada para dentro, uma busca por autonomia e controle do próprio destino. Estamos caminhando para um mundo mais pobre, mais cruel e menor.
Finalmente, há sinais de esperança e bom senso. A Índia tomou a iniciativa de convocar uma videoconferência de todos os líderes do sul da Ásia para criar uma resposta regional comum à ameaça. Se a pandemia nos levar a reconhecer nosso interesse real em cooperar multilateralmente nos grandes problemas globais que enfrentamos, ela terá servido a um propósito útil.
O poder americano precisará de uma nova estratégia
por Joseph S. Nye, Jr.
Em 2017, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou uma nova estratégia de segurança nacional que se concentra na competição por grandes potências. O COVID-19 mostra que essa estratégia é inadequada. Mesmo se os Estados Unidos prevalecerem como uma grande potência, não poderão proteger sua segurança agindo sozinhos.
Como Richard Danzig resumiu o problema em 2018: “As tecnologias do século XXI são globais não apenas em sua distribuição, mas também em suas conseqüências. Patógenos, sistemas de IA, vírus de computador e radiação que outros podem acidentalmente liberar podem se tornar tanto o nosso problema quanto o deles. Sistemas de relatórios acordados, controles compartilhados, planos de contingência comuns, normas e tratados devem ser adotados como meio de moderar nossos numerosos riscos mútuos. ”
Sobre ameaças transnacionais como o COVID-19 e as mudanças climáticas, não basta pensar no poder americano sobre outras nações. A chave do sucesso também é aprender a importância do poder com os outros. Todo país coloca seu interesse nacional em primeiro lugar; a questão importante é quão amplo ou estreitamente esse interesse é definido. O COVID-19 mostra que estamos falhando em ajustar nossa estratégia para este novo mundo.
A história do COVID-19 será escrita pelos vencedores
por John Allen
Como sempre foi, a história será escrita pelos “vencedores” da crise do COVID-19. Toda nação, e cada vez mais todo indivíduo, está experimentando a tensão social desta doença de maneiras novas e poderosas. Inevitavelmente, os países que perseverarem - tanto em virtude de seus sistemas políticos e econômicos únicos, quanto na perspectiva da saúde pública - terão sucesso sobre aqueles que experimentam um resultado diferente e mais devastador. Para alguns, isso parecerá um grande e definitivo triunfo para a democracia, o multilateralismo e o atendimento universal à saúde. Para outros, mostrará os "benefícios" claros de um governo autoritário decisivo. Para alguns, isso parecerá um grande e definitivo triunfo para a democracia. Para outros, mostrará os "benefícios" claros do regime autoritário.
De qualquer maneira, essa crise irá reorganizar a estrutura internacional de poder de maneiras que apenas podemos começar a imaginar. O COVID-19 continuará deprimindo a atividade econômica e aumentando a tensão entre os países. A longo prazo, a pandemia provavelmente reduzirá significativamente a capacidade produtiva da economia global, especialmente se as empresas fecharem e os indivíduos se separarem da força de trabalho. Esse risco de deslocamento é especialmente grande para os países em desenvolvimento e outros com uma grande parcela de trabalhadores economicamente vulneráveis. O sistema internacional, por sua vez, sofrerá grande pressão, resultando em instabilidade e conflito generalizado dentro e entre países.
Uma nova etapa dramática no capitalismo global
por Laurie Garrett
O choque fundamental para o sistema financeiro e econômico do mundo é o reconhecimento de que as cadeias de suprimentos e redes de distribuição globais são profundamente vulneráveis ​​a interrupções. A pandemia de coronavírus, portanto, não só terá efeitos econômicos duradouros, como também levará a uma mudança mais fundamental.
A globalização permitiu que as empresas cultivassem manufaturas em todo o mundo e entregassem seus produtos no mercado just-in-time, evitando os custos de armazenagem. Os estoques que ficavam nas prateleiras por mais de alguns dias eram considerados falhas de mercado. O suprimento precisava ser adquirido e enviado em um nível global cuidadosamente orquestrado. O COVID-19 provou que os patógenos podem não apenas infectar as pessoas, mas envenenar todo o sistema just-in-time.
Dada a escala de perdas do mercado financeiro que o mundo experimentou desde fevereiro, é provável que as empresas saiam dessa pandemia decididamente envergonhada pelo modelo just-in-time e pela produção globalmente dispersa. O resultado pode ser um novo estágio dramático no capitalismo global, no qual as cadeias de suprimentos são trazidas para mais perto de casa e preenchidas com redundâncias para proteger contra interrupções futuras. Isso pode reduzir os lucros de curto prazo das empresas, mas tornar todo o sistema mais resistente.
Estados mais falidos
por Richard N. Haass
Permanente não é uma palavra de que gosto, como pouco ou nada, mas acho que a crise do coronavírus levará, pelo menos por alguns anos, a maioria dos governos a se voltar para dentro, concentrando-se no que ocorre dentro de suas fronteiras e não sobre o que acontece além deles. Prevejo maiores movimentos em direção à auto-suficiência seletiva (e, como resultado, dissociação), dada a vulnerabilidade da cadeia de suprimentos; oposição ainda maior à imigração em larga escala; e uma disposição ou compromisso reduzidos para enfrentar problemas regionais ou globais (incluindo as mudanças climáticas), dada a necessidade percebida de dedicar recursos para reconstruir em casa e lidar com as conseqüências econômicas da crise. Muitos países terão dificuldade em se recuperar, com a fraqueza do Estado e Estados falidos se tornam ainda mais prevalentes.
Eu esperaria que muitos países tenham dificuldade em se recuperar da crise, com a fraqueza do estado e os estados falidos se tornando uma característica ainda mais prevalente no mundo. A crise provavelmente contribuirá para a contínua deterioração das relações sino-americanas e o enfraquecimento da integração européia. Do lado positivo, devemos ver um fortalecimento modesto da governança global da saúde pública. Mas, no geral, uma crise enraizada na globalização enfraquecerá ao invés de aumentar a vontade e a capacidade do mundo de lidar com ela.
Os Estados Unidos falharam no teste de liderança
por Kori Schake
Os Estados Unidos não serão mais vistos como um líder internacional. Os Estados Unidos não serão mais vistos como um líder internacional devido ao estreito interesse próprio de seu governo e à incompetência confusa. Os efeitos globais dessa pandemia poderiam ter sido bastante atenuados se as organizações internacionais fornecessem mais e mais informações anteriores, o que daria aos governos tempo para preparar e direcionar recursos para onde eles são mais necessários. Isso é algo que os Estados Unidos poderiam ter organizado, mostrando que, embora seja de interesse próprio, não é apenas de interesse próprio. Washington falhou no teste de liderança e o mundo está em pior situação.
Em todos os países, vemos o poder do espírito humano
de Nicholas Burns
A pandemia do COVID-19 é a maior crise global deste século. Sua profundidade e escala são enormes. A crise da saúde pública ameaça cada uma das 7,8 bilhões de pessoas na Terra. A crise financeira e econômica poderia exceder em seu impacto a grande recessão de 2008-2009. Cada crise sozinha poderia causar um choque sísmico que muda permanentemente o sistema internacional e o equilíbrio de poder como o conhecemos. Isso dá esperança de que homens e mulheres em todo o mundo possam prevalecer em resposta a esse desafio extraordinário.
Até o momento, a colaboração internacional tem sido lamentavelmente insuficiente. Se os Estados Unidos e a China, os países mais poderosos do mundo, não puderem deixar de lado sua guerra de palavras sobre qual deles é responsável pela crise e liderar com mais eficácia, a credibilidade de ambos os países poderá diminuir significativamente. Se a União Europeia não puder fornecer assistência mais direcionada a seus 500 milhões de cidadãos, os governos nacionais poderão recuperar mais poder de Bruxelas no futuro. Nos Estados Unidos, o que está mais em jogo é a capacidade do governo federal de fornecer medidas eficazes para conter a crise.
Em todos os países, no entanto, existem muitos exemplos do poder do espírito humano - de médicos, enfermeiros, líderes políticos e cidadãos comuns demonstrando resiliência, eficácia e liderança. Isso fornece esperança de que homens e mulheres em todo o mundo possam prevalecer em resposta a esse desafio extraordinário.
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2020.03.30 01:51 Comfortable_Surprise Bolsonaro não é louco, louco é o sistema que o sustenta

Desde a eleição de Jair Bolsonaro para o cargo máximo do executivo brasileiro diversos setores da mídia e da imprensa, sejam eles autodenominados “de esquerda”, da “resistência” (termo que reverbera com potência histórica, mas esvaziado de sentido real) ou de certa oposição que clama para si a sensatez e a humanidade, buscam atacar ao indivíduo Jair Bolsonaro, atuando por caminhos psicologizantes que acabam tendo como principal efeito a despolitização por parte dos que lêem e concordam com essas pseudo-análises.
Quando jornalistas e comentadores traduzem ações de Bolsonaro lançando mão de termos como “louco”, “psicopata”, “sociopata”, entre outros, nada fica mais claro do que a própria noção estigmatizada e de certa forma inocente dos que comunicam desta maneira. Narrativas psicologizantes tendem a isolar sujeitos políticos de seus contextos formativos e de atuação, tornando-os sujeitos ahistóricos, soltos numa narrativa onde apenas sua insensatez justifica seus atos. Façamos um exercício; dos documentários produzidos à toque de caixa pelos Estados Unidos sobre o fenômeno do nazismo (fenômeno este que é retratado com toques hollywoodianos de complôs, mentes malignas e atormentadas e de certa estética do expressionismo alemão) quantos deles não partem para uma noção individualizada do fenômeno? Levantando perfis de altos cargos do partido nazista, oferecendo ao público detalhes macabros sobre o modo de ser e pensar destes sujeitos? Porém em momento nenhum contextualizando-os em um momento histórico onde houve verdadeira abertura para que estes pensamentos e ações tornassem-se políticas nacionais e normativas; onde está, nessas produções que desinformam o espectador, a elite industrial alemã e seu papel desprezível no fortalecimento de ideologias anti-comunistas que abriram o caminho para a ascensão dos nazistas? Desconfio que muitos destes documentários e filmes têm medo que ao desvelar muitas dessas relações políticas acabem por encontrar um triste holograma das próprias democracias do “mundo livre”.
Um exemplo desta narrativa despolitizada: Revista Carta Capital, 28 de Março de 2020, o lide diz, “Crise do coronavírus deixa bem caracterizada a hipótese diagnóstica de que o presidente tem transtorno de personalidade antissocial”. O texto absolutamente canhestro oferecido pela revista traz a análise de um suposto profissional da psicologia que já teria trabalhado no CFP (Conselho Federal de Psicologia) fazendo um arremedo das últimas declarações do presidente em relação à crise do coronavírus. O psicólogo crava a hipótese (garantida de certa forma, segundo ele pelo DSM-V) de Bolsonaro operar psicologicamente no campo das perversões. Pergunto: Em que ponto desta matéria foi citado o fato do discurso do presidente que repercutiu tão mal em relação ao coronavírus ter em certo momento do polêmico pronunciamento a nação ter copiado trechos de um tweet do presidente americano que dizia “Não podemos deixar a cura ser pior do que o problema”. Que faremos? Chamaremos então um especialista agora para avaliar os discursos do presidente americano e garantir para ele também um lugar na nau dos insensatos? Bolsonaro então não seria um sociopata e sim um imitador de sociopata? Se levarmos este argumento adiante desvelamos o caráter vazio do mesmo.
O diagnóstico psicologizante dos discursos que incomodam podem até aplacar a nossa angústia, o famoso “Ele é louco” que gostamos tanto de reafirmar para nós mesmo para sentirmo-nos senhores de nossas ações; mas atacam o mensageiro e não a mensagem. Se formos nos utilizar desta régua arrogante e cientificista para lidarmos com a materialidade das decisões políticas orientadas pelo grande capital estamos perdidos. De que adianta a dita esquerda sentar-se sobre um monte de sensatez enquanto vê o mundo colapsar e contentar-se em apontar o dedo e dizer: “São loucos”. Não, não são loucos, louco é um sistema econômico e político que permite que certos discursos sejam veiculados sem consequência, louco é um sistema que permite que um presidente aja abertamente em desacordo com os interesses nacionais, louca é nossa elite nacional que opera em nível consciente e inconsciente numa lógica de escravidão. Sim, louco é todo o discurso que sustente esses outros discursos, quem o reproduz é apenas um peão do jogo, olhemos para a mensagem, não para o mensageiro.
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2020.02.23 05:05 CompleteMaintenance5 Só eu não fiz besteira até hoje por pena da minha mãe?

Provavelmente vai ter muito erro ortográfico mas fodase.
Estou esperando as aulas da universidade começarem, passei esse ano e etc. Ano passado foi quando eu finalmente aceitei que tinha problema com ansiedade e contei pra minha mãe, fui diagnosticado com transtorno de ansiedade generalizada (TAG), tenho isso desde criança mas só nessa época, na qual eu não havia sido aprovado e me sentia frustrado, eu criei coragem de aceitar isso. Então, eu acho que esse não é o único problema que eu tenho... me sinto só, mesmo com amigos, fico triste mesmo quando era pra estar feliz, e várias vezes já pensei em suicídio. Minha vida não era pra ser deprimente, não passo fome, tenho vida social, tenho uma mãe que me criou sozinha e me ama muito, mas sempre senti um vazio enorme. Tenho uma péssima relação com meu pai, basicamente ele só manda pensão e a gente conversa coisas básicas pra sobrevivência, eu sentia muita raiva dele, por não ser o pai que eu acho que eu precisava, por deixar minha mãe sozinha, por impedir ela de ter uma vida, mas já venho tentando perdoar ele, viajei pra casa dele ano passado e passei 2 semanas lá, tento entender que a vida dele foi muito difícil e ele foi criado em uma casa sem a menor sensibilidade emocional, então percebi que era idiotice e perca de tempo ficar bravo com ele, por não ser o que eu quero que ele seja, por fim eu perdoei. Eu passei o fim do ano com um amigo e a família dele, que sempre me ajudaram com questão de carona, estudo, conselhos e tal, eu amo a mãe e o pai dele como se fossem da minha família e meu amigo é como se fosse meu terceiro irmão, conheço eles a 10 anos e comecei a meio que desabafar pra eles coisas que eu não queria dizer para minha mãe, pra não deixar ela preocupada. Eles me levaram no dia do ENEM, eles me abraçaram antes deu fazer a prova, confesso que eu chorei muito depois, uma mistura de felicidade com tristeza, não sei explicar. Nessa viagem, eu percebi que minha família é meio fria, afastada, me aproximei muito deles, ao ponto que eles me chamavam de filho. Com o passar da viagem (que durou 1 mês), percebi que meu amigo meio que não tava gostando dessa proximidade toda, acho que era um ciúmes, não sei e nunca conversei sobre isso com ele, porque eu comecei a me aproximar do vô dele, comecei a conversar com alguns familiares mais do que ele, que não fazia questão de dar atenção, mesmo sendo pessoas maravilhosas. Mas no final de tudo, foi muito divertido e eu percebi que não me sentia sozinho lá, não sentia o vazio que sinto no dia a dia, a ansiedade explodindo. Ao voltarmos de viagem todo mundo voltou pra rotina, eu passei e meu amigo vai fazer outro ano de pré então nossas rotinas se diferenciaram muito, e cada vez mais eu estou me afastando deles. Ainda vejo eles na academia, de vez em quando no shopping ou algo assim por coincidência. Ai que eu percebi que eu não faço parte daquilo como eu achava, e vejo isso se repetindo muito na minha vida, eu percebo que eu crio expectativas demais nas relações, espero demais. Eu não vejo futuro pra mim, eu não vejo nada. Eu não tenho esperanças, não consigo começar nenhum relacionamento amoroso por medo/frieza. Minha mãe é literalmente tudo que eu tenho, é a única coisa que sempre ta lá pra mim, chegou num ponto que mesmo eu me sentindo vazio e perdido, não quero preocupar ela, ela já ta demonstrando consequências de tanto estresse que ela teve na vida, a idade ta pesando e isso ta doendo muito em mim. Eu, sinceramente, só to esperando ela partir, e eu confesso, eu só queria atenção das pessoas que eram pra me darem, se isso é pedir muito, desculpa. Eu sou um fracasso. Só queria desabafar, desculpa.
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2020.01.15 21:33 altovaliriano Os capítulos sobre a 'reação dornesa'

Este texto foi baseado em uma compilação realizada pelo incrível u/zionius_.
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Em 27 de junho de 2010 (ou seja, 380 dias antes do lançamento de A Dança dos Dragões), GRRM fez uma postagem em seu blog atualizando informações sobre a escrita do livro 5. Em seu relato, porém, ele acabou dando informações sobre capítulos que moveu para Os Ventos do Inverno em razão de eventos ocorridos no final de A Dança dos Dragões.
Segue abaixo a tradução do trecho relevante do post:
A DANÇA DOS DRAGÕES ficou um pouco menor.
O que aconteceu é que eu decidi mover dois capítulos inteiros de Arianne do livro atual para OS VENTOS DO INVERNO. Isso é algo que eu tenho feito e desfeito. Arianne originalmente não deveria ter nenhum capítulo em DANÇA, mas tem este... (hmmm, quão vago eu quero ser? MUITO Vago, eu acho ...) há esse evento que necessariamente provocaria uma reação dos dorneses. Originalmente, o evento ocorreria no final do livro, porém, em uma das minhas quarenta e sete reestruturações, mudei-o para o finzinho do meio. E a linha do tempo exigia que a reação dos dorneses acontecesse neste livro e não no próximo, então eu escrevi os dois capítulos de Arianne e ia escrever um terceiro... e um capítulo de outro POV que seria um complemento necessário para eles e...
Não. Reestruturei novamente e coloquei o evento principiador de volta no fim do livro. O que significa que os capítulos de Arianne podem ser devolvidos a VENTOS, onde eu os deixei originalmente. Isso também significa que não preciso escrever o terceiro capítulo de Arianne ou o capítulo complementar do outro ponto de vista... ainda não, pelo menos... o que deixa DANÇA dois capítulos mais perto da conclusão. (A mudança me fez revisar dois capítulos de outro ponto de vista, que ocorreu após o evento do rascunho da semana passada, mas agora ocorre antes do evento. Porém, felizmente, isso foi apenas uma questão de ajustar algumas linhas).
Em resumo, a postagem de Martin indica que:
Assim, as mudanças realizadas por GRRM afetaram os capítulos de três personagens POVs distintos. Não sabemos quem são os outros dois além de Arianne, mas Elio Garcia afirmou em 01 de novembro de 2010 (217 dias depois do postagem no blog de GRRM) ter ficado sabendo de mais informações sobre o assunto enquanto discutia o material de O Mundo de Gelo e Fogo com GRRM:
George e eu discutimos o livro Mundo (durante o qual aprendi algo sobre um dos personagens que aparecerá nos três capítulos dorneses, que ele se mudou para Os Ventos do Inverno) por mais alguns minutos [...]
Cumpre notar que o Elio não está dizendo que ficou sabendo mais sobre os POVs, mas especificamente sobre um personagem que aparecerá em algum dos capítulos movidos de volta para Os Ventos do Inverno.
À primeira vista, tende-se a achar que o personagem referido por Elio aparecerá em um dos capítulos desconhecidos. Mas à altura do encontro entre GRRM e Elio nenhum dos capítulos de Arianne havia sido lançado ainda (Arianne I só foi liberado em fev/2013 – quase 3 anos depois). Dessa forma, o personagem sobre quem Elio ficou sabendo mais informações pode já ter aparecido nos dois capítulos de Arianne que foram liberados.
Por outro lado, não fica claro também o que Elio quis dizer com “três capítulos dorneses”. Pode ser um indício de que o segundo POV era um dornês (assim: 2 capítulos escritos de Arianne + 1 capítulo não escrito do segundo POV) ou pode ser que simplesmente ele estivesse falando dos 3 capítulos de Arianne. Como muita gente aposta que o segundo POV seria Areo Hotah, tecnicamente, o capítulo de Areo não poderia ser chamado de “dornês”, pois ele é originário de Norvos, em Essos. Assim, a dúvida permanece.
Vamos analisar o que se especula.

O evento que mudou de lugar em A Dança dos Dragões

A aposta geral é que o evento seria a chegada de Aegon (ou fAegon, se preferir) a Westeros.
Uma vez que Jon Connington enviou uma carta pedindo auxílio à Doran Martell quando tomou Poleiro do Grifo, fica óbvio entender como este evento demandaria uma reação dos dorneses. Além do que, cronologicamente, ele ocorre no fim do livro (capítulo 61 – de um total de 71 em ADWD).
Por outro lado, este evento estava levando GRRM a escrever um terceiro capítulo de Arianne. Quem leu os outros dois sabe que ela termina seu segundo capítulo decidida a pegar o navio da Companhia Dourada até Ponta Tempestade para encontrar Aegon. Mais um indício de que o evento seria mesmo a invasão de Aegon.
O outro evento ocorrido no fim de A Dança dos Dragões que envolve dorneses (morte de Quentyn) parece um candidato muito improvável, pois aparentemente as notícias ainda não chegaram a Westeros (Arianne parece desconhecê-lo em seus dois capítulos de Os Ventos do Inverno).

O segundo POV (POV complementar)

As apostas são de que seria um capítulo de Areo Hotah. Afinal, Martin confirmou que não terá novos POVs dorneses e que Areoh permanecerá sendo POV. Por outro lado, Martin nunca diz que o segundo POV seria alguém nascido em Dorne (e, tecnicamente, não sabemos se Elio se confundiu ou não em sua declaração). Tudo que sabemos é que ele complementaria os capítulos de Arianne em relação à reação dornesa ao “evento”.
O pequeno problema que eu vejo é que Hotah está no encalço de Estrela Negra e as notícias sobre o que está acontecendo no Cabo da Fúria são confusas. Quando vimos Arianne viajando pela região, reparamos que a Companhia Dourada está agindo discretamente e o nível de sigilo que Doran está impondo na missão diplomática.
Assim, me pergunto de que modo as notícias poderiam estar chegando a Hotah.
O outro POV que eu penso que poderia estar recebendo notícias sobre o evento seria Samwell na Cidadela. Apesar de o porto da cidade estar fechado diante da ameaça dos homens de ferro, a correspondência via corvo não deve ter cessado. E se nós aprendemos alguma coisa com Fogo & Sangue, O Mundo de Gelo e Fogo e com a Senhora Dustin é que os meistres reportam tudo à Cidadela, mesmo detalhes da vida íntima dos senhores a que servem.

O terceiro POV (POV ajustado)

Aqui há um pouco mais de debate.
Zionius levanta a possibilidade de ter sido Cersei, pois se o evento ocorria no meio do livro, ela ainda estaria no conselho real ouvindo relatos. Porém, o próprio Zionius lembra que Martin estava escrevendo o Epílogo de Kevan 11 dias antes de anunciar a remoção dos capítulos de Arianne e escreveu o último capítulo de Jon Snow um mês depois.
A relevância ajustar o POV de Kevan é óbvia. Os relatos talvez fossem completamente diferentes (talvez até mencionassem Arianne estar em Ponta Tempestade). Quanto a Jon Snow, eu acho que a relevância seria mais poética: ele ouvindo sobre o retorno do suposto filho legítimo de Rhaegar seria afundar ainda mais as esperanças dos fãs de Jon de vê-lo reclamar o Trono de Ferro para si algum dia.

Personagem que aparece em um dos “três capítulos dorneses”

As pessoas apostam em Gerold “Estrela Negra” Dayne. Parece uma boa aposta, pois Elio e GRRM poderiam estar conversando sobre política dornesa naquele encontro em 2010. Ou até mesmo debatendo as relações entre os Dayne de Tombastela com os Dayne de Alto Ermitério.
Entretanto, como afirmei acima, não temos elementos para filtrar nossas opções. Os próprios capítulos de Arianne liberados apresentam personagens interessantes como Elia Sand e Teora Toland, entre outros.

Vocês têm algum palpite?
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2020.01.13 12:30 AntonioMachado [2012] Oliver James - Como desenvolver a inteligência emocional

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2020.01.10 17:58 Rubens322 Como melhorar o sexo: 12 dicas irresistíveis para uma vida sexual saudável

Como melhorar o sexo: 12 dicas irresistíveis para uma vida sexual saudável

Dicas para ter uma vida sexual feliz.
O sexo é uma parte natural da vida humana. Ter uma vida sexual satisfatória demonstrou melhorar muito o nosso bem-estar geral, podendo até reduzir o risco de sofrer certas doenças. No entanto, muitos fatores podem tornar o sexo menos do que surpreendente. Com isso em mente, Flo está aqui para lhe dar algumas dicas maravilhosas que ajudarão você a ter uma vida íntima saudável. Aprender alguns fatos interessantes sobre saúde sexual ao longo do caminho também tornará mais fácil para você ter relações sexuais mais agradáveis!

1. Comunique-se com seu parceiro

Isso pode parecer uma dica óbvia, mas é uma das coisas mais fáceis de esquecer. Nossa vida diária geralmente envolve trabalho, família, amigos e algumas situações estressantes. Muitas vezes tomamos nossa comunicação com nosso parceiro como garantida.

Em um relacionamento, é essencial manter uma comunicação aberta sobre todos os assuntos, e o sexo não é exceção. Os casais que se sentem à vontade para conversar um com o outro terão mais facilidade em discutir questões como horários conflitantes, falta de privacidade e preferências sexuais.

Algo tão comum quanto o estresse pode causar problemas de saúde sexual masculina, como baixa libido e disfunção erétil. Nesses casos, a comunicação com seu parceiro de maneira respeitosa pode ajudá-lo a identificar e resolver quaisquer problemas subjacentes.

2. Mantenha uma dieta para uma vida sexual saudável

Comer alimentos cheios de minerais, aminoácidos, antioxidantes e nutrientes pode beneficiar sua saúde geral e melhorar seu humor, por isso não é de admirar que os alimentos certos possam aumentar sua libido e melhorar seu desempenho sexual.

Uma dieta saudável para o sexo pode incluir:

Carne ou outras fontes de proteína
Nozes e sementes
Frutas cítricas
Ostras
Salmão
Folhas verdes
Cenouras
Melancia
Grãos integrais
Comer refeições com seu parceiro também pode ser saudável para o seu relacionamento. As refeições podem relaxar e fortalecer os laços, e muitos casais aproveitam esses momentos para relaxar juntos.

Sexo é vida e saúde para o casal.

3. Limite seu consumo de álcool

O copo ocasional de vinho tinto pode aumentar o desejo e a lubrificação sexual, mas é um fato bem conhecido da saúde sexual que o álcool em excesso pode ser prejudicial à sua vida íntima.

Estudos descobriram que o consumo excessivo de álcool pode aumentar emoções negativas, como ansiedade. O álcool também pode prejudicar sua atenção e suas habilidades de tomada de decisão, dificultando a prática de sexo seguro.

O álcool também atua como um depressor para o nosso sistema nervoso. Depois de beber muito álcool, os nervos do corpo não respondem tão facilmente aos estímulos sexuais, tornando o sexo menos agradável. Nos homens, o álcool também pode causar disfunção erétil.

4. Tome vitaminas para a saúde sexual

Você já pensou em tomar vitaminas para sua saúde sexual?

Vitaminas diferentes têm efeitos diferentes em nossas vidas sexuais. A vitamina C pode melhorar a circulação, foi demonstrado que a vitamina D aumenta os níveis de hormônios sexuais e melhora a disfunção erétil e sexual.

Outros suplementos também podem ajudar sua vida sexual. O zinco pode melhorar a função sexual e aumentar os níveis de testosterona. O aminoácido arginina pode melhorar sua circulação sanguínea, essencial para ereções e prazer sexual. O seu médico pode recomendar um suplemento de L-citrulina, que é convertido em arginina pelo seu corpo.

5. Exercite-se fora da cama

Exercício e atividade física podem melhorar sua vida sexual de muitas maneiras diferentes. Primeiro de tudo, o exercício aumenta os níveis de hormônios sexuais e endorfinas no corpo, aumentando o humor e o desejo sexual.

Sexo e saúde estão inextrincavelmente ligados: ser saudável aumentará sua resistência, o que é muito importante para uma vida sexual satisfatória.

O treino também pode ajudá-lo a se sentir mais confiante em si mesmo, o que, por sua vez, facilitará o seu sexo!

6. Faça seus exercícios de Kegel!

Os exercícios de Kegel são uma maneira fácil de alcançar o aprimoramento sexual feminino. Para executá-los, apenas aperte os músculos do assoalho pélvico por alguns segundos e solte-os; repita isso por alguns minutos todos os dias.

Se você não tiver certeza sobre quais músculos deve usar, finja que precisa fazer xixi e interrompa o fluxo de urina: os músculos que você aperta são os músculos do assoalho pélvico. Fortalecê-las pode aumentar o prazer sexual das mulheres, melhorar a lubrificação e até facilitar a recuperação do parto.

7. Conheça seus próprios desejos

Para ter um sexo satisfatório, você precisa descobrir o que gosta na cama. A masturbação, seja você solteira ou em um relacionamento, pode ser uma maneira muito eficaz de descobrir como se excitar. Também pode ajudar a ser uma maneira saudável de se sentir mais confortável com seu corpo.

Outra ótima maneira de descobrir o que você gosta é assistindo pornô ou lendo livros eróticos. Isso pode ajudá-lo a aprender sobre diferentes coisas nas quais você pode estar interessado; você pode fazer isso sozinho ou com um parceiro, e pode até melhorar a intimidade entre você.

8. Evite fumar

O tabaco contém nicotina, que é um potente vasoconstritor. Isso significa que ele irá estreitar os vasos sanguíneos, diminuindo o fluxo sanguíneo. A má circulação sanguínea pode causar disfunção erétil e sexual, tornando o sexo menos agradável para todos.

9. Faça o teste como parte de sua estratégia de saúde sexual

Se você é solteiro ou tem um relacionamento, precisa conversar sobre doenças sexualmente transmissíveis com seus parceiros sexuais. Sentir-se seguro é um grande incentivo para o desejo sexual, e a melhor maneira de se sentir seguro durante o sexo é saber que você é saudável e livre de doenças sexualmente transmissíveis.

Não tenha medo de perguntar ao seu parceiro sobre a história sexual dele. Independentemente de você ter um parceiro fixo ou não, saber que os dois são testados lhe dará tranqüilidade e permitirá que você desfrute do sexo plenamente. Visite uma clínica de saúde sexual feminina para fazer o teste.

10. Obtenha conselhos profissionais de saúde sexual

Se você suspeitar que há problemas mais profundos que o impedem de desfrutar totalmente do sexo, não hesite em falar com seu médico. Muitas condições médicas podem causar baixo desejo sexual ou disfunção sexual, desde distúrbios hormonais até endometriose.

Certos medicamentos, como contraceptivos orais e antidepressivos, podem diminuir sua libido. Seu médico será a melhor pessoa para ajudá-lo a identificar a fonte de possíveis problemas e como corrigi-los.

11. Proteja-se sempre

A menos que você esteja em um relacionamento estável, sempre use preservativos. Eles são o único método contraceptivo que também o manterá protegido das DSTs. Manter um preservativo por perto é sempre uma boa ideia se você é sexualmente ativo.

Se você deseja parar de usar preservativos, existem muitos métodos de controle de natalidade por aí que são muito eficazes e podem mantê-lo protegido contra gravidezes indesejadas.

Lembre-se de consultar o seu médico antes de escolher um método contraceptivo. Saber que sua saúde está sob controle fará com que você se sinta mais relaxado e o desfrute do sexo mais facilmente.

12. Use produtos de saúde sexual

Muitos produtos de saúde sexual podem ajudar você a ter uma vida sexual mais agradável. Muitos fatores, como idade, estresse e contraceptivos, podem diminuir a capacidade de lubrificação da mulher. Isso pode tornar o sexo desconfortável, mas usar um lubrificante pode ser uma solução fácil.

Atualmente, existem muitos tipos de lubrificantes disponíveis. Se você estiver usando preservativos de látex, fique longe de lubrificantes à base de óleo, pois eles podem danificá-lo e causar rupturas. A incorporação de lubrificantes em sua rotina pode tornar o sexo mais confortável e agradável para os dois.

Em muitos casos, levar um estilo de vida saudável comunicar-se abertamente com seu parceiro e levar sua sexualidade para suas próprias mãos pode fazer uma enorme diferença na maneira como você experimenta sexo e seu próprio corpo. Então, conheça a si mesmo, esteja seguro e divirta-se!
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